Hoje fiz minha primeira tradução simultânea na igreja, do Português para o Inglês. Meio estranho...chega uma hora que você esquece que está traduzindo, começa a bocejar, falar umas coisas com você mesma, manja, tipo, notas mentais, comentários internos que você acaba falando e de repente só o pessoal que está com o fone de tradução está rindo enquanto todo o resto do povo está sério e ninguém (exceto você) entende o porquê. Ou isso ou você não é tão esquizofrênico como eu e não fica falando com você mesmo enquanto está rolando uma palestra.
Pois eu falo comigo mesma o tempo inteiro, e de uns tempos pra cá andei notando que as minhas auto-conversas geralmente são em inglês. Eu acho que a explicação mais lógica (e menos louca) é que a segunda língua te dá uma liberdade de expressão, uma possibilidade de sair de você mesma. Por exemplo, palavrões, que eu nunca falo em Português, as vezes saem em Inglês sem o menor pudor. Parece que se é em inglês não é palavrão, é só outra palavra.
Se eu sou louca de fato ou se isso acontece com todo mundo eu não sei. Mas já para aqueles que o Inglês é tão língua materna quanto o Português, os problemas são outros. Poilglack tem suas bilinguices com por exemplo conjugar verbos (Eu jumpei bem alto mamãe! Ou o contrário: Are you going to "conserter" that?). Sexta-feira depois que peguei ele na creche ele falou:
- Mamãe, eu te perdi!!!
(Do inglês: " I missed you! -- "missed" sendo o verbo perder, mas também "eu senti falta de você", nessa frase)
O que depois ele corrigiu sozinho:
- Não, eu senti muita saudade! (saudade= a já tão conhecida palavra sem tradução em língua nenhuma).
E aí, louca ou não só resta abraçar muito, até squeezar todos os bones.
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Ele quer ter cinco filhos, em um mundo que a maioria dos homens (e mulheres, vamos combinar) custa engolir a ideia de ter um só. Pra provar que realmente quer isso, ele se desdobra, ele deixou oportunidades de lado pra ficar em casa cuidando do primeiro enquanto a mãe fazia o mestrado, continuou fazendo malabarismos entre o trabalho via skype/rádio/teleconferência e a mais nova, para deixar a mãe tranquila fazendo o doutorado. Mas pensando bem, ele fez isso não para provar nada, mas sim porque entre muitas outras vocações, a de pai se destaca, ele nasceu pra isso, ele é o paizão que qualquer filho queria ter e não creiam, caros amigos, que isso é só pra perpetuar o clichê, este do qual vos falo, é um paizão pra valer (nem era pra parecer poesia, mas foi).
Ele tenta burlar as leis da mãe-general de quando em vez, mas não é por mal. É porque ele não se aguenta e tudo que ele mais quer na vida é ver os filhos rindo. Rindo não, porque isso é fácil, ele quer vê-los gargalhando, se acabando de felicidade e pra isso ele não mede esforços. Vale montar trilhos do Thomas na calada da noite só pra ver a cara do filhão quando acordar e ver aquele super-ultra-dooper trilho digno de trem-bala, vale montar quadra de baskete dentro de casa, vale comoprar todos os sapatos de florzinha que consegue achar, só pra ver a mãe também feliz, e a menina falando "papá?" (sapato?), vale comprar bonequinha que fala igual a filhota (nenê!!!), vale dar chocolate escondido, vale ir no McDonald's e pedir um pãozinho sem nada com batatinha e brinquedo, vale ficar no quarto escuro por horas fazendo-os dormir, cantando, ninano, só pra não deixá-los chorar. Vale tudo porque pra ele, eles são tudo.
Ele ensina coisas engraçadas e eles adoram. Eles são a melhor plateia, os fãs número 1 e 2 do melhor comediante do mundo. Todo mundo sabe que as caretas do filho são o espelho do pai, que a sociabilidade da filha, que acena e fala "hi" pra todos os estranhos na rua, é igualzinha a do pai, que acena, fala "hi", pega o telefone, dá carona e convida pra jantar os estranhos da rua. Mas ao mesmo tempo ele é bravo e sério quando precisa ser. Todo mundo aqui em casa sabe que a mamãe briga o tempo todo, mas se o papai briga, a coisa é seria mesmo. E eles respeitam, e eles obedecem por amor, não por medo, porque ele toma tempo pra explicar os porquês, para dar perspectiva, par amostrar que mesmo quando ele está bravo, ele se importa, ele ama, ele cuida.
