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Excursão

Há muito tempo que eu não escrevo. E há muito tempo que me chamaram pra ser "embaixadora da Limetree"- chique, né? - Mas aí, vida vai, tese vem e eu falei que ia escrever, mas não escrevi.  Mas felizmente,  a vida não está deixando de acontecer só porque a mãe não tem tempo de escrever. Então vamos lá para um primeiro post que retrata um momento Limetree, contando um pouco da vida escolar por aqui.

Semana passada fui de voluntária ao Jardim Botânico com a turma de primeiro ano do Zackolino.
Há de se aproveitar enquanto a criança ainda fica orgulhosa de ter a mãe por perto. Não só por perto, mas sentada ao lado, andando de mão dada, incluida nas brincadeiras com os amigos: "Olha gente, é minha  mãe que vai com a gente!" - enquanto eu me acabo de alegria por ser a mãe que pode ir. Vida acadêmica tem lá suas vantagens: Eu sempre tenho a opção de ir as excursões e não dormir nas próximas 3 noites pra botar o trabalho em dia, mas ainda assim é uma boa opção.

Acompanhar papo de criança é uma coisa que me diverte. E é quase um mal inevitável de mãe sentir uma pontinha de orgulho besta ao ver seu filho exibir, em público e espontaneamente, algo que você prezou muito em ensinar, mesmo sem saber ao certo no que ia dar. Papo de criança imigrante é conversa pra mais de metro. Todos queriam saber que língua eu estava falando com o Zack quando um Português escorregava aqui e lá (nossa regra é falar sempre em Português, a não ser que outros estejam envolvidos na conversa, por educação). E daí uma longa e interessantíssima discussão de "quem nasceu onde" - a maioria dos amigos dizendo categoricamente: "Eu sou Quebecois", mas minha mãe e meu pai são... (chineses, coreanos, egípcios, argelianos...) e Zack discutindo que ele não, ele era brasileiro. Que ele tinha nascido em Montreal, mas ele era brasileiro, tudo dito em bom e claro francês-quebequense. Na visita a estufa, ao ler que várias plantas no setor de "plantas tropicais", eram de origem brasileira, ele saiu todo prosa anunciando pela fila que: "Todas as plantas daqui são do Brasil, gente, tudo, tudo, tudo do meu país". Nacionalismo fofo, acho mesmo.

Verdade é que é uma delícia dividir dias inteiros com os filhos, assim, sem laptop ou telefone por perto, com um único compromisso: se divertir junto e ser "a mãe legal" (desde então quando eu chego na escola vem um bando de amiguinhos me abraçar e falar: "Bonjour, la Mama de Zack!". Também acho um privilégio ver meu meninão brincando com os amigos, liderando jogos imaginários com a turminha. Mas legal mesmo é sentar pra comer o lanche. E tem coisa melhor do que lanche de excursão? E voltar de ônibus (daqueles escolares, amarelos) revivendo as aventuras do dia com os amigos do lado. Vontade de sair cantando: "Motorista, motorista, olha a pista..."

Enquanto isso, no mundo dos que ainda não vão pra escola, Letrina veio me contar faceira que tinha feito um cocô de letra. Me fez conferir o feito e disse com um sorriso de quem re-escreveu a Ilíada:
- Não ficou lindo mamãe? Eu não sabia fazer isso "amanhã", mas agora eu sei porque eu tive "veversário".
O veversário foi do pai, mas aparentemente serviu para alfabetizar o intestino da filha. Só apertando muito!
Este papo fecal todo vindo de uma princesa que "enpricesou" geral há alguns meses, é uma surpresa (porque todo mundo sabe que procurando bem, todo mundo faz cocô, só a bailarina que não faz?). A pessoinha não pode escutar uma música que sai dançando com gestos altamente princesais, e tudo, tudo, tudo, do penteado de cabelo, à roupa de Halloween tem que ser de princesa. E eu juro, de pé junto que a culpa não é minha. Eu inclusive, evito as princesas (principalmente as altas loiras e magras) arduamete, mas essa coisa de princesa vem embutida. E desde que a tia dela mostrou a Rapunzel "que tem um longo cabelo", nossa vida aqui vive de glitter, já que tudo que a varinha mágica (invisível) toca,  vira brilhante (cruzando a tênue linha entre fada madrinha, princesa e fazedora de scrapbook).

