7

De volta - ou quase...

Então voltamos mas só por uns dias e só metade da família, o resto foi ficando pelo caminho. Marido no Brasil, Abandonack com a vovó na terra do tio Sam. Chegam ao destino final a mãe, que definitivamente confirma que ir ao Brasil engorda e cansa, mas faz um bem pro coração que a sociedade de cardiologia não pode explicar, e Escandalosina, que provou para o mundo (ou ao menos para os as pobres almas, os passageiros do nosso voo) que dormir é para os fracos. O que se faz mesmo durante a noite - TODA - é chorar, gritar, espernear e obviamente, não deixar ninguém mais dormir, no céu, na terra ou mar.

Digo que o tempo nos falta, vamos pra Vancouver amanhã. E que eu, que achava que um dos
"pluses" da vida acadêmica era viajar e coisa e tal, agora ando mais achando que bom mesmo ficar em casa, até porque ninguém merece roupa na mala por mais de um mês... cansei.

Mas todos estes problemas estariam resolvidos se eu tivesse ganhado na mega-sena acumulada de 85 milhões. Fretavva um jatinho só pra Nina enquanto eu ia de primeira classe e largava essa baboseira de doutorado porque cá pra nós... quem precisa disso?

Dicas, conselhos sobre o que não fazer em uma viagem com uma menina de 1 ano e meio e pouca tranquilidade, fotos dos eventos marcantes e todas essas coisas virão em breve, eu espero.




6

Vou ali, volto já

Vou comprar maracujá!!!
E vou mesmo!!!! Ai que alegria...jabuticabas, pães de batata e lojas de sapato - preparem-se, eu estou chegando!!!

Cunhadinha casando, e nós desembarcando na Terrinha, salve, salve!!

Volto daqui umas semanas porque todo mundo sabe que com tanta gente querida pra ver, e comidas pra comer, não sobra tempo pra internet!


5

É dada a largada

Este blog está comunicando notícia como se fosse na época que notícia ruim chegava a cavalo. A notícia aqui, mesmo sendo boa, está chegando a trote te mula, mas antes tarde do que mais tarde ainda. O primeiro parágrfo eu escrevi semana passada, e ficou no rascunho até ter tempo de terminar, e botar fotos, e tal...
******

Foi ontem. Era quase noite. Ele adorava a outra de madeira e sem pedal, toda lindona. E tiveram um verão lindo juntos, cheio de aventuras e riscos inimagináveis, a mil por hora igual os Flinstons. Mas era a hora de deixá-la para trás, o momento tinha chegado.

Entre choros nervosos e medo do desconhecido ele foi..."olha pra frente", dizia o pai, "continua!" e lá foi ele! Todos esperavam a clássica sequencia de anda - cai - chora - sacode a poeira e levanta, mas nada disso. Nem um tombo, nem um arranhão, por enquanto.

4 anos e quase 2 meses, e o menino aprendeu a andar de bicicleta sem rodinha, sem mão, sem ninguém, e o mundo ficou menor.

Ah sim, e aqueles dois logo atrás, chorando e se abraçando como se estivessem vendo o menino ganhar o Nobel da Paz, são eles sim, os pais abestalhados...e quem mais.

A ex...bonitona, mas virou história


E a atual, com pedal.

O menino que vai longe...



E a trilha sonora enquanto dávamos a volta no parque hoje:
6

Tradução livre

Hoje fiz minha primeira tradução simultânea na igreja, do Português para o Inglês. Meio estranho...chega uma hora que você esquece que está traduzindo, começa a bocejar, falar umas coisas com você mesma, manja, tipo, notas mentais, comentários internos que você acaba falando e de repente só o pessoal que está com o fone de tradução está rindo enquanto todo o resto do povo está sério e ninguém (exceto você) entende o porquê. Ou isso ou você não é tão esquizofrênico como eu e não fica falando com você mesmo enquanto está rolando uma palestra.

Pois eu falo comigo mesma o tempo inteiro, e de uns tempos pra cá andei notando que as minhas auto-conversas geralmente são em inglês. Eu acho que a explicação mais lógica (e menos louca) é que a segunda língua te dá uma liberdade de expressão, uma possibilidade de sair de você mesma. Por exemplo, palavrões, que eu nunca falo em Português, as vezes saem em Inglês sem o menor pudor. Parece que se é em inglês não é palavrão, é só outra palavra.

Se eu sou louca de fato ou se isso acontece com todo mundo eu não sei. Mas já para aqueles que o Inglês é tão língua materna quanto o Português, os problemas são outros. Poilglack tem suas bilinguices com por exemplo conjugar verbos (Eu jumpei bem alto mamãe! Ou o contrário: Are you going to "conserter" that?). Sexta-feira depois que peguei ele na creche ele falou:
- Mamãe, eu te perdi!!!
(Do inglês: " I missed you! -- "missed" sendo o verbo perder, mas também "eu senti falta de você", nessa frase)
O que depois ele corrigiu sozinho:
- Não, eu senti muita saudade! (saudade= a já tão conhecida palavra sem tradução em língua nenhuma).