Ele não é perfeito, vamos admitir. Ele não sabe combinar roupas e tem a capacidade única de colocar nas crianças a roupinha mais velhinha, manchada de cândida e faltando botão pra sair se a mãe, por distração, esquece de separar as roupas com atencedência. Ele ainda não sabe pra que lado pentear o cabelo do menino e não apoia a empreitada da mãe de forçar a menina a ficar com a presilha no cabelo contra sua bem expressa vontade. Ele não sabe cozinhar e não vê problema em colocar no liquidificador laranja com leite, kiwi, iogurte, pão e salada, tudo junto pra fazer uma vitamina bem nutritiva. Mas mesmo assim, vale o ponto pelo esforço, não?
Ele não tem medo de brincar. Ele leva a propaganda do Gelol a sério e elevou a máxima que "não basta ser pai, tem que participar". Participou nos partos, cortou os dois cordões umbilicais, acordava a noite pra pegar e trazer pra mamar, trocava a fralda e botava no berço de volta, ele estava lá. Ele desce pra andar de bicicleta com o meninó enquanto a pitica empurra seu carrinho de boneca, ele passou as últimas duas semanas em hotéis, sozinho com os dois enquanto a mãe ia para congressos e enquanto isso, foi sozinho com os dois pra piscina, foi sozinho com os dois pro parque, pro museu da criança, pro shopping, pro parquinho, pro restaurante... coisa que só quem tem um menino de quase 4 e sua bola inseparável e uma de 1 ano e 3 meses e sua personalidade inseparável, pode entender e saber que, não é fácil, não é óbvio, não é pra qualquer um, não é pra meio pai, é pra pra pai muito inteiro, é pra ele e ele só.
Ele ama tanto que me dá vontade de chorar. Não precisa dizer, basta saber que as primeiras palvras dela foram "papá", basta olhar o sorriso e o braço aberto que a menininha em gritos de excitação dá e sai correndo em direção à ele quando o vê, basta ver o olhar de admiração, a boca cheia do meninão quando fala que "meu papai é muito forte, ele é o melhor do mundo do baskete! ", basta ver como ele se preocupa, como ele se excede e além de andar a primeira milha que muito pai por aí nem conhece, como trocar fralda, dar comida, dar banho, ele anda a segunda e brinca, e investe tempo, e se abnega, e se empenha, e ainda anda a terceira e quer melhorar, e melhora a cada dia.
Ele é o paizão dos meus filhos, ele é uma benção no nosso lar. Ele é tudo isso mesmo, nem é exagero, e tenho certeza que os sortudos que o tem como pai assinariam embaixo se soubessem assinar. Vejo Zackolino crescendo, os dois saindo pra jogar futebol e baskete juntos, conversando sobre a namoradinha da escola enquanto passam pra pegar Ninoca na casa da amiga. Vejo os três passando escondido no Mcdonald's, mas não resistindo e comprando uma tortinha de maçã pra trazer pra mim e isso me põe um sorriso no cantinho da boca, uma lágrima no cantinho do olho, uma certeza no meu coração de que meus filhos ganharam o melhor pai.
Dizem que uma mãe nasce quando nasce um filho e eu concordo. Acho que o pai nasce um pouco depois. Meninos não são treinados pra serem pais, todo mundo sabe. Meninos não tem bonecas onde praticam trocar fraldas e dar mamadeiras e ursinhos pra botar curativos e panelinhas pra preparar comidas para as bonecas que esperam na cadeirinha. Meninos que viram bons pais aprendem na raça, aprendem no dia-a-dia, no susto, no amor que tem que ser buscado lá no fundo quando é duas da manhã e você finalmente deita só pra levantar cinco minutos depois pra buscar o nenê que chora. Os meninos que alcançam o sucesso merecem menção honrosa como ele, o pai dos meus filhos, o cara, o Papito preferido do pedaço.
Feliz dia dos pais papito!!
