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Adeus Ano Velho

Para a multidão de 5 ou 6 leitores assíduos deste humilde blog, que por alguma desventura do acaso encontram tempo em meio as alegres festividades de fim de ano pra vir aqui conferir alguma novidade, venho dizer que o tempo é curto, os parentes são muitos e sinceramente, com uma praia cheia de coqueiros logo à frente do Ciber Café, não sobra muito vontade, embora sobre inspiração, pra atualizar este bloguinho.

Então só uma passada, direatamente da terra de Jorge Amado, onde o souvenir clássico chama-se "Pau do Nacib", e é de chocolate (imaginem do que se trata, se é que isso deixa algum espaço pra imaginação - esses baianos são mesmo divertidos)... pra desejar um Ano novo cheio de risadas de nenê (se não tiver um por perto, peça emprestado, alugue, mas garanta a sua), de rascunhos que virem textos (no papel ou na vida), de bilhetes premiados (de rifa de cesta de chocolates ou de pequenas grandes surpresas que presenteiam nosso cotidiano e as vezes passam batido) e muitas bençãos do Papai do Céu, porque estas sempre estão por aí.

Adeus ano velho,
Feliz Ano novo!

de Mamãe Teto, Princhuquinho e Cia.
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Do lado de baixo e meio ano depois

2 dias e 13 horas depois... cá estamos nós, onde já se sabe...não existe pecado, nem tão pouco ar condicionado... e se era pra fugir do frio, a missão está mais que bem sucedida, estamos em bicas.

A viagem foi um sucesso, salvo pequenos detalhes. Nunca se viu um avião com tantos bebezinhos dentro. Esperteiko aqui até achou que chegando bem cedo para o chek in teria uma chance de pegar um lugarzinho na primeira fila, de repente até um bercinho...doce ilusão. Bercinho não tinha nem pra remédio, já que nada mais nada menos que outros 6 bebês, disputavam o único bercinho disponível, que é claro, ficou pra mamães mais espertinhas que consideram antecedência 2 meses, e não 2 horas antes. Mamãe, vovó e Princhuquinho se contentaram com a última fila do avião só pra eles (injusto falar eles sendo que o único "ele" tem só 6 meses???) , com um banco só pra Sorrisack, que conquistou todos: a moça do check in, que acabou não cobrando a passagem dele, a mocinha da polícia federal em Montréal, que deixou a mamãe entrar com uma garrafa de água para a sede sem fim durante as mamadas, até a aeromoça no avião, que decidiu que ia ficar com ele. Houve luta, mas sem sangue, a mamãe convenceu-a que não ia dar certo.

A viagem foi tranquila, na medida que é possível não estar esgotada estando por 12 horas em uma poltrona que não reclina, com um nenê dormindo em cima, ao lado do banheiro...chegamos inteiros, e já fomos pra gandaia, antes de chegar em casa já tínhamos uns 5 compromissos marcados pro dia. Muitos "ai que coisa mais gostosa desse mundo, dá ele pra mim" depois, uma única e primeira crise de choro pra descarregar o estresse todo, dormimos em paz em um bercinho emprestado pelo simpático amigo Duduzinho, o menino-que-não-é-meu-mais gostoso-e-articulado-do-mundo, acolhidos pelos amigos com uma estrutura "baby friendly" da qual tanto precisávamos naquele momento (porque mesmo com toda a bagagem absurda, não sobrou espaço pra banheira, berço...essas amenidades)

Chegando na terra natal, muitas realizações resumidas: já experimentamos açaí (não aprovado) suco de cupuaçú (aprovadissimo), de laranja (indefinido), manga (paixão total), passeamos pela Av. Paulista (de carro, porque somos paulistanos, não loucos), conhecemos muitas caras novas, mas a preferida foi de longe a Canela, cachorrinha da melhor amiga, isso até ela latir, demorou um pouco pra sintonizar as ondas de comunicações caninas, isso ajustado, a relação fluiu como nunca, com direito a risadinhas, gritinhos, tudo devidamente registrado pela Camera-mom. Ah sim, e um clássico, tiramos foto com papai-noel no Shopping (esse programa de verão paulistano - tudo por um local com ar condicionado). Adaptack, ao contrário da mamãe quando pequena, não temeu o bom velhinho, encarou o barbudo e até outros passantes tiraram fotos do nenezinho de fralda (quem precisa da mala de roupas gigantes que a mamãe trouxe com um calor de 32 graus?), ele só ficou um pouco decepcionado porque não ganhou balinha...moço injusto esse tal de Noel...

E não pode ficar sem menção, meio ano de vida pra Velhack. Isso é o que eu chamo de um aniversário quente e cosmopolita... 6 meses de gala, comemorados no ardor do maravilhoso trânsito de São Paulo. Princhuquinho, canadense como ele só, está mesmo deslumbrado com tanto calor e tantas informações novas pra processar na sua caixola. A celebração foi com a família japonesa (que tem seu primeiro membro "aloirado", para surpresa geral) e bolo do Amor aos Pedaços (claro, quem desfrutou foi Mamãe Bolinha, que semana que vem vai rolar na praia)

E a pergunta do mês é: Como é possível um ser em 6 meses ocupar um espaço tão central na sua vida?
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Resistência

A questão é:
Ou eu adquiri poderes mágicos de resitência ao frio ou deveria mesmo começar a me preocupar com o aquecimento global...
O pobre do irmão mais novo fez toda uma peregrinação pelo caminho de Santa Claus de Montreal em busca de uma trilha sonora natalina com neve caindo ao fundo, mas aparentemente, o calor também quis cumprir suas penitências e veio logo atrás...
Os termômetros registram estranhos 2 graus positivos e dizem que vai subir (beija, beija, tá calor, tá calor!) a neve já foi embora, o coitadinho (do irmão) se consola fazendo raspadinha com gelo do freezer.

Hoje foi o almoço de natal do meu laboratório de pesquisa. Minha amiga, orgulhosa, me lembrava que nesta época, no ano passado, eu estava praticamente histérica atrás de um casaco de frio ultra potente, impermeável, capaz de fazer qualquer mamute da era glacial parecer pelado. Este ano, compareci ao mesmo almoço com um "casaquinho" de lã. Não fosse meu claro fenótipo cambojano (sim, esta foi a última nacionalidade que me foi atribuída) eu passaria fácil por uma nativa.

Agora, os nativos de verdade estão preocupadíssimos mesmo é com a perspectiva de um Natal "não branco", o que não parece viável. Outro dia passei por um interrogatório sobre como pode ser um Natal sem neve e ainda com calor. Me pediram fotos...acho que vou ter que tirar com um jornal do dia 25, provando que é verdade. Como de nativos já me bastam o marido e o filho, ficarei contentíssima com um Natal bem verde e quente, já que quando eu voltar em Janeiro não vai haver resistência capaz de resistir ao longo e tenebroso inverno. Pensando bem...acho que não vou mandar consertar o motor do carro não... e viva o efeito estufa, os pinguins já passaram por tudo aquilo no filme ( A Marcha dos Piguins, quem já viu nunca vai querer ser um pinguin - ah sim, porque quem nunca viu, vive querendo, certeza), eles vão saber se virar...

( E antes que este blog seja vetado não só pelo Comitê de Defesa da Língua Portuguesa, mas também pelo Green Peace...isso é só brincadeirinha)
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Errata

Sobre o post "Fazem 5 meses..." de 19/11/2006

Caros leitores,

Venho por meio desta corrigir um erro fatídico no "post" supra mencionado.

Confesso que quando estava escrevendo o dito cujo a dúvida foi grande entre "Fazem 5 meses" e "Faz 5 meses". Por precaução, pensei em colocar "Há 5 meses..." no lugar, mas como o verbo haver neste caso parecia transmitir uma idéia de algo pontual como em: "há 10 anos eu cabulei a aula de gramática que ensinava essa regra", e não eventos ocupando um espaço contínuo no tempo transcorrido como em: "Faz 15 minutos que eu estou morrendo de ódio por ter cometido tal erro", acabei optando pelo "Fazem". Lembro-me até que no dia, consultando o "Pai dos pobres e desvalidos de Gramática", o Google, haviam exemplos de ambos...então acabei optando pelo acordo de número, ledo engano.

Me vem hoje o irmão que, colocando a leitura em dia, detectou o erro e veio implacável "tirar uma da minha cara", bem quando eu estava cantando os louros da minha qualificação do mestrado, e do convite feito pelo comitê de graduação para "pular" para o doutorado...pobre menina rica...se achando tão inteligente! Ao que tudo indica, quando falando de tempo, não se faz o acordo.

Bom, como eu não quero Camões se revirando na tumba, nem tão pouco as linhas deste pobre blog publicadas em algum livro de Gramática sob o título: "Nunca faça isso" , o post já está editado e fica aqui a errata, acompanhada de um conselho:
Não confie no Google, tenha sempre uma Gramática em mãos.
E também um pedido aos caros leitores:
Quando virem algo assim, não "vos avexeis", corrijam-me! Afinal de contas, já diria (se soubesse falar) Tentativack ao tentar rolar sem sucesso (em tempos remotos): "É errando que se aprende", ou "Só não erra aquele que não tenta" e todas estas frases feitas para aqueles que
sentindo-se um lixo após um erro, não se joguem da ponte...ainda existe esperança! (Dramática a menina...)

