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Conversas de Ninoca

Tagarelina nunca teve problema pra falar.

Desde os 18 meses a bichinha desembestou a não há quem a faça parar de falar, de cantar, de repetir... e mais recentemente, de analisar o mundo e os fatos. Ela acorda falando e passa assim o dia inteiro. Ela senta na mesa do restaurante e com a maior cara de gente resolvida me olha no olho e solta:
- Hello mommy... how are you today?

Mas as análises são o fenômeno de interesse aqui. Análise de criança de 2 anos é deveras relevante, toda grande descoberta científica começou assim. Porque se cidadão pode sair pelado pela rua gritando "Eureka!" e ficar famoso, não é minha Genina que não vai ficar famosa por conclusões fundamentais para explicar os mistérios do universo como neste extrato de apenas 5 minutos (dos mais de 45) do nosso papo na volta pra casa hoje, que sintetizam a abundancia, profundidade e genialidade do ser:

Mamãe... a placa é verde, a luz é verde... mamãe (veja bem que faz parte da genialidade identificar o interlocutor, todo pesquisador sabe que não se deve sair assim desperdiçando e compartilhando descobertas importante com qualquer um), olha a lua! ...mamãe...eu brinquei com a Nadine hoje... minha Nadine! (revisão de conflito esclarecido anteriormente) é, na escolinha, amiguinha... mamãe... eu não tenho piu piu, só o Zack! (arremate com intonação positiva e afirmativa de quem realmente sabe do que estea falando).

Essa menina vai longe...

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Tradições de Natal


Gente!!! Me recuso a acreditar que Dezembro chegou. Fico besta como o tempo insiste em passar mais rápido a cada dia. E não importa quanto tempo você não tenha para entregar as provas a tempo, comprar presentes para levar para o Brasil a tempo, enviar os artigos a tempo e analisar seus dados a tempo, o tempo passa.

Eu gosto de Dezembro, sabe? Gosto de natal e tradições que existem na minha mente mas as quais eu executo com devida limitação de tempo e preparação, mas executo. De tudo que eu não faço, as tradições de fim de ano são parte das coisas que eu faço, custe o sono, custe os artigos, custe o que for, a gente faz e pronto.

Nossas tradições aqui são:
1. Ir ao concerto de natal da Jenifer Gasoi, uma cantora meio jazz, meio blues, meio pop e completamente queridinha com a qual fizemos aula de musicalização em ume época e desde então fomos à todos os concertos, mistura de clássicos de criança, de clássicos de Natal e de Hannukah (o concerto acontece na biblioteca judia), com ótima banda ao vivo, nada de efeitos especiais, bolhas soltadas pela própria Jenifer no meio do show, muita pulação, danças espontaneas e batidas de palma... tudo de certo e bom.

2. A partir do primeiro de dezembro nós lemos um livro de natal por noite, regado ao chocolate quente com marshmallow, à luz de velas. Esta é minha favorita.

3. Montamos árvore de natal colocando o enfeitinho de gesso com as mãozinhas do "primeiro natal" de cada um, e a cada ano é uma surpresa (bem melancólica) ao constatar quão grande estão as mãozinhas neste ano, em relação àquele primeiro natal...

Adoro natal. E vocês, que ainda eventualmente aparecem por este canto cheio de sapatos empoeirados...quais são as tradições de natal e fim de ano por aí?
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Toque de mágica

Quem tem criança não precisa de David Cooperfield. (Porque todas as outras pessoas precisam. Veja bem...a pessoa precisava de uma frase de abertura para o post).

Ele já vem lendo letrinhas e juntando sílabas aqui e lá há mais de um ano. Mas isso não é ler. Ler é trazer da estante o livro recém chegado do Brasil:
- Mamãe, lê esse pra mim, do "seu favorito" (eu tinha falado pra ele que o livro era do Chico Buarque, e isso ele sabe, o Chico é favorito - valeu Flávia pela sugestão). E no meio do livro, abrir um sorriso e gritar bem alto, com os olhinhos brilhando de quem viu um mundo novo se abrindo, diretamente da boca do lobo:
- E-U SO-U UM LOBO! - Mamãe!!!!!! Eu entendi!!! Ele disse: EU SOU UM LOBO!!!