Saiba que eu dou valor, e muito (ele sempre fala que eu não dou, e quase sempre ele tem razão).
E feliz dia dos pais para os outros papitos por aí (pelo menos os da américa do norte, para quem vive do lado de baixo do Equador, guarde pra Agosto :-)
Empregos
terça-feira, julho 20, 2010 Diariamente, Do botequim
Começou esta semana o festival "Juste pour rire" = Só pra rir, aqui em Montreal. Entre os muitos festivais que acontecem no verão por aqui este é o meu favorito. Basicamente, o festival consiste em um bando de atrações variadas acontecendo na rua, sem um tema específico, mas pura e somente, para fazer rir. Além dos shows pagos em teatros de stand up comedy e outros, as atrações na rua são tão variadas quanto bandas, bonecos gigantes, gente andando em perna de pau sendo guiada por algo que lembra um mix de Star Wars com guerreiros chineses, homem-bala, um lugar soltando espuma, outro soltando água, garçons em restaurantes servindo cobras de borracha e cantando para o público, enfim... a ideia é essa... quem no mundo consegue não rir vendo outro ser humano pagando um mico.
Domingo fomos lá conferir, e além de nos divertirmos a beça, depois de bater um papo sério sobre "carreira e futuro" com meu irmão mais novo, fiquei refletindo sobre as escolhas de carreira que a gente faz na vida. E não, não se preocupem, isso não vai ser um ensaio profundo e filosófica sobre o assunto. O que eu queria mesmo era dizer que, apesar da convicção da minha mãe de que tanto estudo não dá futuro, existe momentos em que eu penso... ok, passar os dias de verão em um escritório sem janela fazendo esta coisa altamente abstrata que chamam de "pesquisa" pode até ser chato (e tão pouco eu posso chamar isso de emprego, mas enfim...), mas eu definitivamente não queria este emprego (sobretudo em um calor de 30 graus):
- Pensa que meu Charles e minha Rose fizeram mais sucesso do que qualquer outra atração do festival, obviamente.
Domingo fomos lá conferir, e além de nos divertirmos a beça, depois de bater um papo sério sobre "carreira e futuro" com meu irmão mais novo, fiquei refletindo sobre as escolhas de carreira que a gente faz na vida. E não, não se preocupem, isso não vai ser um ensaio profundo e filosófica sobre o assunto. O que eu queria mesmo era dizer que, apesar da convicção da minha mãe de que tanto estudo não dá futuro, existe momentos em que eu penso... ok, passar os dias de verão em um escritório sem janela fazendo esta coisa altamente abstrata que chamam de "pesquisa" pode até ser chato (e tão pouco eu posso chamar isso de emprego, mas enfim...), mas eu definitivamente não queria este emprego (sobretudo em um calor de 30 graus):
- A cara do Zack é tipo: "Mamãe falou pra não conversar com estranhos, mas será que eu faço o que quando encontrar uma língua?"
Ou este (mesmo sendo mais refrescante):
- E obviamente a gente pagou $2 pra tentar derrubar o palhaço, sem sucesso.
Já este eu pegaria fácil, aliás, já estou considerando a mudança de carreira djá (embora talvez, e só talvez, me falte uma coisinha ou outra das habilidades requeridas):

Bom mesmo é este emprego (e esse pelo menos eu já garanti):
- Iogurte gelado do Yeh, nosso lugar favorito deste verão - Porque iogurte tem metade das calorias, já diria minha amiga Márcia. Em relação à que é que não se sabe, mas isso não importa.
- Pensa que meu Charles e minha Rose fizeram mais sucesso do que qualquer outra atração do festival, obviamente.
Cada um com seus pobrema...
segunda-feira, julho 19, 2010 Zacktales
- Filho, tá fazendo a dança do xixi, vai fazer seu xixi, vai...
- Não quelo. Eu não quelo fazer xixi mamãe (enquanto segura o fazedor de xixi e dança o mundialmente conhecido frevo do xixi)
- Filho, é só ir rapidinho ao banheiro, depois você continua brincando...
- Mamãe, você cuida da sua vida que eu cuido da minha.
Pronto, assim, tabefe.