Enquanto isso, no mundo dos que estudam além da conta, a mãe, finalmente irá defender sua tese de doutorado nesta semana. Após o que, ela espera (mesmo sabendo que não vai acontecer), ela vai voltar a ser uma pessoa normal (e não tem uma vez que eu digo isso e que o meu interlocutor não pergunte: E normal pra você é o que mesmo???).





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Sem controle - Repostagem

Este post é o segundo melhor post do mundo (kkk, Parabéns Carol, pelo melhor post do mundo!) de acordo com o concurso da Limetree

Tudo começa com um pauzinho cheio de xixi. Um risquinho...opa, dois! E é dada a partida... lá vem elas, as primeiras de muitas que virão, sem aviso, quentes e sem controle rolando pela bochecha enquanto você vomita pela terceira vez no vaso sanitário.

Semanas depois é a vez do gel gelado na barriga, algo meio disforme e praticamente indecifrável mostrando no monitor, um som de surdo ritmado e alguém te diz que é um coração e, lá vem elas de novo, mostrando que vieram pra ficar, para marcar cada nova etapa desta total perda de controle que é virar mãe.

Mais semanas e lá está você, barrigão esquentando na tábua, passando uma a uma (pela primeira e única vez) aquelas roupinhas minúsculas, que logo devem ter dono, que logo vão estar cheias de dobrinhas gordas e risadas banguelas... enquanto passa você assite na TV uma propaganda de carro e um pai com um filho dentro e pronto... me dê essa caixa de lencinhos e você, que nunca chora em público (Freud explica) percebe que dalí pra frente, qualquer música que fale de crianças e pais, ou família e qualquer propaganda idiota de carro ou sabão em pó vão ser motivo, esquece minha filha...controle é pros fracos, ou fortes, ou para os que não tem filhos??

Passam mais semanas e sai de você aquela coisinha com cara de joelho depois de 13 horas de parto e enquanto desconhecidos costuram suas partes mais íntimas, elas correm não por causa da dor (uns dias depois será porque você não consegue sentar, mas vamos pular essa parte porque isso não combina com o tom melodrameatico do post...) mas por causa da alegria incontrolável, inexplicável de ver aquele serzinho com cabeça de cone e pele de meleca olhando pra vc...e elas virão também muitas outras vezes, cada vez que você colocar o dedo na frente do nariz dele para ver se ele ainda está respirando e constatar que ele ainda está, quando ele te olhar e rir pela primeira vez com aquela cara sem-vergonha de quem sabe que veio de dentro de você, quando ele colocar a mãozinha minúscula no seu peito enquanto mama com aquele barulnho único de nenê mamando todo satisfeito...

15 meses mais tarde, um gorduchinho muito descontrolado e desequilibrado vai dar uns 3 passinhos e cair de bunda no chão e você, camêra em uma mão e a outra estendida pra acudir, vai sentí-las rolando de novo. Dias depois vai deixar o mesmo desengonçado aos berros na escolinha e dia após dia, durante duas semanas você vai deixá-lo chorando e vai sair chorando mais ainda (talvez com menos berros) pelo portão, se sentindo a mais culpada, a mais carrasca, a pior do mundo por ter que trabalhar...até que um dia você sai e não escuta um berro, ao contrário, escuta ele se acabando de rir enquanto a professora canta uma música e aí minha amiga... você vai chorar também porque francamente..."como assim??? Feliz sem mim???"

O primeiro mã-mã, a primeira viagem ao Brasil, é lágrima pra oceano nenhum botar defeito...no verão passado foi a primeira vez de bicicleta sozinho e sem rodinha, totalmente livre pra ir e vir, um grito de liberdade, mais um passo de independência, só faltou as margens do Ipiranga...

Semana passada foi uma punhalada... ele virando todo grande, e dando tchau pra escolinha que o acolheu nos últimos 4 anos...você vendo nele pela primeira vez um ar nostálgico, de quem sente o peso de estar crescendo...um tchau definitivo, de quem parte pra novas aventuras. " Eu posso vir visitar a Nina, mamãe?" - "Claro que pode filho!" - Quisera eu poder te visitar pequenininho também...não posso, passou.