E aí, louca ou não só resta abraçar muito, até squeezar todos os bones.
10

Empregos

Começou esta semana o festival "Juste pour rire" = Só pra rir, aqui em Montreal. Entre os muitos festivais que acontecem no verão por aqui este é o meu favorito. Basicamente, o festival consiste em um bando de atrações variadas acontecendo na rua, sem um tema específico, mas pura e somente, para fazer rir. Além dos shows pagos em teatros de stand up comedy e outros, as atrações na rua são tão variadas quanto bandas, bonecos gigantes, gente andando em perna de pau sendo guiada por algo que lembra um mix de Star Wars com guerreiros chineses, homem-bala, um lugar soltando espuma, outro soltando água, garçons em restaurantes servindo cobras de borracha e cantando para o público, enfim... a ideia é essa... quem no mundo consegue não rir vendo outro ser humano pagando um mico.

Domingo fomos lá conferir, e além de nos divertirmos a beça, depois de bater um papo sério sobre "carreira e futuro" com meu irmão mais novo, fiquei refletindo sobre as escolhas de carreira que a gente faz na vida. E não, não se preocupem, isso não vai ser um ensaio profundo e filosófica sobre o assunto. O que eu queria mesmo era dizer que, apesar da convicção da minha mãe de que tanto estudo não dá futuro, existe momentos em que eu penso... ok, passar os dias de verão em um escritório sem janela fazendo esta coisa altamente abstrata que chamam de "pesquisa" pode até ser chato (e tão pouco eu posso chamar isso de emprego, mas enfim...), mas eu definitivamente não queria este emprego (sobretudo em um calor de 30 graus):

- A cara do Zack é tipo: "Mamãe falou pra não conversar com estranhos, mas será que eu faço o que quando encontrar uma língua?"


Ou este (mesmo sendo mais refrescante):

- E obviamente a gente pagou $2 pra tentar derrubar o palhaço, sem sucesso.


Já este eu pegaria fácil, aliás, já estou considerando a mudança de carreira djá (embora talvez, e só talvez, me falte uma coisinha ou outra das habilidades requeridas):


Bom mesmo é este emprego (e esse pelo menos eu já garanti):

- Iogurte gelado do Yeh, nosso lugar favorito deste verão - Porque iogurte tem metade das calorias, já diria minha amiga Márcia. Em relação à que é que não se sabe, mas isso não importa.

- Pensa que meu Charles e minha Rose fizeram mais sucesso do que qualquer outra atração do festival, obviamente.
5

Cada um com seus pobrema...

- Filho, tá fazendo a dança do xixi, vai fazer seu xixi, vai...
- Não quelo. Eu não quelo fazer xixi mamãe (enquanto segura o fazedor de xixi e dança o mundialmente conhecido frevo do xixi)
- Filho, é só ir rapidinho ao banheiro, depois você continua brincando...
- Mamãe, você cuida da sua vida que eu cuido da minha.

Pronto, assim, tabefe.
Se eu falar que o menino é super dócil e obediente ninguém acredita. Mas só sei que foi assim. Eu tenho que ficar de olho nos livros que esse menino anda lendo, porque eu tenho certeza que o Caillou nunca falou assim com a mãe dele e obviamente da minha boca nada perto disso jamais foi pronunciado (cof. cof. cof).

Após uma conversa homem a homem com o Papito o impasse foi resolvido e ele veio, humilde e sinceramente pedir perdão e falar que quer sim que eu cuide da vida dele. Mas no fundo eu sei que é só porque nem ele, nem o Papito querem viver de pão e água. E talvez porque ficou claro que ele teria que contar suas próprias histórias antes de dormir.



2

Conselhos de mãe

- Está ruim da alergia filha? De novo? É porque você não está dormindo direito...
- É mãe, normal, ontem fui dormir as 3 fazendo coisas do doutorado...
- Ai filha, quando você vai acabar esse negócio?
- Ah, sei lá mãe... quando terminar... demora ainda...
- Ah não minha filha, você tem que parar com essa coisa de ficar estudando, chega disso, credo! Esse negócio de ficar estudando demais não leva a nada não!

Lembrando que a mãe em questão é professora aposentada, mas não espalha.

A mensagem importante que me ocorre hoje a 1:23 da manhã enquanto tento terminar um outro artigo é que "mãe sempre tem razão". Pena que a gente só escuta essas verdades quando já é tarde demais e calculando, eu estou estudando há 23 anos!! VINTE E TRES!!! - É o que me rende o título de "professional student", dado carinhosamente pelo meu irmão.

E deixa eu ir lá fazer um pouco mais de trabalho que não leva a nada...