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Resistência

A questão é:
Ou eu adquiri poderes mágicos de resitência ao frio ou deveria mesmo começar a me preocupar com o aquecimento global...
O pobre do irmão mais novo fez toda uma peregrinação pelo caminho de Santa Claus de Montreal em busca de uma trilha sonora natalina com neve caindo ao fundo, mas aparentemente, o calor também quis cumprir suas penitências e veio logo atrás...
Os termômetros registram estranhos 2 graus positivos e dizem que vai subir (beija, beija, tá calor, tá calor!) a neve já foi embora, o coitadinho (do irmão) se consola fazendo raspadinha com gelo do freezer.

Hoje foi o almoço de natal do meu laboratório de pesquisa. Minha amiga, orgulhosa, me lembrava que nesta época, no ano passado, eu estava praticamente histérica atrás de um casaco de frio ultra potente, impermeável, capaz de fazer qualquer mamute da era glacial parecer pelado. Este ano, compareci ao mesmo almoço com um "casaquinho" de lã. Não fosse meu claro fenótipo cambojano (sim, esta foi a última nacionalidade que me foi atribuída) eu passaria fácil por uma nativa.

Agora, os nativos de verdade estão preocupadíssimos mesmo é com a perspectiva de um Natal "não branco", o que não parece viável. Outro dia passei por um interrogatório sobre como pode ser um Natal sem neve e ainda com calor. Me pediram fotos...acho que vou ter que tirar com um jornal do dia 25, provando que é verdade. Como de nativos já me bastam o marido e o filho, ficarei contentíssima com um Natal bem verde e quente, já que quando eu voltar em Janeiro não vai haver resistência capaz de resistir ao longo e tenebroso inverno. Pensando bem...acho que não vou mandar consertar o motor do carro não... e viva o efeito estufa, os pinguins já passaram por tudo aquilo no filme ( A Marcha dos Piguins, quem já viu nunca vai querer ser um pinguin - ah sim, porque quem nunca viu, vive querendo, certeza), eles vão saber se virar...

( E antes que este blog seja vetado não só pelo Comitê de Defesa da Língua Portuguesa, mas também pelo Green Peace...isso é só brincadeirinha)
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Errata

Sobre o post "Fazem 5 meses..." de 19/11/2006

Caros leitores,

Venho por meio desta corrigir um erro fatídico no "post" supra mencionado.

Confesso que quando estava escrevendo o dito cujo a dúvida foi grande entre "Fazem 5 meses" e "Faz 5 meses". Por precaução, pensei em colocar "Há 5 meses..." no lugar, mas como o verbo haver neste caso parecia transmitir uma idéia de algo pontual como em: "há 10 anos eu cabulei a aula de gramática que ensinava essa regra", e não eventos ocupando um espaço contínuo no tempo transcorrido como em: "Faz 15 minutos que eu estou morrendo de ódio por ter cometido tal erro", acabei optando pelo "Fazem". Lembro-me até que no dia, consultando o "Pai dos pobres e desvalidos de Gramática", o Google, haviam exemplos de ambos...então acabei optando pelo acordo de número, ledo engano.

Me vem hoje o irmão que, colocando a leitura em dia, detectou o erro e veio implacável "tirar uma da minha cara", bem quando eu estava cantando os louros da minha qualificação do mestrado, e do convite feito pelo comitê de graduação para "pular" para o doutorado...pobre menina rica...se achando tão inteligente! Ao que tudo indica, quando falando de tempo, não se faz o acordo.

Bom, como eu não quero Camões se revirando na tumba, nem tão pouco as linhas deste pobre blog publicadas em algum livro de Gramática sob o título: "Nunca faça isso" , o post já está editado e fica aqui a errata, acompanhada de um conselho:
Não confie no Google, tenha sempre uma Gramática em mãos.
E também um pedido aos caros leitores:
Quando virem algo assim, não "vos avexeis", corrijam-me! Afinal de contas, já diria (se soubesse falar) Tentativack ao tentar rolar sem sucesso (em tempos remotos): "É errando que se aprende", ou "Só não erra aquele que não tenta" e todas estas frases feitas para aqueles que
sentindo-se um lixo após um erro, não se joguem da ponte...ainda existe esperança! (Dramática a menina...)