Outro dia foi no Wal Mart... pegando um pacote de canetinha, lápis de cor, etiqueta pra colocar nome, estojo...aquele cheiro de material novo, de mundo tão grande por descobrir, tantas aventuras por viver, tantos desenhos a colorir, estórias pra escrever, amizades por fazer... para os outros que passam e se perguntam "por que aquela doida está chorando no corredor da papelaria, os preços no Wal Mart são baixos, mas também não é de chorar", aquilo é só um supermercado, só um pacote de canetinha... pra você aquilo é mais um portão que se abre, e que se fecha com sua cria, a razão das suas lágrimas lá dentro e você de fora, sendo testemunha mas não sujeito, chamada só para as reuniões a cada 3 meses...- Coisa doida gente, essa sensação de sair de cena...um palco tão grande e meu meninó tão pequeno, com todos os holofotes só nele...E pensamentos de "homeschooling" invadem a sua mente...tudo passou tão rápido... em vão... o mundo está lá, e você, que sempre foi fã número 1 de escola, de escrever bilhetinho com poema pra professora, de passar horas na biblioteca escolhendo o próximo livro... sabe que essa experiência é tão necessária quanto imperdível... você não quer que ele perca, e sabe que seu coração bate mais forte junto com o dele, só de pensar no tamanho e na amplidão que o espera logo ali, a dois quarteirões de casa...

Estão lá na porta a mochila de sapo, a lancheira combinando e a agenda com bilhete para a Madame Lily ("Ela tem o mesmo nome do meu peixe! Disse um Zack muito surpreso")... e aqui estão elas, rolando soltas enquanto mamãe escreve e pensa... meu filhote, tão grande, tão moço...menino de escola, como disse a vovó...começando mais uma etapa dessa aventura sem volta, eita mundão...

É a promessa de vida no seu coração, já diria o Tom... feliz primeiro dia de escola filhote!!! Vai que o mundo é seu! Fica aqui sua mãe, sem controle nenhum da "grandura" que vem pela sua frente, mas na torcida por uma aventura descontroladamente maravilhosa.


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Perguntê

Enquanto aos quase 6,  ele questiona a essência das coisas atemporais:

- Mamãe, Jesus usava cueca?

Ela aos 3 questiona a lógica das ações humanas:

- Mamãe, deixa eu experimentar o seu sorvete?  - diz ela com o seu pote de frozen iogurte cheinho e intacto na mão.
- Não filha, você tem o seu.
- Mas mamãe... - com cara de quem tem um plano - eu sou seu amor?
- Sim, filha, você é o meu amor - com cara de quem sacou o plano mas vai ver o final.
- Então... tem que dividir as suas coisas, lembra?
- É Ninoca, eu lembro - Moleca esperta e gulosa 1 X Mãe egoista que no fundo não queria dividir o sorvete mesmo  0.


Porque ter filhos é não ter respostas e dar o braço a torcer. Ou se fingir de morta, o que funciona tão bem quanto, dependendo do humor e da pressa.




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Primavera 2012

Estamos sumidos, mas estamos assim:
Uma mãe que não faz mais nada a não ser escrever tese sob altas doses de qualquer coisa que a mantenha  acordada...
E que por isso está perdendo os primeiros radiantes dias de sol no hemisfério norte com a família,  além de estar perdendo tudo mais que esteja acontecendo fora do seu computador...
...tudo isso em nome de três letrinhas depois do nome e quiçá, de um mundo um pouco melhor para crianças com deficiência e suas famílias (e que por isso fica feliz quando vê essa pintura aí na parede da academia, na qual ela vai, quando vai,  à 1 da manhã
Uma mãe que por sorte, tem um marido que vale ouro e assumiu total as rédeas das casas e crianças... e uma mãe pra fazer lanchinhos saudáveis em noites de desespero...

...e possibilita três gerações de sandalinhas brilhantes...

Enquanto isso, as crianças, não sem ressentimentos seguem tomando lanchinhos ao sol...


...Escrevina decidiu se autoalfabetizar e desenha orgulhosa as letras "da mamãe" (M e A), ela também anda toda prosa com suas poses de ballet e seus desenhos da mão e de sol com muitos raios, de uma fofura interminável que não pode ser capturada em fotos, só em amassos (os quais aliás, ela deixa dar "bem forte")...

