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Não dou!

Parabéns aos ganhadores do concurso: "Ao bom leitor só o título basta"

Não vou contar que eu sentei as 2 da manhã pra escrever um post, uma das minhas sobrinhas ainda acordada pulou em cima de mim, apertou alguma coisa que publicou o título, ao mesmo tempo Insoniack acordou berrando e eu fui acudir, pensando em voltar mais tarde pra desfazer o erro, mas acabei ninando ele e eu ao mesmo tempo, me esquecendo completamente do ocorrido. Não vou contar pois ninguém vai acreditar que este é só um dia típico aqui em casa nesse mês...

E a tendinite continua aqui, firme e forte. Como eu tenho que digitar trilhões de coisas pro doutorado,além de fazer malabarismo com 4 crianças em casa, estou tendo que economizar meus pobres tendões. Talvez eu vá publicar uma série de títulos, sem texto, a serem preenchidos quando eu tiver minha vida de volta.
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Me dá!

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Me dá!

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Tendinite

Hoje fui levar o irmão no aeroporto, triste, triste...Voltando pro carro pego Princhuquinho de mal jeito e ai! Adeus punho, tendinite ataca novamente.

Na falta de uma mão pra digitar, fiquem com o tal "painel de assinaturas" que me custou 2 noites de sono. A idéia era ter as "pegadas" de todas as crianças que estiveram na festa. Ficou atém bem simpático, meu plano é emoldurar, quem sabe antes da festa de 18 anos.


Agora sim, a pessoa de trança pegando as marquinhas da mão do nenezinho fofo sou eu, ou o que restou de mim.

Respostas rápidas com um punho dolorido:Sim gente, valeu a pena, afinal de contas, Idosack está mesmo envelhecendo rápido demais e só fez 1 ano uma única vez, tinha mesmo que comemorar.
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E foi assim...

Já estou quase recuperada do trauma pós-festa de 1 ano, já dá pra falar do assunto sem ter crises de pânico ou ouvir vozes ao fundo dizendo "ainda falta os balões, você esqueceu de convidar fulano".

Pois então, a festa atrasada de Velhack foi atrasada justamente por causa da irmã do marido que ia estar por aqui, com as 3 filhas, garantindo um índice maior de crianças na festa, além de alguém da família. A surpresa com a qual eu não contava era meu irmão mais velho. Fui ao A&W (lanchonete tipo McDonald's, só que melhor, não é muito difícil) com Princhuco que me disse que queria comer um sanduíche, passo no drive, faço o pedido e o cara me diz que não fala francês, se por um acaso eu falava português ou chinês. Eu, ingênua como uma tenra flor acho engraçado, mas falo que sim. O cara então me pergunta se eu gostaria do novo sanduíche, com pão Egg Sponge (meu pão absolutamente favorito, salve salve, idolatrado do Brasil), eu, cândida como nem sei o que fico descrente, mas digo que sim. Sigo para a próxima cabine e quem me entrega o pedido? Quem? Quem? - Meu irmão!!! - Eu sei, minha família não é normal...é por isso que eu sou assim, eu acho. Quase morri de susto e de alegria, e confesso que ainda pensei no comecinho que o cara parecia com meu irmão...facinho de enganar essa Keiko.

A festa então ia ser em Julho, ninguém sabia quando. E como Procrastinação é o sobrenome da família, uma semana antes decidimos a data. O convite já feito pelo meu outro irmão quando estava aqui, foi alterado e boa, mãos a obra! Salgadinhos encomendados para tia brasileira da amiga que faz salgadinhos brasileiros (redundante, eu sei), menu pensando, tudo sob controle, certo? Errado.

3 dias antes ninguém mais dorme, redistribuo tarefas para as pobres amigas (as mesmas que já corrigiram minhas provas, limparam a minha casa, receberam visita pra mim...não sei como esse povo ainda não mudou de telefone e acidentalmente esqueceu de me avisar), para a cunhada, pro irmão, pro marido, para as sobrinhas e aquele tal de Zack com seu disfarce de bebezinho só brinca placidamente, como se não fosse com ele.