Se eu falar que o menino é super dócil e obediente ninguém acredita. Mas só sei que foi assim. Eu tenho que ficar de olho nos livros que esse menino anda lendo, porque eu tenho certeza que o Caillou nunca falou assim com a mãe dele e obviamente da minha boca nada perto disso jamais foi pronunciado (cof. cof. cof).
Após uma conversa homem a homem com o Papito o impasse foi resolvido e ele veio, humilde e sinceramente pedir perdão e falar que quer sim que eu cuide da vida dele. Mas no fundo eu sei que é só porque nem ele, nem o Papito querem viver de pão e água. E talvez porque ficou claro que ele teria que contar suas próprias histórias antes de dormir.
Conselhos de mãe
segunda-feira, julho 12, 2010 C'est la vie..., Papo de mãe
- Está ruim da alergia filha? De novo? É porque você não está dormindo direito...
- É mãe, normal, ontem fui dormir as 3 fazendo coisas do doutorado...
- Ai filha, quando você vai acabar esse negócio?
- Ah, sei lá mãe... quando terminar... demora ainda...
- Ah não minha filha, você tem que parar com essa coisa de ficar estudando, chega disso, credo! Esse negócio de ficar estudando demais não leva a nada não!
Lembrando que a mãe em questão é professora aposentada, mas não espalha.
A mensagem importante que me ocorre hoje a 1:23 da manhã enquanto tento terminar um outro artigo é que "mãe sempre tem razão". Pena que a gente só escuta essas verdades quando já é tarde demais e calculando, eu estou estudando há 23 anos!! VINTE E TRES!!! - É o que me rende o título de "professional student", dado carinhosamente pelo meu irmão.
E deixa eu ir lá fazer um pouco mais de trabalho que não leva a nada...
- É mãe, normal, ontem fui dormir as 3 fazendo coisas do doutorado...
- Ai filha, quando você vai acabar esse negócio?
- Ah, sei lá mãe... quando terminar... demora ainda...
- Ah não minha filha, você tem que parar com essa coisa de ficar estudando, chega disso, credo! Esse negócio de ficar estudando demais não leva a nada não!
Lembrando que a mãe em questão é professora aposentada, mas não espalha.
A mensagem importante que me ocorre hoje a 1:23 da manhã enquanto tento terminar um outro artigo é que "mãe sempre tem razão". Pena que a gente só escuta essas verdades quando já é tarde demais e calculando, eu estou estudando há 23 anos!! VINTE E TRES!!! - É o que me rende o título de "professional student", dado carinhosamente pelo meu irmão.
E deixa eu ir lá fazer um pouco mais de trabalho que não leva a nada...
Novíssimo Dicionário de Ninolês
terça-feira, julho 06, 2010 Histórias de menininha, Zacktales
" Palavra: Do latim parabola, que por sua vez deriva do grego parabolé. Pode ser definida como sendo um conjunto de letras ou sons de uma língua, juntamente com a ideia associada a este conjunto. A função da palavra é representar partes do pensamento humano, e por isto ela constitui uma unidade da linguagem humana." (Wikipedia)
E é assim que surge o Ninolês, com várias unidades de linguagem deste pequeno ser arredondado. Ininteligível para a maioria dos outros seres humanos de estatura superior, a língua é perfeitamente entendida na longínqua terra de aquém-porta-de-casa.
Mamãe = Derivada do latinês "mamã". Aquela da qual se sai de dentro e de quem portanto não se desgruda para nada e por nada neste mundo, até os 21 anos, no mínimo. Advérbio de intensidade. Primeira palavra conhecida do Ninolês, diz a lenda que pronunciada aos 6 meses.
Mamá = Fonte de alimentação. Sin.=Consolo. (Uso: Se é meia-noite e você está na rua, na gandaia, morrendo de sono mas não quer perder a festa, peça com ênfase e repetidas vezes: Mamá? Mamá? - Sempre apontado para o objeto de desejo ou enfiando a mão mesmo, caso não seja atendida).