E falando em jogar-se da ponte, eu ia até escrever um post de verdade, mas como auto-flagelo, vou dormir!
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Olhos de Primeira Vez

Eu sempre gostei de estudar. Era do tipo CDF mesmo, rata de biblioteca (estava sempre na sala da coordenadora atrás das últimas aquisições) e ainda adorava os professores, com direito a cartinhas, poesias e recadinhos no final da redação, ideais e propostas pedagógicas me inspiravam. Aquele tipinho que irrita um ou outro aluno menos apaixonado, mas que motiva o professor a continuar trabalhando, mesmo quando o salário ó... , tenho até testemunhas desta época remota. Isso durou mais ou menos até o fim do ginásio, não que eu não mantivesse o sentimento escondido depois, mas no segundo grau já era mico demais...a sobrevivência social na adolescência demanda outras qualidade (falar mal dos professores é uma delas e você pode ser CDF, desde que passe "cola" para os amigos, fazer o que...).

Eu estudava em uma escola tida como "Escola Modelo" e parte do projeto pedagógico de cada série era ter um "lema do ano". Como apesar de todo o meu amor pelos estudos, minha memória não foi uma faculdade exatamente bem desenvolvida, o único dos tais lemas do qual eu ainda me lembro foi o da 4a série, sinal de que esse foi de fato marcante (minha memória é muito seletiva, a pobrezinha, sou do tipo que vai até a geladeira para pegar alguma coisa e ao abrí-la não tem mais a menor idéia do que foi fazer lá, me dei conta hoje de que fazem 4 dias que eu não tomo minha pílula...só lembrei porque o caixinha estava em cima de algo que eu ia pegar - se Princhuquinho tiver um irmão daqui uns 9 meses já se sabe o porquê - , e se não fosse uma amiga minha, minha infância se contaria em um parágrafo) - um parênteses meio exagerado este. Mas bem....do que eu estava falando mesmo? A sim, o lema era assim: "bom ou ruim esse ano pode ser, depende do jeito que a gente vê". Durante o ano inteiro falamos sobre como as coisas podem ser diferentes quando olhamos "com olhos de primeira vez", aquele ponto de vista do novo, da descoberta, que é capaz de transformar um rabisco em arte, uma garrafa em brinquedo, um floco de neve em razão pra ficar muito, muito feliz - explico...
Ano passado foi meu primeiro inverno "branco" (em São Paulo eles são bem mais cinzas). Lembro direitinho a primeira neve (do inverno e da minha vida) - estava eu saindo de uma aula (não lembro de que) aqui do mestrado, cercada de colegas (todas nativas canadenses) e começa a nevar...Me senti uma mineira - que nasceu em Minas Gerais, não que trabalha em uma mina - vendo o mar pela primeira vez aos 24 anos... fiquei maravilhada, abestalhada, contentíssima - e sozinha. Não me conformava com a indiferença de todos que, "nascidos e crescidos" com neve no inverno, perderam a capacidade de admirá-la. É compreenssível, já que depois de 4 meses de neve todo dia, você quer mesmo morrer um pouco, especialmente quando a neve branquinha vira lama marronzinha e nojenta e você cai, congela esperando um ônibus, entre outras cenas invernais. Mesmo assim, poucas coisas são tão bonitas quanto galhos congelados, parques branquinhos a perder de vista e pinheiros cobertos de neve de verdade! (E não aquela que a gente compra de pacote na 25 de Março). É como estar dentro de um filme de Natal (daqueles de sessão da tarde especial de Natal), a trilha sonora natalina (White Christmas, pra começar) fica tocando dentro da cabeça constantemente e você começa a achar que o Papai Noel, com aquela roupa toda, finalmente se deu bem (o bom velhinho, e todos os seus ajudantes que trabalham nos shoppings, deviam adotar um outro visual pro nosso Natal tropical, vamos combinar...).

Sexta-feira passada foi a primeira neve do Princhuquinho. Ele acordou todo feliz as 9h da manhã (esse horário por aqui é madrugada...) só pra ver os primeiros floquinhos caindo, e pegar um na mão, pra colocar na boca, é claro. Mais lindo do que o floquinho de neve (que aliás, tem forma de floco de neve mesmo, aquele que vem desenhado no ar condicionado - só pra compartilhar minha descoberta) só mesmo o olhar de primeira vez de um bebezinho. Não só para a neve, mas para tudo no mundo, cada olhar, é o primeiro. Parece óbvio, mas é realmente uma coisa única acompanhar cada descoberta do seu próprio filhote, e de quebra, redescobrir o mundo também. No começo era a fascinação com qualquer fonte luminosa, depois a primeira palhaçada que o fez sorrir, o primeiro encontro com um cachorro de verdade, a primeira chuva, a primeira folha de árvore na mão, o primeiro caldinho de uva (se bem que isso é paladar, não olhar, mas eu lembrei porque foi hoje, ele adorou...fica o registro) - Clichê como possa ser, cada "primeiro"dele me faz dar mais valor às pequenas coisas da vida (tendo 1,51m. de altura é até uma questão de auto- estima), e me remete ao lema de muitos anos atrás, parafraseado: "boa ou ruim essa vida pode ser, depende do jeito que a gente vê".
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Traduções