Mágico.

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Arrumando "a marmita" do menino de escola para o dia seguinte. Ele brincando e de repente vem checar o lanche:
- O que você está fazendo hoje mamãe?
- O mesmo da janta Filhote, milho, aspargo, tofu...
- Não mamãe, em forma de que você está fazendo?- Diz ele se referindo aos (poucos) dias em que a mãe inspirada faz carinhas, cidades e outras formas com a comida.
- Humm... hoje não tem forma de nada filho...
- Ah mamãe, faz alguma coisa...
- Tá bom, vou fazer. - Bota uns aspargos pra lá, espiga de milho pra lá e... - tchã-nã!!!!
- O que é isso mamãe?
- Ah... olha bem Zack... use a sua imaginação (leia-se: ache e invente coisa porque eu não consegui fazer nada), você tem que adivinhar.
- Hummm... eu acho que é um bolo!
- Um bolo? Ah... muito bem, onde está o bolo? (Céus... juro que de bolo não tem nada)
- Aqui é uma camada do bolo, aqui as velas, aqui as balinhas do enfeite e aquele sprinkles e o outro pedaço do bolo!!!!!! - Diz ele todo pimpão.
- Muito bem filho! Você adivinhou! (Ufa!)
- Muito bem Zack, boa imaginação, hein? - Auto elogio de quem sabe que mereceu.

Imaginação de criança é tudo. Mágica.

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Cinco minutos depois de colocá-la na cama, escuto um grito e um choro incosolável:
- Eu tenho um dodóoooooooi, eu "piciso" de um remédico!! (PS - ADORO "remédico",tanto que não tenho coragem de corrigir! Eu sei, eu sei, má mãe, má mãe...)
Conhecendo a vocação de atriz da figura, dou um tempinho sabendo que normalmente, cinco minutos bastam para que ela ache sozinha a cura dos seus males. Ou ela cai no sono e o dodói miraculosamente desaparece. Cinco minutos passam e os berros só pioram. Melhor ir conferir o tal dodói. Chego no quarto e encontro uma menina desolada, descabelada, bochechão cheio de lágrimas:
- Aqui ma-mãe, eu tô muito dodói - diz ela entre soluços, mostrando o dedão.
- Ah Ninoca... to vendo (to vendo um dedo, intacto), tá bom filhinha, você precisa de um band-aid, né?
- U-hum... "piciso".
- Tá bom, mamãe vai buscar.
Vou buscar o band-aid, aproveito pra botar uma roupa na máquina, dobrar umas outras, ligo a máquina de lavar louça, guardo uns brinquedos jogados, aquela coisa básica que mulher faz quando vai de um cômodo ao outro. Pelo silêncio vindo do quarto, assumo que, ou somente a ideia do band-aid já curou o ferimento grave ou ela dormiu. Mas volto com o band-aid porque promessa é promessa. Ela ainda estava acordada, deitadinha, olhando pro dedão e o dodói imaginário.
- Pronto, tá aqui o band-aid, princesa, agora pode dormir, tá bom? - Diz a mãe, também conhecida como enfermeira e fada madrinha nas horas vagas.
- Tá bom mamãe...pode acender a luz pra ver o band-aid?(Boa tentativa de ficar acordada! Figura...)
- Não precisa, dá pra ver assim, ó.... viu? Agora boa noite, tá bom?
- Boa noite mamãe. - Diz ela satisfeita olhando para a atadura sagrada, vulgo band-aid.

E dois minutos depois, a bela já está adormecida. Mágica.


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Ninar

Não conhecia... tão lindinha! E a Nina aqui levantando a mão: Sou eu! Nina! - Agora o Chico e a Adriana são os melhores amigos.


Ninar

Adriana Calcanhotto

Viva
Nina
Venha
Ver
Pequenina
Vem
Viver
Vem menina
Ser
Você
Vem menina
Nana
Nene
Dorme
Nina
Nana
Nene

Escute aqui

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Mas que mal-educada

** Só uma notinha: gente, é mal-educado ou maleducado? (Flávia, socorro!) - Vou deixar com o hífen porque gosto mais e me parece certo, mas os exemplos da Nova Grameatica que eu achei nunca falam do "mal" - assim fica difícil falar bem ! :-)

Ouvindo "Mas que nada", do CD do Rio que está nas paradas de su-ces-soo-o-o aqui de casa.

