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Tradução livre

Hoje fiz minha primeira tradução simultânea na igreja, do Português para o Inglês. Meio estranho...chega uma hora que você esquece que está traduzindo, começa a bocejar, falar umas coisas com você mesma, manja, tipo, notas mentais, comentários internos que você acaba falando e de repente só o pessoal que está com o fone de tradução está rindo enquanto todo o resto do povo está sério e ninguém (exceto você) entende o porquê. Ou isso ou você não é tão esquizofrênico como eu e não fica falando com você mesmo enquanto está rolando uma palestra.

Pois eu falo comigo mesma o tempo inteiro, e de uns tempos pra cá andei notando que as minhas auto-conversas geralmente são em inglês. Eu acho que a explicação mais lógica (e menos louca) é que a segunda língua te dá uma liberdade de expressão, uma possibilidade de sair de você mesma. Por exemplo, palavrões, que eu nunca falo em Português, as vezes saem em Inglês sem o menor pudor. Parece que se é em inglês não é palavrão, é só outra palavra.

Se eu sou louca de fato ou se isso acontece com todo mundo eu não sei. Mas já para aqueles que o Inglês é tão língua materna quanto o Português, os problemas são outros. Poilglack tem suas bilinguices com por exemplo conjugar verbos (Eu jumpei bem alto mamãe! Ou o contrário: Are you going to "conserter" that?). Sexta-feira depois que peguei ele na creche ele falou:
- Mamãe, eu te perdi!!!
(Do inglês: " I missed you! -- "missed" sendo o verbo perder, mas também "eu senti falta de você", nessa frase)
O que depois ele corrigiu sozinho:
- Não, eu senti muita saudade! (saudade= a já tão conhecida palavra sem tradução em língua nenhuma).

E aí, louca ou não só resta abraçar muito, até squeezar todos os bones.

6 comentários:

Lucy C disse...

Antes de casar com o Steve, eu tb tinha essa mania, falar palavras que normalmente nao falaria em portugues pelos mesmissimos motivos teus... mas ai da priveira vez que escapou e vi a cara de espanto dele, decidi nao usar mais nao. Expliquei pra ele que pra mim nao parece palavrao, mas doi muito na orelha dele, ele disse.
Eu como so' uso ingles ultimamente, quando quero falar portugues e' um problema... vivo tendo essa crises de... qual e' a palavra mesmo? uma fonoaudiologa esquecendo vocabulario assim... ah e'... lexicon. Ah, outra coisa que nao ajuda com os palavros e' a "academia"...(nao academia de fazer ginastica), mas o ambiente de trabalho e as amizades que tb fazem...

C. disse...

Eu falo algumas palavras em inglês para poder expressar realmente o que eu quero, quando não há uma frase ou expressão a altura em português. Um exemplo clássico são os palavrões. Dizer merd* não tem o mesmo impacto, para mim, que oh shi*. E dizer merd* grande não faz muito sentido. Desculpe pelo palavreado, hehehe, eu sei que aqui é um blog de família e frequentado por pessoas distintas. Prometo que isso não se repetirá. Beijo pra família.

Marco Aurelio Brasil disse...

Keiko, me diverti demais imaginando sua tradução simultânea comentada. É uma inovação, você poderia investir na carreira... O problema vai ser encontrar muita gente disposta a ser traduzida e comentada ao mesmo tempo, huahahaha.

Flavinha disse...

Rsrsrs... Imagino a cena de você fazendo esta tradução simultânea!

Que bonintinho "Mamãe, eu te perdi!" virar "eu senti muita saudade!", né? Tem mais é que apertar mesmo!

Beijinhos

Suzi disse...

Keiko,
faz muito, muito tempo que não venho aqui - nem tinha visto a nova carinha do blog. Pra variar, estou me divertindo como sempre. E vou repetir: é uma delícia, ler seus textos. E são inteligentes - pq vc é menina, é claro. rs

Ler você, de certa forma, me aproxima daqueles dois pedacinhos de mim que foram morar aí...
E isso sempre me faz bem.

Um beijinho na galera toda. Quem sabe, nos veremos em setembro...

;)

Flávia disse...

Xingar em inglês realmente não ofende nada!

Aqui também temos isso, Pacotinho de Tradução pergunta: o que que é isso pra? (what is this for?). Não só conjuga jumpar, como só usa eu dumpei (despejei). E o mais difícil é o pronome "o dela cabelo", "o dele carro", que sempre vem antes do substantivo.

Coisas de gringo com um pé em cada país.

Beijinhos insones, depois da mamada das 4 da manhã,
Flávia do Iglu.