E falando em jogar-se da ponte, eu ia até escrever um post de verdade, mas como auto-flagelo, vou dormir!
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Olhos de Primeira Vez

Eu sempre gostei de estudar. Era do tipo CDF mesmo, rata de biblioteca (estava sempre na sala da coordenadora atrás das últimas aquisições) e ainda adorava os professores, com direito a cartinhas, poesias e recadinhos no final da redação, ideais e propostas pedagógicas me inspiravam. Aquele tipinho que irrita um ou outro aluno menos apaixonado, mas que motiva o professor a continuar trabalhando, mesmo quando o salário ó... , tenho até testemunhas desta época remota. Isso durou mais ou menos até o fim do ginásio, não que eu não mantivesse o sentimento escondido depois, mas no segundo grau já era mico demais...a sobrevivência social na adolescência demanda outras qualidade (falar mal dos professores é uma delas e você pode ser CDF, desde que passe "cola" para os amigos, fazer o que...).

Eu estudava em uma escola tida como "Escola Modelo" e parte do projeto pedagógico de cada série era ter um "lema do ano". Como apesar de todo o meu amor pelos estudos, minha memória não foi uma faculdade exatamente bem desenvolvida, o único dos tais lemas do qual eu ainda me lembro foi o da 4a série, sinal de que esse foi de fato marcante (minha memória é muito seletiva, a pobrezinha, sou do tipo que vai até a geladeira para pegar alguma coisa e ao abrí-la não tem mais a menor idéia do que foi fazer lá, me dei conta hoje de que fazem 4 dias que eu não tomo minha pílula...só lembrei porque o caixinha estava em cima de algo que eu ia pegar - se Princhuquinho tiver um irmão daqui uns 9 meses já se sabe o porquê - , e se não fosse uma amiga minha, minha infância se contaria em um parágrafo) - um parênteses meio exagerado este. Mas bem....do que eu estava falando mesmo? A sim, o lema era assim: "bom ou ruim esse ano pode ser, depende do jeito que a gente vê". Durante o ano inteiro falamos sobre como as coisas podem ser diferentes quando olhamos "com olhos de primeira vez", aquele ponto de vista do novo, da descoberta, que é capaz de transformar um rabisco em arte, uma garrafa em brinquedo, um floco de neve em razão pra ficar muito, muito feliz - explico...
Ano passado foi meu primeiro inverno "branco" (em São Paulo eles são bem mais cinzas). Lembro direitinho a primeira neve (do inverno e da minha vida) - estava eu saindo de uma aula (não lembro de que) aqui do mestrado, cercada de colegas (todas nativas canadenses) e começa a nevar...Me senti uma mineira - que nasceu em Minas Gerais, não que trabalha em uma mina - vendo o mar pela primeira vez aos 24 anos... fiquei maravilhada, abestalhada, contentíssima - e sozinha. Não me conformava com a indiferença de todos que, "nascidos e crescidos" com neve no inverno, perderam a capacidade de admirá-la. É compreenssível, já que depois de 4 meses de neve todo dia, você quer mesmo morrer um pouco, especialmente quando a neve branquinha vira lama marronzinha e nojenta e você cai, congela esperando um ônibus, entre outras cenas invernais. Mesmo assim, poucas coisas são tão bonitas quanto galhos congelados, parques branquinhos a perder de vista e pinheiros cobertos de neve de verdade! (E não aquela que a gente compra de pacote na 25 de Março). É como estar dentro de um filme de Natal (daqueles de sessão da tarde especial de Natal), a trilha sonora natalina (White Christmas, pra começar) fica tocando dentro da cabeça constantemente e você começa a achar que o Papai Noel, com aquela roupa toda, finalmente se deu bem (o bom velhinho, e todos os seus ajudantes que trabalham nos shoppings, deviam adotar um outro visual pro nosso Natal tropical, vamos combinar...).

Sexta-feira passada foi a primeira neve do Princhuquinho. Ele acordou todo feliz as 9h da manhã (esse horário por aqui é madrugada...) só pra ver os primeiros floquinhos caindo, e pegar um na mão, pra colocar na boca, é claro. Mais lindo do que o floquinho de neve (que aliás, tem forma de floco de neve mesmo, aquele que vem desenhado no ar condicionado - só pra compartilhar minha descoberta) só mesmo o olhar de primeira vez de um bebezinho. Não só para a neve, mas para tudo no mundo, cada olhar, é o primeiro. Parece óbvio, mas é realmente uma coisa única acompanhar cada descoberta do seu próprio filhote, e de quebra, redescobrir o mundo também. No começo era a fascinação com qualquer fonte luminosa, depois a primeira palhaçada que o fez sorrir, o primeiro encontro com um cachorro de verdade, a primeira chuva, a primeira folha de árvore na mão, o primeiro caldinho de uva (se bem que isso é paladar, não olhar, mas eu lembrei porque foi hoje, ele adorou...fica o registro) - Clichê como possa ser, cada "primeiro"dele me faz dar mais valor às pequenas coisas da vida (tendo 1,51m. de altura é até uma questão de auto- estima), e me remete ao lema de muitos anos atrás, parafraseado: "boa ou ruim essa vida pode ser, depende do jeito que a gente vê".
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Traduções

Prometi pra mim mesma que não ia escrever nenhum post até terminar o *%$#@*& (essa aprendi com minha amiga Márcia) da apresentação do meu protocolo de pesquisa. Mas como eu me peguei várias vezes em meio à apresentação pensando em forma de post, já formatado e dividido em parágrafos, não se trata de escrever, mas apenas transcrever, então tá autorizado.

Viver em outro país implica, obviamente, viver traduzindo as coisas. Aos poucos o processo se torna automático e você nem sabe mais quando está ouvindo uma língua ou outra, ou outra. Veja a filhinha de uma amiga venezuelana (que fala espanhol em casa, francês na igreja e inglês na creche, coisa comum por aqui), além de conversar com os brinquedos dela em todas as línguas, ela pensa que o nosso português é chinês, e mesmo assim ela entende, além é claro de constantemente corrigir meu portunhol.

Habitando o mundo dos bebês, o processo é semelhante. Você magicamente entende o que os choros querem dizer, e começa a ouvir coisas dentro de qualquer barulinho produzido pelo serzinho. Poliglack soltou a matraca e agora fala sem parar, prolixo que só ele. As divergências quanto à tradução é que são interessantes. O tio "Dadá" já estava certo de que ele seria o primeiro a ser chamado, mas a primeira fala mesmo foi "avvvvvvvvvvvv", e a avó, como não podia ser diferente, já saiu contado pra todos que o netinho já sabe falar "vovó querida do meu coração", ela tem certeza.

Agora, claro como a luz do dia, foi esse semana, quando ele começou a disparar "ma ma ma ma ma" pra todo lado...o pai ficou arrasado, chega deu dó, mas, vamos encarar os fatos - seja porque o estômago está vazio, seja porque foi "ma ma" mesmo que carregou o cidadão por 38 longas semanas (nada mais merecido do que ser a primeira a ser mencionada), ou seja só porque foneticamente essa é a sílaba mais fácil sem ter ainda qualquer conexão simbólica - ma ma, é mais importante, dura e fatídica verdade. Em vão foram todas as tentativas de ficar falando "pa, pa, pa" na frente dele um dia inteirinho, o coitadinho, "Ma ma" reina soberana.

E só para constar nos autos, para o alívio de Ma ma neurótica, Princhuquinho finalmente já sabe se virar na vida, ou pelo menos no edredon colocado no chão como sua área de exercício, ou melhor, de brincadeiras. O bichinho chega suou, mas conseguiu! "Alegria agora, agora...amanhã e depois e depois e depois de amanhã" quando ele não parar mais em lugar nenhum, já não tenho tanta certeza...
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Comentando os Comentários

Márcia: Você sabe que meu estômago tem uma certa resistência extra a doces, as vezes até eu me impressiono.

Flávia: Pois é, eu já tinha ido atrás destas informações também, queria só confirmar com a médica dele, má idéia pelo visto...
O suco de maracujá dizem que o melhor mesmo é dar sem nada, nem açúcar, nem Stévia, assim eles se acostumam com o gosto da fruta, não do doce...aliás, a gente deveria fazer isso também...pra mim não rola, mas pra ele vou tentar. Quanto aos cereais encaixotados, de fato eu acho estranho a primeira comida ser de caixa, por isso já tinha até me inscrito em um curso de "papinhas pra bebê" (dadas minhas habilidades culinárias limitadas), mas queria novamente ver com a médica qual era a opinião dela e ela foi categórica em dizer que os de caixinha são melhores porque são enriquecidos com ferro, e no meu caso, que sou vegetariana (porque apesar do abuso de doces, no resto eu tento ser saudável), ele pode ter carência de ferro se não tiver um suplemento. Apesar de achar a idéia super prática, ainda não estou convencida não, como vamos estar "em casa", vou atrás de alguém por lá, qual é o seu plano alimentício pro Pacotinho de Nutrição?

Deby: Valeu também pela visita. Oxi bichinha! Você tem que experimentar Nutela, ninguém no mundo pode morrer sem experimentar, não deixe para o próximo ano, está muito longe! Mas se você nao conseguir se controlar e comer o pote inteiro, aproveite que está na Bahia e tome só água de coco no dia seguinte. Vamos pra Ilhéus, você mora onde? Parte da família do marido está por lá, aliás, o marido foi criado lá. Ai que delícia...vou comer cocada com Maracujá do Tororomba até dizer chega...pensando bem, até entendo você nunca ter provado Nutela, quem tem cocada, tapioca e até picolé de Cajá não precisa de Nutela não, viste?
Desejo muitas bençãos pra você também!!