Enquanto Moçack pode ser declarado oficialmente alfabetizado e desenhista de primeira, além de violinista e o menino mais queridinho que eu conheço, e digo isso com precisão científica ...


Resumidamente e nas fotos que eu consegui subir em 2 minutos nesse novo blogger que eu não to entendendo... é isso!




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Equívocos aos 5 anos

Vai que o Facebook acaba e tudo some...


Pequenos equívocos bíblicos by Zackolino hoje na hora do cultinho: 

- Moisés passou no mar vermelho porque quem estava indo atrás deles?
- Os... índios?

- Jesus falou, eu senti que de mim saiu po...
- ...tássio?
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Plim Plim

Ah que eu tinha esquecido da propaganda!!
Participei de um vídeo super global no Minha mãe que disse, com participação especial dos meus pimpolhos no finalzinho! Achei certo participar porque o assunto é muito pertinente à minha pessoa: Grávidas e Loucas. Mas não, não estou grávida, só louca mesmo! :-) Confiram bem aqui: http://minhamaequedisse.com/2012/04/exclusivo-tv-mmqd-olha-nos-olhos-do-perigo/!
 (Principalmente se você tiver que fazer alguma outra coisa bem importante, mas não estiver a fim!)
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Procrastinação - ou Porque eu não posso trabalhar em casa

Parece conveniente ficar de pijama o dia inteiro, mas a verdade é que tentando trabalhar na minha tese em casa ontem eu:
- Arrumei todos os meus imas de geladeira (muito importante, como todos sabem)
- Fiz uma triagem dos trabalhos artísticos das crianças (urgentíssimo na lista de prioridades)
- Arrumei a biblioteca das crianças (havia chegado a hora)
- Joguei 5 sacos de lixo fora só andando aleatoriamente pela casa
- Comi 20 brigadeiros com damasco (restos da festa da amiga no Domingo)
- Fiz uma análise dos meus dados (ah sim, eu tenho que terminar minha tese em um mês!)
- Arrumei uma das planilhas que tinha um erro (ufa! que dia útil! Ainda bem que eu fiquei em casa pra trabalhar)
- Carreguei todas as fotos de 2012 no album eletrônico (minha mãe pediu e pedido de mãe não se nega)
- Comi mais uns 10 brigadeiros (almoço)
- Marquei no livro as receitas de cupcake que eu quero fazer em breve (planos para o futuro, recompensa pelo trabalho árduo)
- Quando fui escovar os dentes conclui que precisava de uma escova nova, então fiz uma caminhada de 30 minutos ate o supermercado para comprar uma escova (exercício e oxigenação do cérebro aliados a necessidade de trocar sua escova a cada mês - saúde é o que interessa, a tese não tem pressa!)
- Quando cheguei em casa de volta descobri que a escova, que eu tinha colocado no bolso, tinha caído em algum lugar pelo caminho (obviamente eu só descobri isso quando fui escovar os dentes de novo e fiquei pensando... pera aí... eu saí pra comprar a escova...)
- Entrei em pânico pela escova, mas conclui que a real causa do pânico era porque já era oito horas da noite e eu não tinha feito nada.

E é por isso que hoje eu vim para um café, onde minha única distração é a internet... e daí achei justo e certo escrever isso.

E é por isso que a partir de amanhã eu vou para uma ilha deserta sem internet ou qualquer outra coisa em um raio de 100 kilômetros.


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Escrevi semana passada e chorei tanto que esqueci de publicar!

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Filhotinha gostosinha, nervosinha, safadinha, deliciosinha, espertinha, cheia de personalidadezinha.

3 anos de você não tem sido qualquer coisa. Três e como?? Não faz nem um dia que era madrugada de um mês antes do que era pra ser e você decidiu que já estava bom, vamos sair que o mundão era grande demais pra ficar perdendo tempo lá dentro no escuro. E com a luz do mundo de fora, veio minha menininha, bochechuda desde o dia 1. Irresistível e perfeita, meu pedacinho de mundo.