Papai= Aquele do qual, teoricamente, também se saiu de dentro, mas com menos dor e sem necessidade de pontos. Advérbio de intensidade. Aquele que não resiste as suas manhas. Sin= Resgate (Uso: Toda vez que alguém te coloca no berço você deve chamar: Papaaaaaa, Papai, Papi, Papaiiiiii! Até que o próprio não aguente e vá te buscar). Verbete que deve ser utilizado sempre com ênfase, igualzinho se ouve vindo do próprio (Ele grita: Mamitaaaaaa, e ela responde: Papaaaaaiiiiii! - Coisa linda).
Papúuuuu (acompanha sinal) = Formal: Por favor. Coloquial = Comida, brinquedo, chave, qualquer objeto que se queira. Advérbio de tempo (sendo o tempo: AGORA) = me dá isso que você está comendo agora!!! Pouco importa se é cebola crua, sapato ou Coca-Cola, eu quero, mas peço com educação. Mas não por muito tempo.
E é assim que surge o Ninolês, com várias unidades de linguagem deste pequeno ser arredondado. Ininteligível para a maioria dos outros seres humanos de estatura superior, a língua é perfeitamente entendida na longínqua terra de aquém-porta-de-casa.
Abí= Os linguistas debatem se a palavra se originou no nome melhor amiga da escolinha, Abigail, e depois se extendeu sem nenhuma razão clara ou científica para substituir verbos diversos tais quais: abrir, pegar, ajudar levantar ou se o fenômeno foi inverso. O que sabe-se é que desde que alguém entendeu e demonstrou uma reação, "Abí" é o verbo mais Bom-bril do momento, sempre conjugado no imperativo, obviamente.
Ábua= Líquidos, qualquer coisa em um copo, piscina, chuveiro, chuva. Me dá - não importa o que você está tomando, eu quero!
Baãa = Banana. A primeira coisa que se pede ao acordar, antes do sol nascer.
Bye, byeee (acompanha gesto)= Orig. do Inglês. Tchau. Pode ir embora agora. Eu tenho que ir embora agora. Eu preciso guardar esse brinquedo, que pena! Chega de escovar os dentes, agora eu vou dormir (Uso: Bye, bye - pra escova de dente).
Babuuu (acompanha sinal) = Acabou. Advérbio de negação quando relativo à comida, acompanha crise de choro, birra e pânico generalizado seguido de conformismo por falta de opção.
Babuuu (acompanha sinal) = Acabou. Advérbio de negação quando relativo à comida, acompanha crise de choro, birra e pânico generalizado seguido de conformismo por falta de opção.
Datinnn = Gatinho. Objeto curioso e animado que fica na janela da vizinha e com para o qual deve-se gritar quando o vê. Objeto inanimado na casa da tia Bibi.
Dendin (acompanha movimento de pescoço inclinado pro ladinho) = Denguinho. Graça ensinada pela mãe há alguns meses, e que ela repete quando quer fazer um charme, ou digamos, um denguinho. Subterfúgio utilizado para quebrar os corações mais irritados, geralmente usado no cadeirão, após ter derrubado cada gão de arroz cuidadosamente no chão.
Hi = Oi. Intejeição de saudação normalmente dirigida à qualquer transeunte na rua, aos professores na escolinha e ao computador toda vez que a mão senta (e o locutor já acha que vai aparecer alguém no skype). Acompanha movimento de aceno real, à la Rainha Elizabeth.
Mamãe = Derivada do latinês "mamã". Aquela da qual se sai de dentro e de quem portanto não se desgruda para nada e por nada neste mundo, até os 21 anos, no mínimo. Advérbio de intensidade. Primeira palavra conhecida do Ninolês, diz a lenda que pronunciada aos 6 meses.
Mamá = Fonte de alimentação. Sin.=Consolo. (Uso: Se é meia-noite e você está na rua, na gandaia, morrendo de sono mas não quer perder a festa, peça com ênfase e repetidas vezes: Mamá? Mamá? - Sempre apontado para o objeto de desejo ou enfiando a mão mesmo, caso não seja atendida).
Papai= Aquele do qual, teoricamente, também se saiu de dentro, mas com menos dor e sem necessidade de pontos. Advérbio de intensidade. Aquele que não resiste as suas manhas. Sin= Resgate (Uso: Toda vez que alguém te coloca no berço você deve chamar: Papaaaaaa, Papai, Papi, Papaiiiiii! Até que o próprio não aguente e vá te buscar). Verbete que deve ser utilizado sempre com ênfase, igualzinho se ouve vindo do próprio (Ele grita: Mamitaaaaaa, e ela responde: Papaaaaaiiiiii! - Coisa linda).