Marquito: Olha, eu sou super a favor dessa coisa de um horário no trabalho pra ler blogs. Se quiser eu mando uma carta de recomendação, ou então a gente pode organizar uma passeata na Av. Paulista, visto que a causa é nobre. Eu já institui o meu, é qualquer hora que Princhuquinho está dormindo. Ainda bem que minha orientadora não sabe Português, porque se por acaso ela fosse comparar minha produção "bloguística"com a da minha tese...eu tava na roça!
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Cúmulos

O cúmulo da vida não tropical:
Fui à pediatra essa semana para a visita de rotina do Pimpolho. Como seria a última visita antes de ir pro lado de baixo do Equador, fui tirar algumas dúvidas:
- Ele já vai ter 6 meses, vamos introduzir cereais, será que tem problema dar também uma água de coco (já que vamos pra Bahia), só para dar o gostinho?
- Como assim água de coco?
- Sabe... coco, aquela fruta...
- Sei, sei, mas como assim água? Não conheço....
- Deixa pra lá...

Vou trazer uma de caixinha pra médica...talvez na caixinha ela entenda. E nem perguntei sobre purê de goiaba vermelha ( se é que isso existe, tudo pela goiaba vermelha) suco de maracujá...

O cúmulo da precipitação:
A alegria de mostrar o mundo dos sabores pra Comilack é tanta que fomos ao Wal Mart (pra comprar enfeites de natal) e saimos de lá com um kit completo de alimentação pra bebê. Colherzinha, pratinhos cheios de frescura e cereais pra bebê, enriquecidos com ferro, basta adicionar leitinho materno (indicado pela tal médica, esse ela conhece), achei o máximo, mas fiquei pensando...como os bebês de 6 meses se alimentavam antes?

O cúmulo da gordura:
E falando em bons exemplos alimentares, Guleiko devorou uma iguaria light do livro de receitas "Como não deixar sua mulher emagrecer após o parto", de autoria do Papai Princhuco: Kinder Ovo recheado. - Com surpresa? Não, não, porque a surpresa não é comestível - A inovação é Kinder Ovo recheado com Nutela, e pedacinhos de chocolate Lindt, que é pra garantir que mesmo as "vitaminas e minerais" vão virar banha e celulite. Para Princhuquinho - o leite já vem achocolatado. Argh!

O cúmulo do peso na consciência:
Não consegui dormir antes de correr pelo menos 30 minutos e fazer 100 abdominais, enquanto assistia "Extreme Makeover" (à 1h30 da manhã). Deve ter dado pra queimar 1/23 das calorias consumidas, mas em compensação...já sei direitinho como funciona a lipo que vou fazer daqui mais um pouco.
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Diga-me como te chamam, que te direi quem és

Um comentário no blog da Flávia sobre uso de apelidos, me fez pensar nessa questão aqui em casa.

Dizem que depois que a gente vira mãe a gente só quer falar do filho. E pior é que é verdade. Em defesa das mães que sabem falar de outra coisa (e do marido que anda sentindo-se renegado), vamos virar o disco (nossa, essa expressão vai desaparecer? Já desapareceu?) e falar do marido.
Temos aqui em casa uma certa brincadeira, que acabou virando mania. Esses joguinhos de família que olhando de fora parecem idiotíssimos, mas olhando de dentro...bem, parecem idiotas também, mas a gente continua fazendo, e achando divertido. A nossa aqui é relacionada a nomes em geral. Tudo começou com a incapacidade do marido de chamar as pessoas pelo nome. Ele sempre tem que acrescentar algo ao nome original, geralmente um sufixo ligado a algo que a pessoa fez (nossa amiga Lidiane um dia fez algo estranho e virou Lidistrangers), ou mudá-lo completamente mesmo até um ponto que nem o próprio "apelidado" não é mais capaz de lembrar o seu nome original (caso do seus amigos Gamba e Fuca, cujos nomes eu desconheço, e mesmo sob tortura jurariam que é assim que foram registrados) .

Via de regra, um sufixo carinhoso ameniza um apelido potencialmente denegridor (se é que essa palavra existe...), exemplo clásssico, sua sogra (que não por acaso é minha mãe), virou "Sogrete", a coisa pegou e todo mundo a chama assim. Seria simples, mas aí vem o desdobramento do jogo. Se a "Sogrete" está "de frescura" (em bom Bainês), ela vira automaticamente "Frescurete", ou se não entende alguma coisa, naquele dia ela é "Burrete" (e mesmo assim ela defende o genro com unhas e dentes, contra tudo e todos, ou seja, contra mim, geralmente). O mesmo princípio foi aplicado a senhora para quem demos (com todo o sofrimento do mundo) nosso cachorrinho (Lhasa-apso, com pedigree e tudo, a coisa mais fofa desse mundo inteiro) antes de vir pro Canada. A dita cuja não queria deixar eu visitar o bichinho na minha primeira ida ao Brasil, nã deu outra, virou "Baranguete" (seu nome, Arlete, e aparência física contribuiram, quem mandou regular o cachorro).

Outra versão do mesmo jogo é manter o final do nome original e trocar o começo por um adjetivo. Meu irmão mais velho, "Idiotilson", sempre se embanana tentando entrar no jogo, o pobrezinho, acaba sempre soltando um "ImbeciliKeiko" quando o correto seria "Imbecileiko", não é a toa que este é o seu nome de guerra (mas não se enganem, a gente se ama). O mais novo por sua vez, no auge da sua adolescência e da completa "falta de noção" em situações variadas, virou "Noçailson", que mais tarde sofreu a influencia do anglicismo e virou apenas "Notion". Pessoas legais ou chatas (segundo o critério dele, o que não quer dizer que as mesmas não estejam entre nossos melhores amigos) podem ganhar um simples "le" ou "cha", caso do "Tile" e sua esposa " Nycha" - porque os opostos se atraem (e Nycha é minha melhor amiga de infância, o que me faz também Keile - e isso vai me render um comentário malcriado em sua defesa, certeza).

A única regra realmente importante do jogo, é que o apelido não pode ser de todo simpático, muito menos piegas, do tipo "Meu bem". Foi por isso que ele se acabou de rir quando viu outra amiga chamando o namorado (hoje noivo) de Príncipe. É claro que eu não perdi a oportunidade e comecei a chamá-lo de Principe também, nao só chamei como coloquei uma faixa enorme no escritório dele em um aniversario, com letras garrafais: "Principe: Feliz Aniversario!" , foi ótimo, o pessoal do escritório até hoje o chama de Príncipe. Por causa de chatices dele (que eu amo) ajuntei um "cha" ao Principe, que virou "Princha", e para amenizar, virou " Princhuco". Dentro do mesmo padrão provocatico, eu que era "Tia Teto" (chamado pela minha sobrinha que não conseguia falar o "K"), atualmente virei "Tia Tetôncias", não é difícil entender o porquê, dada minha proeminente comissão de frente, responsável pela alimentação de "Esfomiack"- mas isso não é motivo para escapar do codinome.

E foi assim que o mais novo membro da família não podia ficar de fora, filho de Princhuco, Princhuquinho é (já fiz referência ao Princhuquinho em outros posts sem nem explicar o porquê...não que alguém tenha notado, mas enfim...fica explicado), e é o bebê de 5 meses com mais apelidos que eu já conheci. Não seria ruim chamar um bebê de Princhuquinho, soa carinhoso, não conhecendo o histórico. Mas é claro que o pai não se contenta. O menino já tem nome que é apelido por si só (Zack), não sendo suficiente, o pobrezinho é frequentemente chamado de "Caga-cebo" quando bom...caga cebo (é assim que chamam o número 2 na Bahia, explica o pai-canadense-criado-na-Bahia, pensando que justifica-se), "Zé Bogola" quando fala coisas que ninguém entende (ou seja, o tempo todo - lembrando, o bichinho acabou de completar 5 meses), "Pisquileto", em momentos de ternura, "Tio Arnóbio", quando começou a ficar careca como um falecido tio, "Japoronguito", em referência aos genes que herdou de mim (ainda que atualmente eles sejam quase imperceptíveis, até pálpebra o moleque tem! - essa só quem é japonesa, e sempre quis passar sombra na pálpebra, sem sucesso, pode entender), "Zackolino" e muitos outros que são criados de acordo com situações variadas. Já não basta a confusão que o menino vai ter entre tantas línguas, ainda vai ficar confuso sobre qual é seu nome, porque até hoje, tenho certeza que ele ainda não sabe que quando alguém chama "Zack", a coisa é com ele.

Xii...rodei, rodei, rodei, e acabei falando de quem? É...parece que o mal é mesmo inevitável, "Mamãe Teto" aqui só sabe mesmo falar do seu "Pimpolhack".
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Faz 5 meses...

que alguém se alimenta de mim,
que as manhãs são cheias de sorrisos,
que o que eu mais adoro na vida tem menos de 70 cm,
que eu já tenho antipatia de nora
que ouço mais conselhos do que ouvi minha vida inteira,
que eu doaria um rim, um braço, um olho, ou até dois pra alguém sem pensar duas vezes,
que vídeos, propagandas, fotos e pensamentos sobre crianças me fazem chorar,
que posso conversar por horas com alguém que nem sabe falar,
que não preciso de ocasião especial pra tirar fotos,
que compro roupas pelo numero de meses (que nunca são certos mesmo),
que fico toda boba quando recebo elogios que não são pra mim,
que eu me sinto magicamente conectada a qualquer pessoa que tenha um filho,
que faço planos mirabolantes para os futuros de outrem,
que adoro ter alguém dormindo em cima de mim,
que sei que horas são pelo horário de mamadas e sonecas,
que escolhi assinar "Today's Parents" e não "Cosmopolitan",
que meus genes não são só meus,
que me preocupo sobre como meus hábito e conceitos podem influenciar outro,
que conheço todas as marcas de fraldas descartáveis do mercado,
que o meu colo é consolo certo,
que não somos mais um casal, mas uma família,
que me pego olhando pra alguém e sinto um amor que de tão grande não cabe,
que sinto que o tempo esta passando rápido demais e já penso na alegria de ouvir "mamãe" , mas na tristeza de ouvir "tchau"...