No seu primeiro banho você ficou vermelha da cor de uma lagosta e nem o banho de luz fez você se acalmar, de óculos de sol e luzinha quentinha pra mandar embora o amarelão você já batia perna e mostrava que não veio ao mundo pra ser contada história. Você veio pra contar a sua, pra escrever com graça, caras, gestos e frases tão únicas a sua própria, e mudar de quebra cada linha da nossa.

Em 3 anos não tem uma pessoa que te conheça e não se apaixone. Quer seja dizendo que você é "tão fofa" - com a nossa total concordância, ou dizendo que você "tem uma personalidade forte, não?"- com o que também temos que concordar. Quer seja pela fofura ou pela tal personalidade, você quase sempre consegue dobrar qualquer um. Na hora de dormir você faz uma carinha de matar, coloca a mãozinha no meu peito e pede em um tom completamente inegável: "Mamãe quentinha, dorme comigo só um pouquinho?!" - e é assim que em 85% das noites nos últimos 3 anos eu acabo capotando com você bem abraçadinha e acordo toda torta, de maquigem na cara e roupa de trabalho as 2 da manhã. Nos outros dias você diz: "Eu quelo ficar sozinha"com a mesma ênfase, mas as vezes, horas depois você grita chamando a mamãe pra passar um creminho na barriga que coça, colocar um bandaid em um machucado invisível. De todo jeito, eu tenho que te confessar, que estas horas de abraço apertadinho, mãozinha no meu peito e você inteirinha enroladinha colada comigo são as horas que eu mais amo no meu dia, que eu me sinto mais inteira, que me fazem rir por dentro e chorar por fora ao pensar que estes momentos não podem ser congelados e guardados pra sempre. Muito ao contrário, 3 anos se passaram e eu não tenho a menor pressa que eles continuem passando, porque eu não quero nem pensar como vai ser triste o dia que você enroladinha não encaixar mais em mim.

Sabe Ninoquinha, Maluquete, Mamita Gordita, Nineta... é difícil mesmo definir quais são as coisas que mamãe deveria enfatizar nesses seus 3 anos. Você é mesmo uma definição completa de um raio de sol. Você nos faz rir de um jeito sem explicação, porque filha, você é engraçada! Você desafia nossas melhores concepções de educação com suas sempre novas e desafiadoras ideias. Você sonha com aranha e decide que tem que passar o dia de meia para a aranha não subir no seu pé. Você sabe exatamente qual penteado quer em qual dia (pony tail- "bem alto", cocotinha, maria chiquinha, duas trancinhas - porque o Zack gosta, ou trancinha de ladinho - igual a mamãe). Você é capaz de contar seu dia inteirinho em detalhes, gestos e frases sem parar de falar por mais de 30 minutos - não é exagero, você consegue! E sim, você só tem 3 anos. (Mensagem para o marido no futuro: Viu, não diga que eu não avise!), quer dizer, você só tem 3 agora, mas faz isso desde os 2. Aliás, perdi as contas de quantas vezes eu já escutei: "Mas ela só tem 3 anos?? E fala assim? E dança assim? E canta assim?"- É, Tutuca, você é assim!

Você, minha mocinha, é completamente louca de paixão pelo seu papai. E é só ele ter que ir pro Brasil que você fica triste, e chora, e sofre de cortar o coração. E é por isso que quando você acorda de manhã e vem pra nossa cama, é seu papai que você quer abraçar. E eu acho vocês dois a coisa mais linda de ver, parecem um ursão polar abraçado com a ursinha panda. Sério, parece muito! E é óbvio que a loucura é recíproca. E como não ser!

Não preciso falar das suas proezas, de como você pega um lápis certinho e já desenha um "happy face"e um sol com muitos raios! Não vou falar de como acho lindo você usar sempre plurais corretamente com sua linguinha presa no "S" e do seu vocabulário enorme pra sua idade. Não vou falar como na escolinha suas amiguinhas ficam completamente enlouquecidas quando você chega e vêm correndo e gritando: "My Nina"e saem no tapa (literalmente) pra te abraçar até que todas caem no chão... em um ritual que eu agora acho engraçado, mas olhando de longe dá um certo medo! - Então, não vou falar sobre nada disso porque a sua mãe não é assim, sabe, de contar vantagem, de não saber falar de outra coisa que não seja você e absolutamente não acha que você é a menina mais linda e esperta do mundo (mas que você é, isso é um fato!).