Papúuuuu (acompanha sinal) = Formal: Por favor. Coloquial = Comida, brinquedo, chave, qualquer objeto que se queira. Advérbio de tempo (sendo o tempo: AGORA) = me dá isso que você está comendo agora!!! Pouco importa se é cebola crua, sapato ou Coca-Cola, eu quero, mas peço com educação. Mas não por muito tempo.
Papáa = Sapato. Coisa sem a qual não se pode sair na rua, mas que deve ser tirada assim que se chegar nela. Objeto surrupiado do guarda-roupa da mãe (será que mania de sapato é genético?) e econdido nos cantos mais remotos da casa, como o cesto de lixo ou embaixo da almofada do sofá.
Pé = Só isso mesmo, pé.
Pp-p-tchu= Escova de dente. Substantivo que deve ser dito com segurança e com evidência do esforço que se faz para repetí-lo precisamente. Se sua mãe disser: "Es-co-va" repita com firmeza: "Pp-p-tchu", seguido de um sorriso confiante de quem sabe o que diz.
Tau= Tchau. Interjeição definitiva usada quando realmente se está decidida a ir embora ou ficar. Uso: Quando sua mãe ameaçar ir embora e te deixar pra trás caso você não queira ir junto, dizendo: " Tchau Nina, mamãe vai embora" (não que alguma mãe realmente decente no mundo faça isso, veja bem) você deve usar esta interjeição, sempre se assegurando de virar as costas e ir embora pro outro lado, de verdade, e nunca mais olhar pra trás.
Vovó= Ser que mora dentro do computador ou do telefone. Se o telefone toca ou alguém senta em frente ao computadr você deve sair de onde estiver, parar tudo o que estiver fazendo e vir correndo conversar com a vovó, vovó, vovó!!!!
Zazá= O irmãozão. Pessoa preferida na vida, a qual se acorda chamando (na ordem ela chama: papai - me tira do berço, mamãe - me dá mamá, baã - preciso de uma banana, zazá-agora vamos ao que interessa, deixa eu dar oi pro meu irmãozão querido). O substantivo geralmente é seguido por um sorriso e um abraço apertado de irmãozinhos que me mata cada vez que eu vejo.
Enquanto isso, no mundo dos que falam até demais:
- Mamãe, vamos apostar corrida?
- Ah filho, tô cansada.
- Ah, tudo bem, é porque você é menina, você não é boa em esportes.
- O que é filho???
- Porque meninos são bons em esportes, e meninas são inteligentes.
E acredite, eu jamais disse isso (em voz alta pelo menos ;-p). Quem disse foi a amiga, de 6 anos. E não houve argumento meu, por mais inteligente que eu, uma menina, seja, que o convença do contrário. Porque eu posso até ser inteligente, mas é a amiga de 6 anos que realmente sabe das coisas.
A vida imita a bolsa
quinta-feira, junho 24, 2010 C'est la vie..., Diariamente
Já aconteceu de você decidir trocar de bolsa, e depois de tirar todos os items necessários (leia: cateira, necessaire, celular, chave, laptop e seu cabo, pendrive, fone de ouvido, estojo) a bolsa anterior ainda parecer muito pesada e você então decidir dar só uma olhadinha no que tem lá dentro e achar dentro dela:
- Uns $20 em moedas espalhadas pelos mais diversos compartimentos,
- Aquele pendrive que você já tinha dado por perdido há muito tempo,
- O batom que veio na necessaire da promoção e que você tinha culpado as crianças por sumir com ele,
- 2 kiwis,
- 1 piranha de cabelo (ufa, hein? Se fosse piranha de rio a coisa ia estar realmente feia) com 3 dentes quebrados,
- Remédio pra alergia dentro e fora da cartela,
- 1 conta de cartão crédito (atrasada, obviamente),
- Elásticos de cabelo,
- Pacote de lencinho de papel todo amassado e cheio de sujeira (sujeira da bolsa, pelo menos não do nariz),
- Pedaços de biscoito das crianças nos mais diversos estágios de decomposição,
- Cartão daquela professora de música que você queria ter chamado pra tocar no aniversário da filha (que foi há 2 meses),
- Creme pra área dos olhos,
- Tubo de creme semi-vazio roubado de algum hotel,
- Tampas de canetas diversas,
- Canetas diversas que não pertencem às tampas
- Saquinho Zip com creme de mão, gloss e rímel que você tinha tirado da necessaire pra passar na segurança do aeroporto há um mês (e que não achando-os dentro da necessaire mais tarde, substituiu por outros)
- Clipes e outras miudezas (adoro essa palavra! Que alegria poder usar! haha)
- Tampa do tira-manchas-portátil que você tinha procurado pela casa inteira
Sério gente, eu estou, pasma, literalmente descrevendo os items que agora estão na minha mesa, saídos desta bolsa que eu ia botar no armário, vazia, assim pensava eu. As vezes eu fico com medo de mim...