Faz 5 meses...que eu sou mãe!
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Fogo!

(Aha! Arranjei uma nova técnica para acentuação, etc. Copiei o texto no gmail e coloquei para corrigir, mas ele não reconhece todas as palavras... bom, pelo menos os cedilhas e alguns "tils" já melhoram a carinha do texto)

Vivi 24 anos no Brasil e nunca ouvi um alarme de incêndio. Carro de bombeiro então, só quando eu fui visitar o corpo de bombeiros com a escola lá pela 2a série do primário (hoje ensino fundamental...credo, quando as coisas começam a mudar de nome eh sinal que a idade vem chegando)

Pois bem, estando aqui em Montreal há apenas 1 ano e meio já passei por 3 alarmes de incêndio. Me parece que a situação aqui eh meio incineraria mesmo, já que a maioria das construções eh de madeira, pra reter o calor. Por sugestão de um amigo guardamos os documentos e coisas importantes em uma caixa "a prova de fogo" no caso de voltar pra casa e não ter mais casa. Ironias de primeiro mundo (primeiro mundo eh outro conceito que mudou, não? bom, deixa assim que todo mundo entende), vc tem uma caixa prova de fogo, mas dificilmente precisa de uma a prova de roubo. Ou então, deve ser porque as casas e apartamentos tem detector de fumaça, que por sua vez dispara um alarme de incêndio por qualquer fumacinha (vindo de uma frigideira ou qualquer coisa esquecida no forno, o que acontece frequentemente aqui em casa, já até tirei a bateria do me detector).

O primeiro alarme de incêndio foi pra mim realmente...digamos...alarmante. Estava na faculdade, no meio de uma prova de estatística quando o alarme soou. Verifiquei se não era a fumaça saindo da minha cabeça que tinha causado o tal disparo, não era. A professora, revoltadissima foi logo avisando: as provas serão recolhidas e canceladas, venham preparados na próxima aula para fazer outra prova - droga, e eu crente que poderia "conferir" algumas questoes no livro. Pega casaco, cachecol, gorro, luva, mochila e sai aquela boiada. Eu era aparentemente a única apavorada, fingi calma, pra não dar bandeira da minha inexperiência incendiaria. A cada andar alguém com coletinho da brigada de incêndio orientava: sem pânico, continuem descendo, estando no 11 andar não parecia a melhor ideia do mundo, mas como não havia opção... Chegando lá embaixo, aquele frio de sei lá quantos abaixo de zero, procura fumaça aqui, procura ali e nada - era soh treinamento. Fala sério! Bem que eu tinha achado estranho a galera com o cronometro na mão, mas achei um abuso! Se pelo menos eu estivesse na biblioteca que fica no 3 andar...

No segundo alarme eu já estava no prédio que moro hoje, a Vila Olimpica, que hospedou atletas e delegações nas Olimpiadas de 1976. Pela conveniência do predio (tem supermercado, farmácia, banco, cabeleireiro, biblioteca e tudo mais que vc imaginar dentro do prédio) hoje habitam aqui basicamente velhinhos, facil entender porque o nosso bebezinho faz tanto sucesso por aqui, ele não eh um bebe, mas O bebe, quem nunca viu, já ouviu falar. Mas enfim, estava eu sozinha com o tal bebe (que dormia) quando o alarme disparou. Já estava vacinada, logo lembrei do treinamento, mas quando sai na sacada, em menos de 2 minutos, la vinham eles, os moços do calendário em seus carrinhos vermelhos, e todas as pessoas dos andares comerciais já fora do prédio - pânico. Me deparei com uma questão quase existencial (ou pelo menos dessas de testes de auto-ajuda): se pudesse salvar só X coisas de um incêndio, o que salvaria? (se pelo menos fosse a da ilha deserta...pra essa eu já tinha resposta pronta). De um item eu já tinha certeza, era o bebe, o que só me deixava com uma mão extra. Pensei no carrinho - não pode, elevadores bloqueados. Acorda o bebe, coloca no canguru, bendito canguru, pelo menos tenho duas mãos, ainda bem que eu escolhi o apartamento do 4 e não do 20 andar. Bebe pronto pra partida, e agora o que pegar? O lep top com o protocolo da tese e todas as fotos, definitivamente, e...fotos, o álbum do casamento, lua de mel? Qual será o mais importante?? A caixa dos documentos - a não, essa eu posso deixar, eh a prova de fogo, mas e se não for? Nunca testei, e eu que não sou louca de queimar meu passaporte e ter que ir naquele consulado tentar tirar outro - mas a caixa eh pesada, abre a caixa, pega só os documentos, enfia na mochila junto com o lep top e o álbum do casamento - melhor deixar as mãos livres, vai que algum velhinho precisa de ajuda (em um momento solidário) - danem-se os velhinhos, vou mesmo eh pegar os outros álbuns, pq de tudo, as fotos são as únicas que não tem como conseguir outras, os velhinhos vão conseguir se salvar (agora que eu nao morri, talvez deveria trabalhar essa questao um pouco egoista). Tudo pronto pra correr, tchau moveis, tchau souvenirs de viagens, tchau roupas queridas, tchau porco rosa (difícil de explicar, mas eu tenho um porco rosa gigante na sala...), no auge da minha despedida de todos os objetos da minha vida, escuto uma voz vinda do interfone na sala: os bombeiros localizaram a razão do alarme - um defeito em uma das chaves do sistema. O pior eh ficar com raiva porque sua casa NÃO pegou fogo.

A terceira vez foi hoje (motivo do post - agora tudo faz sentido). Lá pelas 6 da madrugada (sim, porque pra quem dorme as 3, 6 eh o ápice da madrugada), tudo escuro, dispara o alarme. O marido que não tinha passado por nenhum ainda, levanta assustado, a mãe no quarto ao lado idem, o bebe chora, já eu...nem me dei ao trabalho de abrir o olho. Dessa vez era incêndio mesmo - que nada (mas que ia ser um bom fim, isso ia ) - alguém tinha esquecido o pão na tostadeira ou algo do tipo que eu nem escutei direito pois já estava dormindo de novo, sonhando com os bombeiros.
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A primeira noite de um homem e outras

Extra!Extra!Extra! Princhuquinho dormiu 8 horas seguidas nesta noite! Achei que estava sonhando quando escutei o chorinho, olhei no relogio e eram 8h30! A tatica foi simples, o domingao cheio de compromissos sociais e ele nao conseguiu dormir sua soneca da tarde, logo, foi chegar em casa, banho e cama! Nem lembrava mais como era dormir 8 horas seguidas, te digo, eh bom!

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Ai meninos... -filha do meio com 2 irmaos, sei bem as agruras de se ter meninos por perto, qualquer coisa era motivo pra competicao, ateh corrida de gota de chuva rolava. Confesso que acabei incorporando o espirito (jogar imagem e acao eh quase sempre sinonimo de discussoes acaloradas)
Mas bem, eu acho q sou uma das unicas pessoas no mundo que realmente gosta de cha de bebe, e todas as brincadeiras idiotinhas que o acompanham. Nesses dias modernos quando os homens participam de chas de bebe...estavamos hoje em um desses eventos, todo mundo tinha uma chupetinha e quem falasse a palavra "bebe" perdia a sua para a pessoa q ouvisse. Enquanto a maioria das mulhere nem lembrava disso e nao exitava em comentar sobre "o bebe" os homens massivamente bolavam estrategias pra conseguir o maior numero de chupetas possiveis, ateh surrupiar as chupetinhas guardadas pela organizadora estava valendo. Mas eh claro que se questionados, vao dizer que nao se divertiram. Nao ha modernidade que mude algumas coisas, penso eu... com um homenzinho dormindo logo ali...

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Nao parece possivel, mas existem vantagens de se viver em um mundo sem baba nem empregada. Uma delas, as tarefas domesticas e parentais sao realmente partilhadas. Faz seculos que nao varro o chao e fiquei contentissima de ver em um centro de compras a plaquinha mostrando que no banheiro masculino, tambem tinha trocador. Soh nao fui conferir se tinha tb o kit basico de troca de fralda para o pai (pelo menos o daqui): 1 rolo inteiro de papel higienico (vc se pergunta, papel higienico? - Respondo - sim, papel higienico, para colocar embolado sobre o piu-piuzinho, pra evitar que o jato poderozissimo e fatal de xixi te atinja durante a troca), 15 lencinhos umedecidos (aos que nao tem filhos, uma pessoa normal- leia-se, mae- gasta uns 3), 1 tubo inteiro de hipoglos (e olha que o hipoglos vem do Brasil). E nao ouse tentar explicar que nao eh assim, se nao quiser ouvir a reposta obvia: entao troca vc!
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Fofuras mil

Fofurinha da Estrela (da epoca que para o boneco fazer xixi "de verdade" tinha que apertar a barriguinha) aqui de casa esta mesmo cada dia mais fofo, se eh q isso eh possivel...e nao, eu nao sou uma mae coruja, se trata da realidade.