Já falamos do seu pai, da sua mãe e agora falta seu irmão. Ai filha, você veio assim achando que só estava nascendo sem muitas pretensões. Mal sabe você que, enquanto eu e seu papai já éramos pais antes de você, você veio mudar por definitivo a vida do Zack, que com você virou irmão. E que irmão. Acho que faz parte do papel de irmão mais velho cuidar e proteger, mas o seu irmão, ele tem gosto, sabe? Ele veio falar ontem "lembra mamãe, quando a Nina era bem pequenininha assim? (fazendo com a mão o tamanho de uma caixa de fósforo, mais ou menos). Seu irmão além de ser seu defensor e protetor, é também seu fã. E é pra ele que você vai quando tem que ir até o quarto trocar de roupa mas não quer ir sozinha, quando você precisa de ajuda pra subir em algum lugar, pra fugir do monstro (vulgo Papai). Vocês dois são a aliança do poder. Você e o "Seu Zack", como você faz questão de enfatizar, vão ser assim, vocês dois pra sempre, eu tenho certeza. E isso também aquece meu coração nestes seus 3 anos, de saber que, Deus queira, vocês vão ter vocês pra sempre.

Seu aniversário foi uma festa do chá japonês, com logos e coisinhas com a sua cara! Aprovados por você, é claro! Mas mais do que cupcake enfeitado que você tanto ama, bisnaga de brigadeiro que mamãe fez mais pra ela mesmo, o que eu espero que você lembre destes seus 3 anos é saber que com 3 você já é tão você, e nós, somos tão unicamente nós, por causa desse pedacinho de gente que acorda falando "ei!" pra quem estiver por perto, que fez os últimos 3 anos mais cheios de amor e presilhinhas, de risadas e apertos beeeem fortes. Tão bom ter você!

Feliz Aniversário filhinha! E se der, não cresce mais não?

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Autoestima

Eu já li e já ouvi muitas vezes que uma das habilidades mais importantes a se desenvolver em uma criança é a autoestima.

Criança que tem confiança em sí e que acredita ter a capacidade para vencer desafios não se deixa abalar pelas adversidades, é resiliente. E é aí que entra também a discussão sobre o excesso de incentivos "falsos" que pais podem dar, no sentindo de dizer que tudo que a criança faz é bom, bonito, o melhor e tal. Ao contrário do bom incentivo e na medida certa para que a criança perceba que, merece sim os créditos por algo bem feito, o reforço positivo, que a fará eventualmente acreditar que pode realmente fazer o que quiser, desde que esforce-se para tal. E mais que isso, que ela realmente sabe como ser ótima, independentemente do que outras pessoas possam dizer.

Daí que você tenta fomentar este tipo de autoestima, aliada à uma confiança inabalável também em Deus, ou seja, juntos, você e Deus sabem como ninguém como ser uma pessoa sábia, correta, querida e feliz. Daí vem o seu filhote de cinco anos e aos prantos diz que não quer vestir a camisa do "Cookie Monster", porque algum amiguinho falou que aquela camisa era de bebê. Não só falou como chamou outras crianças para confirmar sua tese. A camisa que semana passada ele escolheu e pediu pra vestir. Depois que a vontade de sair e fazer justiça com as próprias mãos, dar um soco na cara do moleque e falar que "bebê é você, seu otário! Vai mexer com alguém do seu tamanho", você pensa que talvez, só talvez, esta não seja a melhor solução, se recompõe e com toda a calma do mundo bate um papo cabeça sobre ser ou não ser, acreditar no que os outros dizem, quem são seus amigos, quem é você e o que fazer quando alguém fala alguma coisa que você não gosta. Troca-se a camiseta, sai o menino pra escola, fica a mãe pensando que cada vez mais ela sabe cada vez menos, e lá fora o mundo cresce sem controle.