...nunca aconteceu com você? Alguém?? Por favor, não me deixem sozinha aqui, varrida embaixo do tapete.
Espero que isso explique um pouco o porquê da minha ausência e do atraso já nem contestado do post de 4 anos do Zackolino.
Por isso hoje fomos à praia, ouvi dizer que era terapêutico, ainda que seja praia de rio.
***************
PS - Meninas e meninos, um monte de gente tem me perguntado da Flávia, do Crônicas do Ilgu, que sumiu há 4 meses e nunca mais voltou... então, gostaria muito de ter notícias pra dar, mas não tenho!! Como vocês tem percebido ultimamente eu custo ter notícias de mim mesma... Se alguém souber do paradeiro da moça me avisa, tá?
Ele **
sábado, junho 05, 2010 Pra quem merece** Este post tinha sido escrito, e postado há duas semanas, quando eu, notavelmente desmiolada, achei que o dia dos pais aqui no Canadá era no primeiro domingo de Junho. Tirei o post do ar as pressas quando descobri que na verdade, era no terceiro, ou seja, hoje. Para toda a minha multidão de 4 seguidores, perdoem a loucura, e aceitem a singela explicação. Hoje também é o aniversário de 4 anos do Zackolino, que será devidamente postado amanhã, devido ao conflito de datas. Sem mais delongas, o post pro Papito.
Ele tenta burlar as leis da mãe-general de quando em vez, mas não é por mal. É porque ele não se aguenta e tudo que ele mais quer na vida é ver os filhos rindo. Rindo não, porque isso é fácil, ele quer vê-los gargalhando, se acabando de felicidade e pra isso ele não mede esforços. Vale montar trilhos do Thomas na calada da noite só pra ver a cara do filhão quando acordar e ver aquele super-ultra-dooper trilho digno de trem-bala, vale montar quadra de baskete dentro de casa, vale comoprar todos os sapatos de florzinha que consegue achar, só pra ver a mãe também feliz, e a menina falando "papá?" (sapato?), vale comprar bonequinha que fala igual a filhota (nenê!!!), vale dar chocolate escondido, vale ir no McDonald's e pedir um pãozinho sem nada com batatinha e brinquedo, vale ficar no quarto escuro por horas fazendo-os dormir, cantando, ninano, só pra não deixá-los chorar. Vale tudo porque pra ele, eles são tudo.
Ele ensina coisas engraçadas e eles adoram. Eles são a melhor plateia, os fãs número 1 e 2 do melhor comediante do mundo. Todo mundo sabe que as caretas do filho são o espelho do pai, que a sociabilidade da filha, que acena e fala "hi" pra todos os estranhos na rua, é igualzinha a do pai, que acena, fala "hi", pega o telefone, dá carona e convida pra jantar os estranhos da rua. Mas ao mesmo tempo ele é bravo e sério quando precisa ser. Todo mundo aqui em casa sabe que a mamãe briga o tempo todo, mas se o papai briga, a coisa é seria mesmo. E eles respeitam, e eles obedecem por amor, não por medo, porque ele toma tempo pra explicar os porquês, para dar perspectiva, par amostrar que mesmo quando ele está bravo, ele se importa, ele ama, ele cuida.