Prometi pra mim mesma que não ia escrever nenhum post até terminar o *%$#@*& (essa aprendi com minha amiga Márcia) da apresentação do meu protocolo de pesquisa. Mas como eu me peguei várias vezes em meio à apresentação pensando em forma de post, já formatado e dividido em parágrafos, não se trata de escrever, mas apenas transcrever, então tá autorizado.

Viver em outro país implica, obviamente, viver traduzindo as coisas. Aos poucos o processo se torna automático e você nem sabe mais quando está ouvindo uma língua ou outra, ou outra. Veja a filhinha de uma amiga venezuelana (que fala espanhol em casa, francês na igreja e inglês na creche, coisa comum por aqui), além de conversar com os brinquedos dela em todas as línguas, ela pensa que o nosso português é chinês, e mesmo assim ela entende, além é claro de constantemente corrigir meu portunhol.

Habitando o mundo dos bebês, o processo é semelhante. Você magicamente entende o que os choros querem dizer, e começa a ouvir coisas dentro de qualquer barulinho produzido pelo serzinho. Poliglack soltou a matraca e agora fala sem parar, prolixo que só ele. As divergências quanto à tradução é que são interessantes. O tio "Dadá" já estava certo de que ele seria o primeiro a ser chamado, mas a primeira fala mesmo foi "avvvvvvvvvvvv", e a avó, como não podia ser diferente, já saiu contado pra todos que o netinho já sabe falar "vovó querida do meu coração", ela tem certeza.

Agora, claro como a luz do dia, foi esse semana, quando ele começou a disparar "ma ma ma ma ma" pra todo lado...o pai ficou arrasado, chega deu dó, mas, vamos encarar os fatos - seja porque o estômago está vazio, seja porque foi "ma ma" mesmo que carregou o cidadão por 38 longas semanas (nada mais merecido do que ser a primeira a ser mencionada), ou seja só porque foneticamente essa é a sílaba mais fácil sem ter ainda qualquer conexão simbólica - ma ma, é mais importante, dura e fatídica verdade. Em vão foram todas as tentativas de ficar falando "pa, pa, pa" na frente dele um dia inteirinho, o coitadinho, "Ma ma" reina soberana.

E só para constar nos autos, para o alívio de Ma ma neurótica, Princhuquinho finalmente já sabe se virar na vida, ou pelo menos no edredon colocado no chão como sua área de exercício, ou melhor, de brincadeiras. O bichinho chega suou, mas conseguiu! "Alegria agora, agora...amanhã e depois e depois e depois de amanhã" quando ele não parar mais em lugar nenhum, já não tenho tanta certeza...
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Comentando os Comentários

Márcia: Você sabe que meu estômago tem uma certa resistência extra a doces, as vezes até eu me impressiono.

Flávia: Pois é, eu já tinha ido atrás destas informações também, queria só confirmar com a médica dele, má idéia pelo visto...
O suco de maracujá dizem que o melhor mesmo é dar sem nada, nem açúcar, nem Stévia, assim eles se acostumam com o gosto da fruta, não do doce...aliás, a gente deveria fazer isso também...pra mim não rola, mas pra ele vou tentar. Quanto aos cereais encaixotados, de fato eu acho estranho a primeira comida ser de caixa, por isso já tinha até me inscrito em um curso de "papinhas pra bebê" (dadas minhas habilidades culinárias limitadas), mas queria novamente ver com a médica qual era a opinião dela e ela foi categórica em dizer que os de caixinha são melhores porque são enriquecidos com ferro, e no meu caso, que sou vegetariana (porque apesar do abuso de doces, no resto eu tento ser saudável), ele pode ter carência de ferro se não tiver um suplemento. Apesar de achar a idéia super prática, ainda não estou convencida não, como vamos estar "em casa", vou atrás de alguém por lá, qual é o seu plano alimentício pro Pacotinho de Nutrição?

Deby: Valeu também pela visita. Oxi bichinha! Você tem que experimentar Nutela, ninguém no mundo pode morrer sem experimentar, não deixe para o próximo ano, está muito longe! Mas se você nao conseguir se controlar e comer o pote inteiro, aproveite que está na Bahia e tome só água de coco no dia seguinte. Vamos pra Ilhéus, você mora onde? Parte da família do marido está por lá, aliás, o marido foi criado lá. Ai que delícia...vou comer cocada com Maracujá do Tororomba até dizer chega...pensando bem, até entendo você nunca ter provado Nutela, quem tem cocada, tapioca e até picolé de Cajá não precisa de Nutela não, viste?
Desejo muitas bençãos pra você também!!