2 dias antes, confiro a lista de Princhuco e nenhum dos itens que lhe cabiam tinham sido feitos. Surto, broncas, tensão total. Ninguém sabe mais se o evento em questão é uma festa de aniversário ou a invasão do Iraque. Eu decidida a fazer um mural de assinaturas que tinha colocado na cabeça, passo outra noite em branco.

1 dia antes, faço a massa dos docinhos com ajuda das amigas, confiro tudo para a decoração, faço a lista final e gigantesca de trilhões de itens faltantes para serem comprados no domingo de manhã, termino o tal painel de assinaturas, outra noite em claro.

No dia: O zumbi humano também conhecido como Mãe do Aniversariante começa a fazer o bolo as 5 da manhã. A Amiga Samaritana chega as 7 com um copo gigante de café pra pegar os ingredientes pra fazer o hamburguer vegetal e a gelatina na casa da outra amiga (onde a densidade demográfica etá um pouco menor). A Mãe cancela a gelatina embora ache lindo mesa com gelatina colorida, não vai dar tempo. Pensa em mudar o tema da festa de Safari para a Sexta-feira 13, estrelando, Keiko, com olheiras que vão até o meio da bochecha.O Marido sai pra fazer as últimas compras, o Irmão desce pra colocar as pistas do caça-tesouro. A cunhada começa a amassar o pão de queijo. Lá pelo meio dia outros amigos chegam pra encher os balões e espalhar pelo bosque enquanto a mãe tenta fazer o aniversariante dormir, em vão, ele sabe que se dormir agora vai estar acordado e feliz na hora da festa e ninguém quer isso, obviamente.

Na hora da festa: os convidados começam a chegar enquanto a mãe ensandecida tenta acabar de arrumar a mesa com ajuda da tia que fez os salgadinhos e não tinha nada a ver com isso. Uma amiga dá banho e arruma o aniversariante que agora sim, começa a ficar com sono. O pai sai pra comprar gelo e arrumar mais cadeiras, o irmão acaba de gravar os CDs com as músicas preferidas do aniversariante que vão ser as lembrancinhas junto com um bichinho de pelúcia, outra amiga faz uma trilha com as marquinhas do pé do aniversariante, pra terminar a decoração (item esse que foi esquecido em algum lugar misterioso)

A festa: Como no final tudo dá certo, a festa deu praticamente certo. Os 200 salgadinhos acabaram em 5 segundos, deixando o povo com fome já que Sem Noceiko não tinha a menor noção nem de quantos convites tinha destribuído, nem que o povo ia comer tantos salgadinhos.Os docinhos sobraram, mas só o suficiente pra Mãe afogar as mágoas depois. O caça-tesouro organizado pelo irmão e feito pela Mãe Zumbi foi um sucesso total (tinha pistas com fotos, tarefas pra cumprir, tesouro enterrado e tudo), mas da próxima vez eu juro que contrato um palhaço, mesmo achando que todos eles são assassinos, porque fiquei o tempo todo entretida com as crianças e nem dei atenção pra ninguém. Isso porque eu não fiz nem um terço das atividades que eu tinha planejado. Aniversariack dormiu a festa quase toda com o Papai lá no apartamento. Quando os convidados finalmente queriam ir embora e ao menos dar um "oi", ligo pro Pai, que traz o dono do Safari sem o chapéu, com o cabelo todo bagunçado (e eu que tinha até comprado gel, caso ele não quisesse ficar com o chapéu), tiramos uma foto ou outra com o povo, nenhumazinha sequer do aniversariante sozinho (e eu que só queria fotos) e pronto.

Depois de carregar toda a tralha de volta pro apartamento, não sobrou energia nem pra piscar, quem dirá pra pensar em outro aniversário. Mas dizem que a gente aprende, e nada como um ano após o outro.Agora sério, com tanta invenção que tem por aqui, como nignuém pensa em ter um buffet infantil?!? Ao menos com um desses sua única preocupação é pagar e garantir que seu aniversariante durma, e com sorte, até você.
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Um Safari com o Zack


Eu sei, eu sei, isso aqui já esteve mais movimentado, com menos foto e mais assunto, mas tudo tem uma explicação.