A mae terapeuta, neurotica como se pode ser, anda preocupadissima porque com 4 meses e meio, Fofurinha ainda nao rola, acho que eh um pouquinho de preguica, ele vai ateh a metade do percurso e desiste...ai volta. E nao ha estimulo terapeutico q o convenca, mas tudo bem, cada crianca tem seu ritmo, nao existe um padrao, jah dizia uma terapeuta que eu conheco, pra todas as maes neuroticas de pacientes...essa gentinha!

Nao rolacoes a parte, as novas aquisicoes: a outrora simples e calma tarefa de mamar virou uma luta contra os estimulos do ambiente. Qualquer fonte luminosa, voz, barulho e ateh o espirro da mamae eh motivo pra parar tudo, procurar a fonte, sorrir, comentar o assunto e soh depois, com sorte, voltar a mamar. Se o tal distrator for muito interessante, a fome ateh passa. Jah se a mae estiver com pressa por qualquer razao, a fome nao passa, e o tempo pra retornar pra mamada eh maior, sob risco de protestos e ateh mordidas (por enquanto desdentadas, mas temos q trabalhar nisso - ideias?)

A segunda grande aquisicao de Fofurinha foi a descoberta do espelho. Ele ateh jah andava desconfiado que tinha alguem dentro daquela coisa brilhante, mas foi soh essa semana que ele descobriu quem era. Agora se delicia apreciando aquele ser fofinho do outro lado. Olha soh que beleza, quem precisa de um irmaozinho se jah esxistem varios bebezinhos pela casa, que conversam quando vc conversa, riem quando vc ri, esticam a mao pra te pegar tb, fazem bolinhas de baba, dao risada...e ainda por cima, nao estragam seus brinquedos! (Vantagens de ser irma do meio, estragava os brinquedos do mais velho e o mais novo era muito novo ateh pra dar ciumes...amo meus irmaos! )

O lado "ser-social" de Fofurinha tb esta em alta. Abre o sorrisao banguela pra qualquer pessoa, conhecida ou nao, que olha pra ele. Se conversar entao, as chances sao grandes de se ouvir uma gargalhada. Pela mesma razao todo mundo sente-se impelido a pegar Fofurinha no colo. Em meio a conhecidos, as vezes fica ateh dificil pra achar depois (alguem viu um nene por ai? Ele eh assim fofinho, meio galeguinho, semi-careca e nao anda!), ou em caso de estranhos (nao na rua, vale explicar - estranhos em ambientes familiares - pra ninguem achar que eu sou maluca o suficiente pra deixar qualquer estranho no elevador pega meu nene), a mae se depara com o dilema: deixa ou nao deixa pegar, e se deixa, o desespero toma conta e a vigilancia eh tanta (tem gente que acha que soh pq o nene jah esta "durinho" nao precisa apoiar as costas, e jah pode tomar coca-cola) que o estranho finalmente se convence que nao eh legal ficar querendo pegar o nene dos outros.

Mas ando mesmo ansiosa pra ter aquelas historias fofissimas de falas e feitos de crianca pra contar...enquanto nao tenho as minhas, conto a dos outros:
Da sobrinha do marido (que eh minha sobrinha tb) lah pelos 6 anos:
- Mae, compra uma mochila do Power Rangers pra mim? (Confesso que nao lembro quem era o personagem, mas sei que era alguma dessas coisas de TV, de qualidade pouco duvidosa que as criancas tendem a adorar)
- Nao filha, vc sabe que a mamae nao gosta que vc assista essas coisas, entao nao eh bom ter mochila tb.
- Entao compra uma mochila da Xuxa? (Partindo do mesmo principio)
- Nao filha, vc sabe que a gente nao assiste essas coisas...
- Ah, entao compra uma mochila do Jornal Nacional!
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Sem Licença

Aqui no lado de cima onde o "welfare state" faz um certo sentido, a maioria das mães, sendo trabalhadoras, podem gozar de 1 ano inteirinho ao lado dos seus pimpolhos. Pais também podem usar parte deste tempo, aliás, eu ousaria dizer, com um certo medo de ser apedrejada em praça pública, que pais por aqui fazem (ou ao menos têm a oportunidade de fazer) quase tanto quanto as mães, mas isso é assunto pra outra conversa.

Parecia boa escolha não trabalhar e só fazer mestrado enquanto começa a procriação (o pai quer 5...a mãe nem tanto). Minha supervisora até me advertiu: tire uma licença, mas não...quem precisa de licença se todo o trabalho pode ser feito em casa? - Aparentemente, qualquer um. E agora cá estou eu a procurar os meus apetrechos de super-heroína, mas só acho roupa suja de bebê. Na verdade não estava querendo abrir mão da bolsa. Licença maternidade de trabalho é paga, de estudos, não.

Com essa de mestrado e filho, a rotina aqui em casa virou literalmente, de cabeça pra baixo. Eu sempre fui fã do "deixe para amanhã o que você poderia fazer hoje, mas deveria ter feito ontem", mas agora as consequencias são mais drásticas e me vejo atolada entre textos e chocalhos enquanto os prazos vão passando e os outros (da unviersidade, não do Lost), mesmo que solidários à minha condição maternal, querem o trabalho feito. Enquanto o bebezinho tira o cochilo da tarde, a mamãe liga o computador para acessar as bases de dados e redigir seu artigo, mas num passe de mágica, subtamente já está escrevendo blog (e até mudando o template, redundâncias a parte, aquele preto estava muito "dark"), lendo blog, lendo sites de tudo o que há sobre bebês e afins...e tese que é bom, nada. E ao menor "hã" do bebê, a mamãe sempre alerta já está lá, sem exitar. Entre uma brincadeira e uma musiquinha a mãe até tenta fazer alguma coisa, mas quem consegue trabalhar com um alguenzinho tão gostoso olhando pra você?

"Passa tempo tic-tac, tic-tac passa hora" e o novo horário de funcionamento aqui em casa é das 23h - 3h. Esse é o horário mágico quando o bebê dorme consecutivamente e a mamãe finalmente já leu tudo o que tinha pra ler sobre o mundo dos bebês e pode começar a trabalhar de verdade. Enquanto isso o papai, que também está de "auto-licença", faz companhia, confere os erros de formatação, formata bibliografia e até canta. As 3 em ponto, bebê acorda pra mamar, é o sinal de que chega de trabalho, todos pra cama e o dia recomeça as 11h da manhã.
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Aconselhamento Gestacional

Hoje fui visitar um casal de amigos, tambem brasileiros, gravidos de 4 meses. Me senti A especialista, e nao foi pelos conselhos de terapeuta ocupacional que eles queriam por conta de uma suspeita de toxoplasmose, mas sim pelos simples conselhos de mae. Embora as vezes eu ainda me surpreenda com a ideia de que sim, eu sou mae, nunca pensei q em 4 meses eu tivesse sido capaz de acumular tamanha experiencia maternal.

Fui logo falando que esse negocio de enxoval, jah me disse minha sabia vozinha de 88 anos, eh coisa do tempo em que se confecionavam as roupas da crianca, hoje em dia q vc vai a qualquer loja e compra tudo pronto, nao ha a menor necessidade de se ter 429 roupinhas, mantinhas, casaquinhos e outros tantos "inhos" e "inhas" dos quais vc acaba usando metade.
Princhuquinho aqui com 4 meses jah tem um saco de roupas gigante pro irmaozinho (aos exaltados acalmem-se, o irmaozinho nao vem tao cedo). Me parte o coracao colocar de lado um macacaozinho (mas q mania de colocar tudo no diminutivo, soh pq eh de nene!) que soh foi usado 1 vezinha (e olha o diminutivo), ou pior, nenhuma - pq a mamae aqui tem um certo probleminha de organizacao e esqueceu o macacao guardado - mas a galera nao perdoa, e soh pq o nene nao consegue esticar a perninha dentro do macacao, jah acham ruindade. O pai nao se conforma, mas tem dias q eu troco a roupa dele (do bebe, nao do pai) umas 3 vezes, soh pra dar a(a) roupa a chance de ser usada. O marido da amiga adorou o conselho e jah foi logo agradecendo a economia q a nossa visita renderia, jah que a esposa jah estava, como toda boa gravida, avida pela colecao inteira da baby GAP.

As dicas tb passaram pelas roupas de gravida (minha maior alegria foi uma calca jeans com elasticao q segura a barriga, para q a mesma nao caia, sensacao q soh quem jah esteve gravida pode entender...) e pelo meu voto contra sutia de amamentacao, completamente descenessario ao meu ver.

Tambem falamos da luta por encontrar uma vaga em creche por aqui, e que portanto ela deveira colocar imediatamente o bebe na fila de espera (esse eh brasileiro mesmo, nem nasceu e jah nao pode ver uma fila...), dos esquemas pra fazer o serzinho dormir (travesseiros na frente e atras, coloca de bruco, depois vira de frente e vixe...) e muitas outras coisas q ateh pensei em escrever aqui, mas agora deu preguica...eh, pq mae tem preguica tb, e amanha eh segunda feira...nao que isso tecnicamente faca muita diferenca jah que hoje eu deveria ter trabalhado tanto quanto amanha - mas isto eh assunto pra outro post.