Marquito: Olha, eu sou super a favor dessa coisa de um horário no trabalho pra ler blogs. Se quiser eu mando uma carta de recomendação, ou então a gente pode organizar uma passeata na Av. Paulista, visto que a causa é nobre. Eu já institui o meu, é qualquer hora que Princhuquinho está dormindo. Ainda bem que minha orientadora não sabe Português, porque se por acaso ela fosse comparar minha produção "bloguística"com a da minha tese...eu tava na roça!
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Cúmulos

O cúmulo da vida não tropical:
Fui à pediatra essa semana para a visita de rotina do Pimpolho. Como seria a última visita antes de ir pro lado de baixo do Equador, fui tirar algumas dúvidas:
- Ele já vai ter 6 meses, vamos introduzir cereais, será que tem problema dar também uma água de coco (já que vamos pra Bahia), só para dar o gostinho?
- Como assim água de coco?
- Sabe... coco, aquela fruta...
- Sei, sei, mas como assim água? Não conheço....
- Deixa pra lá...

Vou trazer uma de caixinha pra médica...talvez na caixinha ela entenda. E nem perguntei sobre purê de goiaba vermelha ( se é que isso existe, tudo pela goiaba vermelha) suco de maracujá...

O cúmulo da precipitação:
A alegria de mostrar o mundo dos sabores pra Comilack é tanta que fomos ao Wal Mart (pra comprar enfeites de natal) e saimos de lá com um kit completo de alimentação pra bebê. Colherzinha, pratinhos cheios de frescura e cereais pra bebê, enriquecidos com ferro, basta adicionar leitinho materno (indicado pela tal médica, esse ela conhece), achei o máximo, mas fiquei pensando...como os bebês de 6 meses se alimentavam antes?

O cúmulo da gordura:
E falando em bons exemplos alimentares, Guleiko devorou uma iguaria light do livro de receitas "Como não deixar sua mulher emagrecer após o parto", de autoria do Papai Princhuco: Kinder Ovo recheado. - Com surpresa? Não, não, porque a surpresa não é comestível - A inovação é Kinder Ovo recheado com Nutela, e pedacinhos de chocolate Lindt, que é pra garantir que mesmo as "vitaminas e minerais" vão virar banha e celulite. Para Princhuquinho - o leite já vem achocolatado. Argh!

O cúmulo do peso na consciência:
Não consegui dormir antes de correr pelo menos 30 minutos e fazer 100 abdominais, enquanto assistia "Extreme Makeover" (à 1h30 da manhã). Deve ter dado pra queimar 1/23 das calorias consumidas, mas em compensação...já sei direitinho como funciona a lipo que vou fazer daqui mais um pouco.
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Diga-me como te chamam, que te direi quem és

Um comentário no blog da Flávia sobre uso de apelidos, me fez pensar nessa questão aqui em casa.

Dizem que depois que a gente vira mãe a gente só quer falar do filho. E pior é que é verdade. Em defesa das mães que sabem falar de outra coisa (e do marido que anda sentindo-se renegado), vamos virar o disco (nossa, essa expressão vai desaparecer? Já desapareceu?) e falar do marido.
Temos aqui em casa uma certa brincadeira, que acabou virando mania. Esses joguinhos de família que olhando de fora parecem idiotíssimos, mas olhando de dentro...bem, parecem idiotas também, mas a gente continua fazendo, e achando divertido. A nossa aqui é relacionada a nomes em geral. Tudo começou com a incapacidade do marido de chamar as pessoas pelo nome. Ele sempre tem que acrescentar algo ao nome original, geralmente um sufixo ligado a algo que a pessoa fez (nossa amiga Lidiane um dia fez algo estranho e virou Lidistrangers), ou mudá-lo completamente mesmo até um ponto que nem o próprio "apelidado" não é mais capaz de lembrar o seu nome original (caso do seus amigos Gamba e Fuca, cujos nomes eu desconheço, e mesmo sob tortura jurariam que é assim que foram registrados) .