Cada minuto livre da minha vida na última semana (e por minuto livre entenda todos os horários das 17h-5, 6, 7h da manhã,dormindo 4, 3, e 1 hora por noite respectivamente nas últimas 3 noites)foi dedicado ao evento do ano - a festa atrasada de um ano de Anviersariack (aquela mesma, onde o aniversariante dorme, chora, não entende porque todo mundo quer pegá-lo, mas que eventualmente um dia vai olhar as fotos e falar: "ah tá, legal" mas da qual a mãe, mesmo estando só o bagaço e jurando de pé junto que a próxima festa que vai organizar vai ser a de 18 anos do mesmo, se orgulhará pra sempre, por ter criado e mantido no mundo por 1 ano inteirinho um bebezinho simpático, gostosinho, cheiroso...além de ter sobrevivido a tudo isso, é claro).

Sem mais delongas me despeço porque realmente, não sobrou muito de mim pra contar o que quer que seja por hoje. Por agora, fiquem com as fotos da mesa, relatos da festa virão em um momento mais vivo da minha pessoa, quando meus neurônios e músculos voltarem das merecidas férias.






MURAL:
1) Meninas da assistência técnica a blogueiras lerdinhas: obrigada pelas dicas do vídeo, aguardem, em breve teremos vídeos, neste blog, pertinho de você!

2)Sobre a cozinha: A cozinha está temporariamente alojada na casa da amiga simpática onde vamos quase todo fim de semana. Eu estou fingindo que estou esquecendo lá e como ela é simpática, está fingindo que está acreditando. Enquanto isso Cozinhack pode brincar a vontade - que plano maligno.
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Indo à forra



"O que é do homem o bicho não come"
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Ufania

Você sempre amou sua pátria, mas é só quando você sai dela que você:

Usa Havaianas com bandeirinha do Brasil pra ir à qualquer lugar chique e fica se achando.

Vai ao show do Carlinhos Brown e grita a plenos pulmões e com ar de hino nacional letras que não querem dizer absolutamente nada como : "Olha, olha a água mineral" ou "A namorada...blá, blá, blá", só para os gringos do lado ficarem invejando sua brasilianidade. Você inclusive se compadece do compatriota no palco, cujos instrumentos se perderam no caminho e quando ele tenta explicar isso e outras coisas que soam como: "Todos pra direita, agora pra "oscurda" e ninguém entende lhufas, ou: "Agora a gente vai fazer um little Carnaval" e começa a tocar um funk, enquanto a gringa do lado pensa que samba, de olhos fechados, toda inspirada.

Você compra com meses de antecedência ingressos para o jogo da copa do mundo sub-20 e vai ao jogo, com bebê canadense vestido de Brasil, com camiseta do Brasil, chinela do Brasil, saia do Brasil, canga do Brasil, bolsa do Brasil, acessórios do Brasil - indumentária esta que você jamais usaria se estivesse por exemplo...no Brasil. Você dá até entrevista pra televisão, dizendo da importância do futebol para a comunidade brasileira e se enrola quando o repórter pergunta contra quem o Brasil vai jogar, quem é o astro da seleção, detalhes sem importância sobre os quais você não tem a menor idéia. E no jogo fica lá, se esguelando que nem uma maluca, o bebê freneticamente balançando uma bandeirinha, tocando pandeiro e tentando puxar uma "ola", enquanto novamente, os gruingos te olham invejosos. Todos torcem pelo Brasil, mas só você e sua troupe são brasileiros de verdade, uma amostra genuína do povo que todo mundo quer ser.