E como nao poderia ser diferente, na lista de conselhos da expert, o conselho mais importante:
"nao ouca os conselhos de ninguem, ou melhor, ateh ouca, mas siga mesmo o seu coracao, a sua intuicao e a sua paciencia, o resto, para sua sanidade, ignore".
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Comentando os comentarios

Aprendi com a Flavia (irma gemea separada no nascimento que acabei de descobrir - isso renderia um bom " Porta da Esperanca" , nao? Ou era no Faustao? Gugu? Bom, qqer coisa dessas super bacaninhas q fazem do domingo a tarde o melhor momento para nao assistir TV) , a responder comentarios atraves de posts.

Entao lah vamos nos:

Flavia:
Eu sempre imaginei q tinha uma irma perdida por ai, isso resolve metade das minhas frustracoes infantis de soh ter irmaos. Alias, vc sabe, eh por sua causa q esse blog existe, depois q li o seu, logo pensei: se minha outra metade (em um sentido fraternal, e nao lesbico, melhor explicar...) tem um blog, eu tb posso ter! Sou fa absoluta do seu 'estilo literario' humoristico!
Quanto a certidao do seu pacotinho, extendo minhas condolencias eh boa sorte... acho q eh tudo q se pode dizer. Pior eh q eu ouvi dizer q a partir de nao sei quando (uma informacao bem precisa, como vc pode notar) as ccas nascidas fora do Brasil, mesmo com pais brasileiros, tem q optar aos 18 anos por uma cidadania apenas! Jah pensou, toda essa dor de cabeca e o bichinho ainda vai ter q escolher... no seu caso por uma entre 3! Eh, a vida eh uma grande prova de multipla-escolha...
Valeu pelo apoio moral...meu computador agora deu pra desligar sozinho, a gente nao se entende muito bem mesmo, se eu nao sei nem colocar acentos, quem dira links, fotos, foruns...
Mas estava aqui pensando, para quem quiser entretenimento mesmo, sugiro ter um bebe, eh entretenimento garantido pra vida inteira!

Dani: Que bom q os passaportes estao na mao...espero q os nossos cheguem logo, afinal, jah diria o Chico, a gente "tem razao de fugir assim desse frio!" Pena q eh pra ver Sampa, e nao o Rio de Janeiro...mas qualquer temperatura positiva jah serve de consolo!

Marcia:
Xiii, vc me pegou! Por favor, nao conte pra ninguem sobre a minha nacionalidade, nao agora q eu to enganando todo mundo dizendo q eu vou pro Brasil, qdo na verdade soh vou ficar uns dias dormindo em casa...

Ti: perdi a chance de usar o meu novo vocabulario Tagalog, cabulei a aula de frances ontem...mas foi por uma boa razao: o Zack pediu pra eu ficar...serio! Eh isso q acontece qdo o sol se poe as 4h30 da tarde...qualquer compromisso 'a noite' nao eh apropriado para uma mae de familia.

Ny: pq os ultimos serao os primeiros...deve ser por isso q a menina me falou q o nome da lingua eh Tagalo, e nao Tagalog...ela soh sabe falar ingles!
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Sortidos

E o bloguinho jah rende seus frutos, literalmente. Chegou pelo Fedex outro dia uma caixa com varias roupinhas de nene e clandestinamente embrulhadas entre elas...varias goiabas vermelhas!Foi uma amiga brasileira q mora em Los Angeles, compadecida do meu sofrimento publicamente demonstrado...alegria impar!

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E rende tambem discussoes. Esse mundo exigente de hoje em dia...
Eu jah achando uma proeza ter um blog, vem o amigo, os irmaos e o marido falar q nao basta ter um blog, tem q ter um blog divertido, com dicas, atracoes, entretenimento, q eh pra manter o interesse dos leitores...eu, hein?! Soh falta quererem contar o Ibope...
Mas soh pra nao dizer q eu nao atendi as sugestoes (nem q seja por uma unica vez), vai um link de um video hilario, indicado pelo proprio irmao, de alguem q realmente nao deve ter nada pra fazer da vida (pq alguem q tem tempo pra assitir esses videos e ainda escrever blog tem muito o q fazer da vida...q fique claro!) :
http://www.youtube.com/watch?v=5AWIY2ah6aw - mas soh pq Orff eh minha metodologia de ensino preferida.
Mas para quem quiser diversao, sugiro o multiply do Dada, meu irmaozinho lindo, pq esse sim sabe achar as coisas divertidas.

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De todas as coisas do Brasil das quais tenho saudade, uma delas, definitivamente, NÃO é a boa vontade e gentileza dos funcionários públicos (exceto minhas cunhadas, todas funcionarias publicas em Brasilia, e mesmo assim uma simpatia...eh claro! - Pq eu nao sou doida nem nada)
No consulado brasileiro na Sexta passada para tirar o passaporte do pequerrucho:
eu: - aqui estão os documentos
fp (de funcionário público... o q é isso minha gente, isso aqui é um blog de família!): - vc trouxe a certidão de casamento?
eu: - mas na lista q VOCÊ me deu semana passada, nao constava certidão de casamento
fp (com aquele bom humor e alegria característicos):- é q eu preciso ver o nome dos avós
eu: - mas o nome dos avós vc pode ver nos passaportes, meu e do meu marido.
fp:- mas eu prefiro a certidão de casamento!
eu: - aaa, vc prefere? Bom, mas como não tinha na lista serve o passaporte mesmo, certo?
fp: - não, eu quero a certidão. E está na minha hora de almoço, então vc me manda por fax...
eu (já sem esperança, nem paciência, querendo dar um soco no sujeito mas com um vidro entre nós me impedindo do feito): - não tenho fax, posso escanear e mandar por email.
fp: - não, eu prefiro fax, tá aqui o número. - Vira as costas e sai.

Sim, pq foi exatamente o q eu fui fazer no consulado brasileiro, tomar conhecimento das prefencias do cidadao...fala serio!

(paragrafo excepcionalmente acentuado pq foi digitado no computador do marido, pra matar a saudade dos acentos e cedilhas...jah passou)

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Ontem foi a primeira festa de aniversario para a qual o Zack foi convidado, mocinho chique...unica frustracao: nenhum brigadeiro, nem pra remedio. Bom, bom, ele nao se importou muito com isso, cantou parabens em frances e divertiu-se ao maximo, como todos os outros bebezinhos presentes na festa (isto eh; dormiu, mamou, chorou - essas coisas que eles soh fazem mesmo em festas de aniversario).
Os pontos altos da festa:

1- A lembrancinha : 2 patinhos de banho de borracha - foi realmente a unica coisa aproveitada pelo convidado em si. Que banho q nada, os patinhos foram pra boca, como tudo que se aproxima de um perimetro de 5 cm da boca do nene ultimamente - hummm, delicia! E o dedo da mamae foi poupado por alguns minutos. Ah sim, ele nao gosta de chupeta, afinal de contas, quem precisa de chupeta com tantos dedos (e agora patos) a disposicao?
1- Todos os 'convidados', a maioria ainda nao capaz de sentar sozinho, posando pra foto no sofa, de chapeuzinho e tudo. De um lado da camera, varios bebezinhos caindo pro lado, sem entender nada. Do outro, varios pais abestalhados fazendo de tudo para arrancar sorrisos, e soh conseguindo choros (pq bebezinhos sorriem a toda hora, exceto naquela que vc quer tirar uma foto).

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Tem q deitar na cama, prender a respiracao e nao comer nada durante o dia inteiro, mas "apenas" 4 meses apos o parto, mais uma calca "pre-gravidez" volta a servir. Ha quem seja mais sortuda e saia do hospital jah usando um top, para as menos privilegiadas (ou mais, tudo depende do ponto de vista), 4 meses e 2 calcas que servem jah eh um grande avanco, principalmente quando a temperatura por aqui vai indo em direcao ao abismo e as calcas de malha com elastico jah protegem do frio tanto quanto a peneira protege do sol. Agora, se as banhinhas (depois de tantos meses com elas jah ateh peguei carinho) saltando por cima da calca ficam incognitas por baixo dos mil casacos, em Dezembro no Brasil, nao vai da pra tampar o sol com a peneira...melhor comecar a ginastica e o regime. Que sorte a minha, amanha eh segunda feira!
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Na aula de Frances

Antes de escrever sobre a aula de frances do titulo, tenho q mencionar, pq ele merece: estava aqui no computador apos chegar da tal aula de frances e o bebezinho inquieto e saudoso, implorando por uma banho (mexe perninhas + mexe bracinhos+reclama um pouquinho + sao 21h = hora do banho), mas a mae q viciou na coisa do blog queria muito escrever, coloca o bebezinho agoniado no sofa e pede gentilmente: espera soh um pouquinho pra mamae escrever...por favor? - Ao que o bebe prontamente atende...e esta lah, quietinho ateh agora - sendo assim, por merito, a mae vai escrever soh este paragrafo e voltar mais tarde, depois da trilogia banho-historinha-mil cancoes de ninar, pra escrever sobre a aula de frances.

Missao cumprida, e mencao honrosa novamente pro nene que dormiu com a marca recorde de apenas 1 cancao de ninar! Sendo assim, mamae escreve...

Entao, estou fazendo aula de frances pela terceira vez desde que cheguei aqui...as outras todas foram interrompidas precocemente, uma pela pessima qualidade do curso (gratuito, em escola publica, se de graca a gente ateh pega onibus errado - de acordo com uma amiga minha - curso ruim nao dah...ruim por ruim, eh melhor assistir TV) outra pela necessidade mais urgente de melhorar o ingles, eita dureza essa coisa de tentar ser poliglota. Jah este de agora nao pode ser interrompido, jah q se eu nao passar em um exame com data ainda indefinida, eu nao posso mais ganhar a bolsa de estudos, porque nao vou poder renovar minha licensa de trabalho, nem ser TO por aqui...eh como diz outra amiga, rapadura eh doce, mas nao eh mole nao (ou seja, aqui bolsa de estudo eh melhor do que salario de TO no Brasil, mas para conseguir, e permanecer com uma... jah sao outros quinhentos... e chega de dizeres populares por hoje...)