As vezes eu acho que exagero. Que esta é realmente só uma questão sobre gostos de camiseta e um menino meio bobo (não o meu, obviamente), contra um menino muito bonzinho (o meu, obviamente) tendo uma discussão mais boba ainda durante o recreio. Mas e se não for? Saudade do tempo que minha única preocupação era a cor do cocô, e uma leve impressão de que mais fácil não fica.
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Atualizações

Este negócio de facebook (fala a senhora no fundo da sala, agulha de crochê em mãos, que ainda acha que Facebook é novidade) está acabando com a já pouca frequência de postagens por aqui. As coisas acontecem e o ritmo de lá é tão mais rápido do que o de cá, e não necessita parágrafos introdutórios nem explicações. Joga-se a frase solta e pronto. Tchi-bum (foi a melhor onomatopéia que eu achei pra atualização!Certeza que não faz nenhum sentido), tá lá, todo mundo vê, comenta e curte... será este o triste fim do blog? Espero que não. Porque o objetivo daqui era prover algo da memória que me falta para Ninoca e Zackolino no futuro rirem de sí, e das fofurices, e dos causos da vida de cada dia... e no Facebook, vai que ele some que nem Orkut? Pelo menos no blog eu tenho todos os textos no email! Medo!

Bom... vou colocar umas coisinhas exclusivas aqui que é pro Sr. Blogger não ficar tão chateado, o tema de hoje são "Jogos":

Ninoca e um dos nossos sempre divertidíssimos papos-cabeça na volta da escolinha:
- Olha mamãe, é um jogo...
- Como é, filha?
- Eu falo alguma coisa e você fala: "que gostosa!""

Vejam bem que eu venho jogando isso há tanto tempo que ela achou que era hora de formalizar a situação.

Enquanto isso, no mundo dos que vão à escola "dos grandes"... Competitack veio me informar que para o seu aniversário (de 6 anos, daqui há 5 meses) ele está organizando um campeonato com as meninas... com as meninas ? Sim, me explicou o moço, com as meninas, porque os meninos já estão convidados, mas as meninas...ah, as meninas, vão ter que participar em uma série de jogos (que incluem amarelinha, desenho, partida de BlayBlade e jogos de neve) e só as campeãs serão então convidadas para a festa. O motivo, explica ele para uma mãe horrorizada, é que não dá pra chamar todas as meninas para a festa! Prova disso é que os seus amigos mais próximos só chamaram os meninos, inclusive, a mãe do Albert disse que ele não poderia chamar ninguém da escola para festa de 6 anos, mas só para a de 7. Aparentemente existe uma política de festas no nível escolar que eu ainda não domino. E nessa eu fiquei sem saber se achei um horror o meu filhotinho estar estabelecendo tais regras (e como eu disse pra ele, você deve convidar quem é seu amigo, e amigo não tem que fazer nada pra merecer sua amizade), ou se isso faz parte do processo social. Acho que eu não estou pronta para lidar com este mundo de escola onde a gente tem tão pouco controle da situação. Então eu decidi voltar no tempo uns 3 anos, só para eu me preparar melhor...

Eu acho... só acho que essa coisa de jogo está meio que exagerada aqui em casa... vou ter que revisar as noites de jogos que fazemos com os amigos, e talvez o meu comportamento durante as mesmas. Chegou aquele momento definitivo onde você se depara com o inevitável: seus filhos são você. Medo! O mundo está mudando muito rápido! - Diz a senhora no fundo da sala, agulha de tricô em mãos e uma leve impressão de que nada disso tem volta...




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Desabafos de uma mãe doutoranda

Esta semana eu dormi no total, 9 horas, desde sábado. Não é exagero, acabei de contar. Hoje é quinta.

Acho que cheguei no ponto em que posso dizer seguramente que nunca estive tão cansada, tão estressada, tão sem paciência e com tanto sono na minha vida.

Nesta semana: esqueci de abastecer o carro e fiquei sem combustível no meio da ponte, tive que ser guinchada até o posto e contar com a imprescindível ajuda dos amigos queridos (valeu mesmo Márcia e Silvio) para ir buscar os filhos nas respectivas escolas. Esqueci a chapinha ligada um dia inteiro e quando eu voltei a pia estava fervendo (e não, eu não passei a chapinha no cabelo de manhã, porque eu basicamente achei legal ligar a chapinha e ir embora), saí de casa sem casaco (num frio de -9 graus) e só percebi quando cheguei no trabalho (tá bom, foi semana passada, mas ainda entra na conta do descerebelamento), Atrasack chegou na escola atrasado dois dias, perdeu aula de violino e natação.