Você paga $2,80 por uma lata de Guaraná, e fica contando pra todo mundo como esta é a melhor bebida do mundo, assim como pão-de-queijo é o melhor petisco do universo. Você compra uma lata de Catupiry em visita aos EUA e a esconde no fundo do freezer para um momento muito, muito especial. Você come arroz e feijão todo dia e explica a quem quiser saber o quanto esta é uma alimentação balanceada que nosso povo sabiamente coloca na mesa todo dia, mesmo que no Brasil você nunca tenha tido esse hábito. Além disso, você conta pra mundos e fundos as maravilhas do suco de fruta fresco, de todas as variedades de frutas que eles jamais entenderão, da amenidade do nosso clima, de como tooooooodo mundo no Brasil é simpático e sorridente.

E é por isso que o tempo todo as pessoas (e as vezes até você mesma) te perguntam: Mas o que é que você está fazendo aqui?



O torcedor impressionado. E só pra esclarecer, essa aí não sou eu, é a Dinda do Torcedack. Eu queria colocar um vídeo aqui, mas não tenho a mais vaga idéia de como fazer isso...
Mural:
Deby: A cozinha acho que vou doar pra creche dele, pelo menos ele vai poder brincar lá, longe dos olhos do Papai das Cavernas. Pode deixar que no livro vai ter dedicatória especial pra você ;-)E eu não esqueci do "Laughing award", só sou enrolada mesmo.
Eva: Você é um gênio, o problema do título está resolvido, valeu! Agora já que você é boa de pitaco, me diga como eu faço pra colocar um vídeo nesse negócio? - A pergunta vale pras outras que são mais espertinhas do que eu, ou seja, todas.
Mariana: Fantástico ia ser fantástico, isso é que é incentivo! Já tenho 2 cópias vendidas, será que algum editor se interessa? hehe. Bom plano esse da garagem já que tecnicamente, ele vai estar brincando na garagem, lugar de homem, como todos sabem.
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IBOPE (Não consigo mais colocar títulos na caixa de títulos, alguém me ajuda!)

Como eu disse que a discussão sobre a cozinha estava quente aqui no blog, Princhuco resolveu acompanhar e ficou feliz da vida. Não só porque "a vitória" foi dele, a despeito de todas as ótimas opiniões contrárias, mas principalmente pelo número de comentários no post. Veio ele todo feliz: "Pelo menos isso te rendeu um IBOPE danado!". É claro que eu fiquei feliz, dá uma impressão de que de fato, o assunto teve eco do outro lado da tela. Muito louca essa relação virtual com um monte de gente, tão íntimos embora completamente desconhecidos. Até os leitores anônimos resolveram enviar seu voto, adorei, adorei. Estou pensando em fazer um ensaio sobre brinquedos e gênero, citando cada um dos comentários, já vejo o título: "Uma cozinha, muitas idéias - A história de uma mãe que queria dar uma cozinha ao filho". Na primeira página vai estar escrito: "Ao meu filho, que nunca pôde brincar de casinha". E na contra-capa : "Baseado em um post real".

É claro que o recorde de audiência não me fez esquecer que a cozinha continua na garagem da casa da amiga (a amiga provavelmente também não esqueceu, calma Márcia! Eu vou dar um fim nela!). Para o meu consolo, Princhuco não conseguiu se desfazer das comidinhas, do microondas e da cafeteira, que estão tranquilos lá no meu guarda-roupa, aguardando ansiosos o momento de "sair do armário", se me perdoam o trocadilho infame.


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Vingança

Foi só a Mamãe Moderninha trazer a tona o dilema dos brinquedos X gênero que a vingança do Papai das Pedras veio certeira.

Um dia desses chovia. A Mamãe Preguiçosa tinha que ir trabalhar e como chovia, quis ir de carro. O Papai Profeta falou pra ir de metrô, como sempre, mas a Mamãe Teimosa quis ir de carro assim mesmo. Foi. Na volta, ainda chovia e adivinhem...é óbvio que o pneu furou. A Mamãe Cara-de-tacho liga pro Papai Sedento-de-vingança e conta, em desespero, sua triste estória do pneu furando, a chuva tórrida e tal. A resposta não podia ser outra: "Cadê a coisa dos direitos iguais? Agora troque o pneu" - elementar meu caro Watson.