Mas o fato interessante eh q qdo a gente faz um curso de linguas no Brasil, todos os colegas de turma sao tambem brasileiros, em geral. As origens podem ateh diferir, mas todo mundo nasceu na terrinha. Jah aqui, em um curso de linguas, e na maioria dos lugares pra falar a verdade, vc encontra de tudo, menos um canadense. Tirando meu marido, q eh o canadense mais baiano que jah se viu, canadense nao faz curso de linguas, ateh porque eles aprendem as duas linguas oficiais na escola (no caso dos canadenses aqui de quebec, o ingles eh um tanto quanto duvidoso, mas enfim...). E eh ai q o curso de frances vira a volta ao mundo em 10 semanas, pague pelo frances e de brinde, conheca culturas e comportamentos de povos que vc nem lembrava que existiam.

A razao eh ateh bem simples, a imigracao aqui eh um fenomeno recente. Diferente do Brasil, ninguem eh neto, bisneto de imigrantes, mas sim, o proprio imigrante (vide eu!). Na minha classe dessa vez tem 4 iranianos (incluindo o professor, diga-se de passagem), 1 romeno, 1 filipina/chinesa e 2 chineses, chineses mesmo, e eu, brasileira, embora ninguem acredite. Olha o desaforo, eu que sempre fiz o papel da japonesa em todas as pecinhas da escola, agora tenho q passar pelas nacionalidades mais variadas; filipina, chinesa, boliviana, vietnamita... e encarar os ohares mais descrentes quando faco a grande revelacao: eu sou brasileira! E ai vem toda a explicacao da historia da imigracao no Brasil, e que por isso, nem todos os brasileiros sao iguais ao Ronaldinho, ou ao Pele, ou as mulatas da Sapucai (a sim, e nem todos sabem sambar ou jogar futebol, vide eu novamente!), a sim, e apesar da origem japonesa, eu nao falo japones (nem espanhol, a lingua oficial do Brasil, como todos sabem)

E como as pessoas se unem quando fora de seu pais natal, eu faco dupla sempre com a filipina/chinesa que na verdade nasceu em Ontario (olha eu me contradizendo, mas ele eh excessao), mas esta com sua licensa de enfermeira suspensa ateh passar na mesma prova de frances. Os iranianos tambem se agrupam e um deles jura de peh junto q eu e a filipina/chinesa somos gemeas, ele nunca sabe quando uma de nos faltou na aula. Eles tambem acham que sao muito superiores porque falam persa (nao se trata de preconceito meu, eles realmente me disseram isso), entao nao se atrevem a fazer grupo com 'nao iranianos'. O professor ateh simpatiza com a causa dos menos dotados e faz questao de explicar tudo bem de perto; oportunidade esta q eu negaria prontamente se tivesse a chance, jah q o sujeito realmente nao toma banho, nem escova os dentes, mas eh um bom professor... fazer o que? Pensei em dar um sabonete e pasta de dente e dizer q era habito no Brasil dar isto para os professores, mas como eu sou filipina...
Os chineses coitadinhos, uma fonte de simpatia, sao os unicos que sabem conjugar todos os verbos (grande merito, jah q a conujgacao em frances eh um misterio ateh para os franceses), mas na hora de falar a coisa complica...e eles soh ficam rindo e olhando o dicionario, chega doi o coracao.
Sobre o romeno nao tenho nada a declarar, nunca ouvi a voz dele, ou eh timido, ou eh mudo.

Mas eh assim que a gente acaba aprendendo mais na aula de frances do que assistindo Discovery Channel, e com sorte, acaba aprendendo uma palavrinha ou outra de linguas de paises que, ao nao ser que viremos milhonarios excentricos, possivelmente nunca vamos visitar.
Aos interessados, uma palavrinha: Khodahapez (tchau em persa), e outra: Sigui (tchau em Tagalo - a lingua das Filipinas, minha nova terra natal)

Jah para aprender o frances, a aula nao eh suficiente...fiquem com ' Au revoir' e se deem por satisfeitos ;-)
3

a.B / d.B

Nao eh a toa q a historia do mundo foi divida em 2 por um bebe. Eh claro q o tal bebe tambem nasceria para salvar a humanidade, mas um bebe por si soh, eh um divisor de aguas, isso nao eh novidade.

Aqui em casa a vida nao eh mais a mesma ha precisos 4 meses e 2 dias. Eventos e conceitos que mudaram de antes para depois do Bebe

Sair por um dia inteiro para um congresso (sem o bebe):
a.B - Levantar correndo, jah atrasada pq tinha esquecido que tinha que sair cedo, pegar alguma coisa pra comer no caminho e rua!
d.B - Uma semana antes: Comecar a estocar leite (o meu, nao o da vaca, o que atualmente jah eh quase um sinonimo) , checar repetidamente o cronograma "quem cuida do bebe a que hora" com a mae e o marido
na noite anterior: arrumar a 'ordenha eletrica' e acomodar em alguma bolsa grande o suficiente pra caber o aparelho mas nao tao grande para que pensem q vc foi de mudanca para o congresso
na manha do evento: acordar 2 horas antes do que gostaria, acordar o bebe pra dar uma ultima mamadinha, ir ateh a porta da rua e voltar umas 3 vezes pra dar mais um tchauzinho, mais um bjinho e assegurar o bebe (que jah dorme tranquilamente de novo) que a mamae soh vai mesmo pq eh extremamente necessario, que ela volta, que nao vai abandona-lo (o sono profundo demonstra que ele realmente estava muito preocupado com isso)
durante o congresso: ligar pra casa a cada intervalo para ter certeza q tudo vai vai bem (e ouvir - sim, ta tudo bem - jah disse q ta tudo bem - eh claro q esta bem! - Acha q eu nao sei cuidar do meu proprio filho?!) , encontrar um cantinho escondido com uma tomada (parece simples qdo vc esta em casa, mas nao eh nada simples fora dela) pra tirar leite e sentir-se mega culpada por jogar o leite na pia qdo devia estar dando para o seu bebezinho, que feliz da vida mama na mamadeira ( E se ele nao quiser mais o peito? E se crescer traumatizado pq a mae nao deu peito durante um dia inteirinho? E as maes na Africa que nao tem leite para dar para os filhos? E outros tantos "E se" super pertinententes), ficar olhando a foto do bebe durante metade das conferencias (e mostrando para quem quer que esteja ao seu lado, conhecido ou nao) e contando os minutos para estar em casa de volta.
de volta em casa a noite: esperar encontrar a casa em pane, um bebe tao devastado e morto de saudade quanto a mae, um pai desesperado, e ao inves disso encontrar a casa do jeitinho q vc deixou (ha longas 12 horas), um pai feliz da vida pq brincou ateh cansar com o pequerrucho (nossa, ta ai uma palavra que eu nunca tinha escrito antes), um bebe todo prosa que te sauda sorridente, sem trauma nem tristeza, sentindo tanto sua ausencia quanto as maes na Africa...

Sair de casa por um dia inteiro (com o bebe):
a.B - Pegar sua bolsa e pronto
d.B - Separar inumeras fraldas, lencinhos umedecidos (mesmo contrariando a recomendacao da enfermeira de nao usa-los... fala serio, tem coisa mais pratica no mundo?), paninho de boca, brinquedinho de morder, 2 ou 3 trocas de roupa, mantinha, bercinho portatil, o pacotinho de inverno e mais alguns 2324 acessorios...com sorte, a gente ateh lembra de pegar tambem o bebe

Acordar de manha:
a.B - olhar para o lado, ouvir uma musica mal sintonizada no despertador, olhar para o mesmo sem enxergar direito que horas sao, mas tendo certeza que precisava de mais umas 3 horas de sono, no minimo, e pensar que quem inventou essa historia de acordar cedo, boa pessoa nao era
d.B - olhar para o lado, ouvir uma vozinha gostosa falando uma lingua estranha, olhar para a fonte da voz e ver um sorriso lindo, que mexe bracinhos e perninhas freneticamente ao notar que vc acordou, e pensar que enfim, existe uma boa razao pra acordar, mesmo apos uma noite mal dormida...

Observacoes da vida alheia:
a.B - ver cca fazendo birra e jurar: meu filho nunca vai fazer isso; medir de alto a baixo maes 'que nao voltaram a sua forma original' e pensar : qdo eu tiver meu filho nao vou ficar assim,
d.B - ter certeza que tudo eh relativo... ta olhando o que?

Amor:
a.B - A gente pensa que sabe o q eh isso
d.B - Sem entender como vc consegue amar tanto uma criaturinha que soh surgiu ha 4 meses a gente acaba entendendo o tamanho do amor de Deus - dar um filho por alguem que nem liga pra vc... sei nao...
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A mae que eu quero ser

Tem uma musica do Vinicius na qual ele fala do filho que ele quer ter, que conta um pouco das expectativas e do curso da vida que se estabelece entre pensar em ter um filho, te-lo, e finalmente ser ninado por ele "num acalanto de adeus".