Só pra se ter uma ideia, cheguei no ponto de passar no drive-thru do McDonald's, comprar o lanche e deixar as crianças comerem assistindo televisão enquanto eu solenemente escrevo este post, pela pura e simples falta de força física para fazer janta ou subir a escada e botá-los pra dormir. Tamanha é a gravidade da situação.

Em compensação, eu analisei 500 páginas de estatística (não é exagero, eu abri uma resma de papel sulfite e gastei-a inteirinha - aliás, faltaram ainda algumas páginas), enviei dois artigos para publicação e submeti 2 resumos para conferências e uma "aplicação"de pós doutorado de 123 páginas (também não é exagero), além de avaliar 3 novos pacientes para minha pesquisa.

Sílvio: - Você quer trocar esta vida acadêmica maluca e este título de PhD inútil por uma noite inteirinha de sono e uma praia com água de côco e tempo para brincar com seus filhos?
Keiko: - Siiiiiiiiiiiiiim!

PS - Maridex está no Brasil esta semana, e é quando eu tiro o chapéu para qualquer mãe solteira. Eu não dou conta.

PS 2 - Você, mãe dedicada e companheira de guerra que estiver sentindo-se a pior mãe por ter ignorado seu filho por 5 minutos por qualquer razão bem justa, não se acanhe, lembre-se que em algum lugar do mundo sempre tem uma mãe pior que você.




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As aves que aqui gorjeiam...

Em qual dessas palmeiras eu encontro o tal sabiá?


Diz a lenda que uma vez que você deixa seu país natal, nenhum lugar mais te pertence e você não pertence a nenhum lugar. Eu ainda não me livrei dessa coisa de voltar ou ficar. Basta uns dias nos Brasil, uma prainha perfeita e umas águas de côco, uns amigos tão queridos que conhecem meu passado mais que eu, uns irmãos, uma família que faz sentir que você pertence ao mundo, muitos priminhos nacionais para brincar com os priminhos gringos e pronto, eu volto pra cá sofrendo. Fazer a viagem do positivo pro negativo na temperatura e na vida não ficou mais fácil depois de quase 7 anos de Canadá.

Se a terra de lá tem palmeiras pra sabiá nenhum botar defeito, a de cá tem uns pinheiros até simpáticos que insistem em ficar verdes mesmo no inverno.

Não é que falte primores nesta terra de cá. Lá não se faz pesquisa como cá e dificilmente eu iria viajar e sair apresentando meu trabalho por aí se estivesse na terra de lá, com o tal do sabiá (foi só pra rimar, confesso). Por outro lado, poucos primores se comparam ao fato de ir dormir com uma sacola cheia de roupa suja e ao acordar encontrá-las devidamente lavadas, passadas e dobradas ao seu lado. Sim, eu disse passadas. Minhas roupas mal resistiram a tal brutalidade, não viam ferro há anos.

Vamos combinar que as aves daqui não tem medo de assalto e normalmente não ficam horas no trânsito para qualquer deslocamento. Elas moram em casa com quintal e parque no fundo, sem muro e com cara de série de TV. Por outro lado, elas não gorjeiam mesmo, porque quem é doido de sair gorjeando num frio deste. A pobre ave antes de pensar em gorjear tem que botar casaco, bota, meia, luva, cachecol e dar sorte para o ônibus passar na hora que ela chegar no ponto. Se não, meu amigo, não há gorjeio que o faça. Sabiá sente falta de sair de casa com a roupa que está, assim, em menos de 20 minutos, pra poder gorjear em paz.

Não ajuda o fato que lá é só férias e aqui só trabalho acumulado. Acho até que Brasilina e Nacionalack vão acabar com uma visão bem distorcida do Brasil... meio mesmo à Gonçalves Dias... da terra que tem Palmeiras onde a gente pode subir, dos primores de comer vários picolés por dia, almoçar pastel, poder comer qualquer besteira "desde que seja bem nacional"(sic Zack), e brincar o dia inteiro com primos e amigos até cair de cansaço. É óbvio que encontremos mais prazer nós lá.

Espero que a nostalgia vá embora com a marquinha do biquini, porque este saudosismo não faz bem para um coração em abstinência de pizza de catupiry.