Meu pai me preparou pra vida. 3 requisitos eram necessários para se ter um carro lá em casa. 1- Passar na USP, 2- Escrever "Os dez mandamentos do bom motorista" e 3- Trocar os 4 pneus do carro, sozinha. Eu cumpri os 3 com êxito. Mas nada nesse mundo, nem todo o meu orgulho feminino me faria nem ao menos tentar trocar o pneu de uma van, cujo step eu nunca nem soube onde fica.

Felizmente, a vingança foi diretamente proporcional ao amor e foi assim que Princhucão só soltou a frase pra não perder a oportunidade, mas sem nem pensar duas vezes esperou a Cabisbaixeiko chegar em casa (de metrô) e foi, na chuva, trocar o pneu do carro estacionado lá no centro da cidade. Enquanto isso, Mamãe-agradecida-por-ter-um-marido-bacana ficou assistindo Friends e comendo Pizza com Princhuquinho, como toda boa mãe deve fazer.

Enquanto isso, na sala de justiça, o veredito para a cozinha é: Eliminada. Agradecemos profundamente a participação de todos os leitores, mesmo os silenciosos que resolveram se manifestar frente a magnitude do assunto. Infelizmente, quando a coisa chegou no ponto: "Ou a minha felicidade ou a cozinha", eu tive que optar pela felicidade do lar. Perdemos a batalha, mas a guerra jamais! O kit de vassourinha e pá já chega, doado por um parente anônimo lá da Tailândia.
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Neanderthal News

Então é assim, você estuda, casa com um homem esclarecido, estuda mais, trabalha, estuda mais, tem um filho, estuda mais e um belo dia, sob seus incrédulos olhares, a história acontece.

Era uma tarde de sol, a mãe do meu aluninhO, que já tinha dado uma bicicletinha e um carrinho para Meninack, me oferece agora uma cozinha, dessas com piazinha, maquininha de lavar roupa, fogãozinho, tudo embutido, um luxo só. Além de um saco cheio de comidinhas, pratinhos, panelinhas, um jogo de encaixe e um vagão de carregar brinquedos. Ela estava me dando porque seus 2 filhOs, agora com 7 e 5 anos, já estavam cansados de brincar com aquilo tudo.

Eu, feliz da vida peguei tudo, botei na van, achei o máximo. Chego em casa, peço pra Princhuco, o marido, buscar no carro porque eu tinha subido com as compras. Chega Princhuco de volta com o vagão, o jogo de montar, o saco de comidinhas (que ele não sabia que era de comidinhas) e nada da cozinha. Eu pergunto:
- E a cozinha?
- Como assim a cozinha? Pra quem é aquilo?
- Oras, ela deu pro Zack também
- Que absurdo! Como assim? Nessa casa não entra cozinha! Meu filho não vai brincar com cozinha!
- ... (cara abismada e incrédula)
- Tá olhando o que? Nossa, eu tô muito triste com isso, onde já se viu dar uma cozinha pro menino?
... e daqui segue-se uma discussão de umas 3 horas mais ou menos...

A minha questão é: eu estou maluca ou trocaram meu marido por um homem de Neanderthal e ninguém me contou?

Após muita discussão, ficou combinado que íamos consultar os amigos pra constatar quem afinal de contas ia ser internado em um manicômio especializado em assuntos sexistas. A escolhida fui eu! Todos os amigOs, e pior, as amigAs, estavam do lado do Marido das Pedras!!

Agora, gente, não é possível!! Um dos amigos me deu a idéia de publicar uma enquete nesse blog, então o Tirando o Sapato está aberto para a discussão, em prol da minha sanidade.

Deixem-me colocar o cenário.
Os personagens:
De um lado, quem vos fala, é a mãe do menino, terapeuta ocupacional cujo tema principal da tese de doutorado é "lazer e recreação". De brincadeira, ela entende.
Do outro lado, o pai do menino, que atualmente embora mantenha seus negócios no Brasil, na maior parte do tempo fica em casa cuidando do menino, lavando louça, colocando roupinha na maquininha, arrumando a casinha, lavando panelinha, fazendo comidinha pro nenê, essas coisinhas, enquanto a mãe do menino estuda e trabalha. Ele entende de negócios, mas de cuidar de casa ele também entende.