Fora todas as lagrimas que esta musica me arrancou durante a gravidez enquanto eu passava as roupinhas do Zack (pela primeira e ultima vez), ela tambem me fez pensar que talvez muito "do filho que eu quero ter" tem a ver com "a mae que eu quero ser". No fundo, no fundo (e as vezes nem tao fundo assim), a gente tem filhos com objetivos variados que passam do afetivo: "concretizar a expressao do amor entre dois seres e formar uma familia" ao heroico: "fazer um mundo melhor criando um cidadao consciente e honrado" passando pelo demografico: " a populacao esta envelhecendo e precisa de criancas", pelo obediente :" crescei e multiplicai", chegando ao pratico: " ter alguem pra cuidar de mim quando eu envelhecer".

Tantos objetivos e uma soh crianca eh trabalho pra Hercules nenhum botar defeito (nao eh a toa que o pessoal das antigas tinha 12 ou mais), e eh ai que o peso de ser a mae ideal vem tao forte quanto os versos do Vinicius - A realidade por sua vez, nem sempre eh tao poetica.

A " mae que eu queria ser" tinha uma dieta balanceada, fazia todas as receitas do livro de receitas vegetarianas pra ter o leitinho perfeito e forte que garantiria a prole inteligencia, forca e bochechas rosadas, igualzinho no comercial. A mae que eu sou come o que da tempo de fazer e ainda ataca no meio da madrugada (quando a tal da mae esta tentando estudar, enquanto a tal da prole dorme) um pote de chocolates trazidos do Brasil ( Concorrencia desleal, a "mae que eu queria ser" nao tinha esse problema, jah que tinha sua rotina perfeitamente organizada e nao precisava fazer nada de madrugada e as 9 da noite jah estava na cama) - e o livro ainda fica empoeirado na prateleira jah que a "mae que eu sou" tambem nao consegue ter tempo de tirar o poh da casa.

A " mae que eu queria ser" tinha a cada dia um jogo diferente pra brincar com seu pimpolho, apropriado para sua faixa etaria e estimulando todos as esferas do desenvolvimento. A "mae que eu sou" jah esgotou seu repertorio em menos de 4 meses, e confessa (nao com orgulho, se isso serve de defesa) que jah deixou seu nenezinho assistindo televisao em um momento de desespero total (por ideia do pai, se isso serve de desculpa).

A "mae que eu queria ser" nao ia dar nunca chupeta ao filho (e ainda brigava com quem falasse que ela ia acabar dando), nao ia dar mamadeira antes dos 4 meses (e para isso nao ai abandonar o bebezinho em casa nem por um minuto, com quem quer que fosse), nao ia comprar brinquedos a pilha (desses que brincam sozinho excluindo a necessidade de um adulto por perto, e de repente ateh da propria crianca), ia criar uma rotina musical com o bebe (com a mesma musica sendo cantada pra cada coisa, e nao uma musica inventada as vezes pra algumas coisas), ia fazer massagem no bebe todo dia, ia sair todo dia pra mostrar a natureza, ia esterelizar tudo de novo caso alguma coisa caisse no chao (mesmo que fosse por menos de 7 segundos), e eh claro, ia tambem voar e ter todos os poderes magicos necessarios para manter um sorriso banguela sempre ativo.

E eh assim que a mae que eu sou fica ateh meio frustrada as vezes (talvez ateh depressiva depois de listar tudo isso) mas mesmo sem recorrer ao Lexotan a gente acaba vendo que a "mae que eu sou" eh a "mae que eu dou conta de ser" e acaba sendo em um momento ou outro (mesmo que raros) " a mae que eu queria ser - versao sem cortes".

Sorte do Vinicius que por nao ser mae, podia soh pensar no filho que ele queria ter...
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Meia Encardida

Mudar de pais eh uma experiencia interessante, para dizer o minimo. Nao basta vc estar (por opcao, vale dizer) longe de todos e de tudo que vc chama lar, vc ainda tem que correr para se adaptar, se quiser ser feliz e nao ficar lamentando-se eternamente porque as aves que aqui gorjeiam nao gorjeiam como la.

Jah faz um ano e meio que eu tento me convencer de que tudo bem vc ir ao mercado(ou a qualquer outro lugar) e nao encontrar goiaba vermelha, de soh encontrar creme de leite em um lugar e ainda em uma latinha que pra fazer uma precisa de tres, que nem todas as sobremesas se fazem com leite moca, que brigadeiro pode sobrar em uma festa, que suco de maracuja eh agua no deserto, que banana nanica eh a unica banana que existe, e ainda se come verde, mas maca existem mais de 10 tipos, (talvez eu deveria escrever isso depois de jantar), mas enfim... O primeiro impacto pra mim aqui em Montreal nao foi no estomago, nem tao pouco na pele com o frio de -30 (mesmo porque eu cheguei em Maio e o frio soh viria em Novembro) mas o simples fato de que aqui; tira-se o sapato.

Eu que sempre gostei de andar de meia em casa (nao chegando a ser tao maniaca quanto meu irmao que anda de meia na fazenda, na praia, enfim...esta eh um outra historia), ateh hoje nao me adaptei ao fato de que, chegando em casa (nao soh na sua casa, mas em qualquer casa), vc deve, imperativamente, tirar o sapato. A explicacao reside (creio eu) primeiramente, no sal misturado com neve que faz uma meleca absoluta que vc nao quer ver espalhado por todo o chao da sua casa, e "segundamente", no fato que quem vai limpar vai ser vc (o dono da casa, no caso). Mas no final das contas, mesmo quando nao tem neve, nao tem sapato.

Eu sei que olhando de fora (mesmo porque se for de fora da casa, vc ainda vai estar calcado) parece besteira, mas esta foi uma das primeiras certezas que eu tive de que nao estava "em casa" mais. Tanto foi que a primeira vez que alguem me disse: "keep your shoes" eu quase me emocionei. Emocao a parte, sao essas besteirinhas cotidianas que te lembram constantemente que essa foi a vida que vc escolheu, e que ela nao lembra em nada a vida de outrora, mas nem por isso eh pior, eh soh diferente.

Aos poucos vc comeca a acreditar que goiaba e maracuja sao realmente frutas muito exoticas, dessas q soh existem em contos de fadas ou em caixinhas de sucos bizarros, e tirar o sapato vira habito. Por razoes obvias, vc comeca a comprar meias escuras (se nao adivinha quem tem q esfregar depois?). Talvez por resistencia, talvez para sentir-se um passo ( ou um sapato) mais perto de casa, aqui em casa, durante o verao pelo menos, nao se tira o sapato. Agora, por via das duvidas, se vc vier a Montreal, nao esqueca de passar um talquinho antes, e meia furada, nem pensar!

PS- Ah sim, caso ninguem tenha notado, esse eh um post explicativo do porque(com acento circunflexo) do nome do blog - jah q eu achei q todo mundo ia perguntar, mas ninguem perguntou (tsc, tsc, tsc, esses leitores pouco curiosos..q decepcao Denilson!)
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haja luz

E foi assim, em um dia com todas as coisas por fazer, e nenhuma vontade de faze-las, que resolvi dar cabo a pelo menos um - dentre os outros 999 mil (em homenagem ao meu amigo Larry) - dos que chamo de "projetos inuteis" , porque de util jah basta lavar roupa (ou coloca-las na maquina), arrumar a casa, fazer comida, fazer dinheiro (nao, ainda nao tenho uma maquina), trocar fraldas e todas essas outras coisinhas...

A ideia basica eh... sei lah, nao tem nenhuma assim a priori nao, mas acho que pode ser fazer um registro das coisas que rolam nessa relativamente nova vida de Canada (morando em Montreal ha exatos 1 ano e 5 meses) e nessa definitivamente nova vida de mae (com um serzinho de 3 meses e alguns dias dormindo - nao por muito tempo - no quarto ao lado)

Inspiracoes para o feito (como se fazer um blog fosse realmente um grande feito): o blog da Flavia (Cronicas do Iglu) - que realmente merece mencao honrosa - eh bem escrito e divertido "demais da conta" (como diria a familia lah em Minas Gerais) - o qual descobri por indicacao de um amigo, que por sua vez, me disse que eu deveria fazer um blog, sendo a segunda fonte de inspiracao e por isso mesmo o primeiro a saber do presente. A terceira fonte eh a preguica mesmo (e dizem que preguica nao leva a nada...ledo engano) jah que na verdade o que eu queria fazer era um scrapbook, mas como isso requer um pouco mais de empenho, fiquemos com o blog ateh a inspiracao baixar de novo.

Notas linguisticas:
1- Aos amantes da lingua portuguesa bem escrita, o meu sincero "foi mal" - meu teclado eh frances e eu ateh hoje nao descobri como colocar acentos, cedilhas e todos estes enfeitinhos tao peculiares a nossa lingua, entao fica sendo "h" pra fazer as vezes do acento e nao vou ficar corrigindo pq se nao vou acabar nem escrevendo. Tb abrevio as palavras potencialmente "abreviaveis"
2- Eu tenho uma certa mania de escrever com parenteses (eu sempre acho que para tudo eh necessario uma explicacaozinha extra - como esta) e tracinhos - pra explicar melhor ainda - e reticencias, quando nao ha mais nada pra explicar...

Tudo explicado, vamos ver qdo eu vou conseguir escrever um segundo post...um passo de cada vez...como diriam no AA, eu jah estou ha 1 dia fazendo uma coisa q eu disse q ia fazer - Parabens Keiko!

Em tempo: Por que "Tirando o Sapato" - Resposta no proximo post - nao vamos abusar da inspiracao...