Ele não é perfeito, vamos admitir. Ele não sabe combinar roupas e tem a capacidade única de colocar nas crianças a roupinha mais velhinha, manchada de cândida e faltando botão pra sair se a mãe, por distração, esquece de separar as roupas com atencedência. Ele ainda não sabe pra que lado pentear o cabelo do menino e não apoia a empreitada da mãe de forçar a menina a ficar com a presilha no cabelo contra sua bem expressa vontade. Ele não sabe cozinhar e não vê problema em colocar no liquidificador laranja com leite, kiwi, iogurte, pão e salada, tudo junto pra fazer uma vitamina bem nutritiva. Mas mesmo assim, vale o ponto pelo esforço, não?
Ele não tem medo de brincar. Ele leva a propaganda do Gelol a sério e elevou a máxima que "não basta ser pai, tem que participar". Participou nos partos, cortou os dois cordões umbilicais, acordava a noite pra pegar e trazer pra mamar, trocava a fralda e botava no berço de volta, ele estava lá. Ele desce pra andar de bicicleta com o meninó enquanto a pitica empurra seu carrinho de boneca, ele passou as últimas duas semanas em hotéis, sozinho com os dois enquanto a mãe ia para congressos e enquanto isso, foi sozinho com os dois pra piscina, foi sozinho com os dois pro parque, pro museu da criança, pro shopping, pro parquinho, pro restaurante... coisa que só quem tem um menino de quase 4 e sua bola inseparável e uma de 1 ano e 3 meses e sua personalidade inseparável, pode entender e saber que, não é fácil, não é óbvio, não é pra qualquer um, não é pra meio pai, é pra pra pai muito inteiro, é pra ele e ele só.
Ele ama tanto que me dá vontade de chorar. Não precisa dizer, basta saber que as primeiras palvras dela foram "papá", basta olhar o sorriso e o braço aberto que a menininha em gritos de excitação dá e sai correndo em direção à ele quando o vê, basta ver o olhar de admiração, a boca cheia do meninão quando fala que "meu papai é muito forte, ele é o melhor do mundo do baskete! ", basta ver como ele se preocupa, como ele se excede e além de andar a primeira milha que muito pai por aí nem conhece, como trocar fralda, dar comida, dar banho, ele anda a segunda e brinca, e investe tempo, e se abnega, e se empenha, e ainda anda a terceira e quer melhorar, e melhora a cada dia.
Ele é o paizão dos meus filhos, ele é uma benção no nosso lar. Ele é tudo isso mesmo, nem é exagero, e tenho certeza que os sortudos que o tem como pai assinariam embaixo se soubessem assinar. Vejo Zackolino crescendo, os dois saindo pra jogar futebol e baskete juntos, conversando sobre a namoradinha da escola enquanto passam pra pegar Ninoca na casa da amiga. Vejo os três passando escondido no Mcdonald's, mas não resistindo e comprando uma tortinha de maçã pra trazer pra mim e isso me põe um sorriso no cantinho da boca, uma lágrima no cantinho do olho, uma certeza no meu coração de que meus filhos ganharam o melhor pai.
Dizem que uma mãe nasce quando nasce um filho e eu concordo. Acho que o pai nasce um pouco depois. Meninos não são treinados pra serem pais, todo mundo sabe. Meninos não tem bonecas onde praticam trocar fraldas e dar mamadeiras e ursinhos pra botar curativos e panelinhas pra preparar comidas para as bonecas que esperam na cadeirinha. Meninos que viram bons pais aprendem na raça, aprendem no dia-a-dia, no susto, no amor que tem que ser buscado lá no fundo quando é duas da manhã e você finalmente deita só pra levantar cinco minutos depois pra buscar o nenê que chora. Os meninos que alcançam o sucesso merecem menção honrosa como ele, o pai dos meus filhos, o cara, o Papito preferido do pedaço.
Feliz dia dos pais papito!!
Saiba que eu dou valor, e muito (ele sempre fala que eu não dou, e quase sempre ele tem razão).
E feliz dia dos pais para os outros papitos por aí (pelo menos os da américa do norte, para quem vive do lado de baixo do Equador, guarde pra Agosto :-)
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