Os argumentos:
Da mãe: Resumidamente, brincar é a principal atividade para o desenvolvimento integral da criança. Através da atividade lúdica, a criança assimila e reproduz papéis sociais e comportamentos, processa e aprende como agir. Por essas e muitas outras, a brincadeira é o instrumento pelo qual a criança se prepara para a vida adulta. Por reproduzir o espaço social, a brincadeira é o maior meio de aprendizagem de habilidades como partilhar, ajudar e das próprias ações em geral. Por isso também, durante séculos, as brincadeiras infantis reproduziram a representação social da mulher, como "rainha do lar", responsável pelas tarefas domésticas e do cuidado das bonecas, digo, dos bebês, enquanto os pais saiam pra trabalhar com seus carrinhos. Hoje, caso ninguém mais além de mim tenha notado, as mães (as que optam por isso, obviamente) também têm seus carrinhos e suas ferramentas, e os pais (mas que surpresa!), podem até ficar em casa brincando de casinha. Logo, nada mais normal pra um menino que vê o pai brincando de panelinha, querer brincar de panelinha também! Na pior das hipóteses, ele vai ser um ótimo marido e um ótimo pai. Do tipo Made in Canada, que sabe que dividir tarefas de casa e o cuidado das crianças não é boa ação e nem "um exemplo de marido", mas meramente obrigação. Pra mim, com um certo exagero, mas só pra traçar um paralelo, não deixar um menino brincar de cozinha é como dizer pra uma criança que viveu em uma época pós-abolição dos escravos que ela ainda pode brincar de chicotear uma boneca negra, isso é, se ela tiver uma.
Do pai: Meu filho não brinca de cozinha! Daqui a pouco você vai querer da um mini-secador-de-cabelo e uma Barbie pra ele também!
- Claro, era exatament isso que eu tinha na minha lista de compras de hoje.

Eu sei, eu sei e até entendo a sua resistência, caro leitor(a). No fundo no fundo todos nós fomos crianças que brincaram ou de bola ou de boneca e em um país onde não existem por exemplo empregadOs domésticos e o gênero predominante na língua é o masculino. A mudança é dura e demora a entrar com fluência dentro da nossa arcaica representação social do mundo, mas não se deixem influenciar pela sua tendência machista, ainda que você jure ser feminista. E por feminista aqui não estou falando de queima de sutiãs, mas tão somente de um novo esquema de família-sociedade, que tende a funcionar muito bem quando os pais dividem as tarefas mas cada um sabe bem a importância do seu papel e sabe preservar as características do seu gênero.

De repente o tom ficou sério por aqui, perdoem. Mas é que como a minha brincadeira agora é isso de escrever blog eu preciso brincar pra entender o mundo e descobrir se estou realmente lelé-da-cuca, vanguardista desvairada, comedora de criancinhas ou se o problema é o mundo.

Se você acha que o pai está certo ligue para:
0800-EU-VIVO-NA-IDADE-DA-PEDRA-MAS-NÃO-ADMITO
Se você acha que a mãe está certa, ligue para:
0800-EU-PREPARO-MEU-FILHO-PRA-VIDA
Ou deixe sua opinião aqui mesmo. Se quiser deixar uma mensagem anônima por medo de retaliações, não hesite, pois a mãe está meio sensível ao assunto.

Enquanto isso, na sala de justiça, uma cozinha espera por um dono.

"Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais..." (Elis Regina) - É isso, apelei mesmo.

MURAL DE RESPOSTAS:
Flávia: As fotos foram um ponta-pé do irmão mais novo por aqui, mas agora eu aprendi! E não é que é fácil? Se até eu consegui, qualquer criança de 3 anos consegue, acredite.

Suzy: A sequencia das músicas eram 2 sertanejas pra 1 MPB, é aí que entram Toquinho ( o do Vinícius mesmo) e o Chico (Buarque)