CD:
- Mas que nada, sai da minha frente que eu quero passar...
Polidack:
- Mamãe... mas essa música não é... "polite"!
Mãe:
- Não é bem-educada por que , filho? (Já sabendo a resposta)
Censurack:
- Ela tinha que pedir "dá licença"
Mãe:
- É filho, música pode fazer essas coisas, ser meio mal-educada assim, só na música, tudo bem, só pra ficar bacana... (PS - ele adora a palavra"bacana")
Corretack:
- Mas olha, dava certo assim: Mas que nada, dá licença que eu quero passar... (canta ele usando a métrica perfeita)

Tsc, tsc, tsc, o que diria sua mãe, hein seu Jorge Ben?

Para quem quiser se deseducar

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Acontece

Cedo ou tarde, acontece na vida de toda mãe:

- Mamãe!!! - Diz a menina de 2 anos para a mãe que tenta trabalhar no computador. - Olha! O Zack cortou meu cabelo! - Feliz da vida com um chumaço de cabelo na mão.
A mãe olha esperando pelo pior...confere e bom...nada tão trágico, só uma franja muito torta (salva parcialmente pela parte que estava presa com tic-tac), nada que o pai não tenha feito (pior) no cabelo do próprio Zack, e isso, também escondido da mãe.

*****
- MamÃ-Ãe (já viu que quando eles sabem que aprontaram o "mamãe" sempre vem assim divididinho?) !! - Diz a menina de 2 anos para a mesma mãe que tenta trabalhar no computador (ao que você conclui que ou desiste de trabalhar em casa ou vai ter que arcar com as consequencias) - Eu fiz cocô!! - Retumbante e orgulhosa, bundinha gorda ao léu, fralda na mão.
- Fez cocô na privadinha Ninoca?? - Diz a mãe esperançosa.
- Não, no chão!

E você só pode agradecer pela invenção das toalhinhas umedecidas "Lysol".



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Poliglotismos

Poliglack e Polininoca, como muitos outros poliglotinhas espalhados por aí (confiram os ótimos posts do Iglu de Babel sobre o assunto), sabem sem problemas com quem devem falar em qual língua, apesar de não saberem qual língua chama o que muito bem (Confundack ficou super surpreso outro dia assitindo a peça "The lion king", achando que todo mundo vinha do Brasil, porque falavam Português, "igual a gente", quando na verdade a peça era em Inglês). Mas vez ou outra, especialmente nos primeiros minutos depois da escolinha, rola umas misturinhas finas, que na maioria das vezes, são auto corrigidas.

Hoje pegando Fofurina na escolinha, a professora me falou:
- She had a very good day!
E Traduzinina com a maior cara de "é verdade, minha cara mãe", clarifica:
- Uhum... eu "teve" um ... very... não (pensa um pouquinho)... um muito bom dia, mamãe... não...um dia muito bom! É ! - Diz ela satisfeita com as maravilhas da expressão oral.

Mais tarde, pegando Crescidack na escola (escola dos "GANDES", como diria Pequenina), onde desde semana passada ele está tendo oficialmente uma overdose da terceira língua, Francês. Escutando no carro o CD do "Rio", que é em si uma mistureba de Inglês e Português, eu pergunto:
- Filho, essa música é de que parte do filme mesmo? (Porque ele, diferente da mãe, tem uma memória fotográfica e musical invejável - eu gastei a minha decorando todas as músicas da Xuxa na minha infância... mas isso é outra história)
- Essa música é daquele... o... bird méchant, sabe?
- Ah! O passarinho mau, é mesmo!
- É mamãe, do passarinho mau, isso...

*****
Equanto isso, do lado de fora da cerca do pátio da escola, uma mãe ainda muito angustiada chora todo dia depois de deixar um menininho que dá tchau atéééé perder a mãe chorona de vista. E grita:
- Eu te amo mamãe!!!!
E ela aproveita enquanto ele ainda não tem vergonha de gritar. E curte sabendo que sempre terão um "código secreto", o Português.