Via de regra, um sufixo carinhoso ameniza um apelido potencialmente denegridor (se é que essa palavra existe...), exemplo clásssico, sua sogra (que não por acaso é minha mãe), virou "Sogrete", a coisa pegou e todo mundo a chama assim. Seria simples, mas aí vem o desdobramento do jogo. Se a "Sogrete" está "de frescura" (em bom Bainês), ela vira automaticamente "Frescurete", ou se não entende alguma coisa, naquele dia ela é "Burrete" (e mesmo assim ela defende o genro com unhas e dentes, contra tudo e todos, ou seja, contra mim, geralmente). O mesmo princípio foi aplicado a senhora para quem demos (com todo o sofrimento do mundo) nosso cachorrinho (Lhasa-apso, com pedigree e tudo, a coisa mais fofa desse mundo inteiro) antes de vir pro Canada. A dita cuja não queria deixar eu visitar o bichinho na minha primeira ida ao Brasil, nã deu outra, virou "Baranguete" (seu nome, Arlete, e aparência física contribuiram, quem mandou regular o cachorro).

Outra versão do mesmo jogo é manter o final do nome original e trocar o começo por um adjetivo. Meu irmão mais velho, "Idiotilson", sempre se embanana tentando entrar no jogo, o pobrezinho, acaba sempre soltando um "ImbeciliKeiko" quando o correto seria "Imbecileiko", não é a toa que este é o seu nome de guerra (mas não se enganem, a gente se ama). O mais novo por sua vez, no auge da sua adolescência e da completa "falta de noção" em situações variadas, virou "Noçailson", que mais tarde sofreu a influencia do anglicismo e virou apenas "Notion". Pessoas legais ou chatas (segundo o critério dele, o que não quer dizer que as mesmas não estejam entre nossos melhores amigos) podem ganhar um simples "le" ou "cha", caso do "Tile" e sua esposa " Nycha" - porque os opostos se atraem (e Nycha é minha melhor amiga de infância, o que me faz também Keile - e isso vai me render um comentário malcriado em sua defesa, certeza).

A única regra realmente importante do jogo, é que o apelido não pode ser de todo simpático, muito menos piegas, do tipo "Meu bem". Foi por isso que ele se acabou de rir quando viu outra amiga chamando o namorado (hoje noivo) de Príncipe. É claro que eu não perdi a oportunidade e comecei a chamá-lo de Principe também, nao só chamei como coloquei uma faixa enorme no escritório dele em um aniversario, com letras garrafais: "Principe: Feliz Aniversario!" , foi ótimo, o pessoal do escritório até hoje o chama de Príncipe. Por causa de chatices dele (que eu amo) ajuntei um "cha" ao Principe, que virou "Princha", e para amenizar, virou " Princhuco". Dentro do mesmo padrão provocatico, eu que era "Tia Teto" (chamado pela minha sobrinha que não conseguia falar o "K"), atualmente virei "Tia Tetôncias", não é difícil entender o porquê, dada minha proeminente comissão de frente, responsável pela alimentação de "Esfomiack"- mas isso não é motivo para escapar do codinome.

E foi assim que o mais novo membro da família não podia ficar de fora, filho de Princhuco, Princhuquinho é (já fiz referência ao Princhuquinho em outros posts sem nem explicar o porquê...não que alguém tenha notado, mas enfim...fica explicado), e é o bebê de 5 meses com mais apelidos que eu já conheci. Não seria ruim chamar um bebê de Princhuquinho, soa carinhoso, não conhecendo o histórico. Mas é claro que o pai não se contenta. O menino já tem nome que é apelido por si só (Zack), não sendo suficiente, o pobrezinho é frequentemente chamado de "Caga-cebo" quando bom...caga cebo (é assim que chamam o número 2 na Bahia, explica o pai-canadense-criado-na-Bahia, pensando que justifica-se), "Zé Bogola" quando fala coisas que ninguém entende (ou seja, o tempo todo - lembrando, o bichinho acabou de completar 5 meses), "Pisquileto", em momentos de ternura, "Tio Arnóbio", quando começou a ficar careca como um falecido tio, "Japoronguito", em referência aos genes que herdou de mim (ainda que atualmente eles sejam quase imperceptíveis, até pálpebra o moleque tem! - essa só quem é japonesa, e sempre quis passar sombra na pálpebra, sem sucesso, pode entender), "Zackolino" e muitos outros que são criados de acordo com situações variadas. Já não basta a confusão que o menino vai ter entre tantas línguas, ainda vai ficar confuso sobre qual é seu nome, porque até hoje, tenho certeza que ele ainda não sabe que quando alguém chama "Zack", a coisa é com ele.

Xii...rodei, rodei, rodei, e acabei falando de quem? É...parece que o mal é mesmo inevitável, "Mamãe Teto" aqui só sabe mesmo falar do seu "Pimpolhack".