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Explicações e traduções sobre o post anterior para aqueles que não moram dentro do meu cérebro:
(Mas cá pra nós, Thiaguito, achei que você me conhecesse melhor! :-)

1. Por alguma razão que deve ter a ver com a colonização inglesa, coisa e tal sobre a qual eu sei muito pouco e por tanto nem vou arriscar explicar (e nem vou "gogglar" porque sou preguiçosa mesmo), o Canadá é, ainda hoje, uma sucursal da Inglaterra. Logo, quando por exemplo, você ganha a cidadania canadense, tem que jurar fidelidade à Ellie (Elizabeth, para os menos íntimos) o mesmo é valido para quando você assume posições no governo federal. No meu caso, eu ganhei, depois de um longo e doloroso processo que inclui investigação do meu passado criminal, impressões digitais etc e tal, acesso à base de dados do " Estatística Canadá" , para minha pesquisa. Para ter acesso a tal base, eu tive que assinar um documento, dizendo que eu reportaria todos os dados à tal Rainha e juraria não revelar informações confidenciais (portanto cuidado, eu tenho acesso à sua declaração de imposto de renda! HAHAHAHA - risadas macabras - mentira ta gente, não tenho não. Mas eu tenho acesso à informação do Censo - mas nem adianta perguntar porque eu não conto nada pra vocês, se não Ellie me manda pra prisão e eu tenho filhos pra criar!) -- ok, fazendo "a longa história curta" , em bom Inglesês, o que eu quis dizer era que eu tinha assinado o tal documento, e acho muito engraçado, em um país como o Canada, as pessoas ainda terem que jurar fidelidade à uma rainha que aposto, nem fala: eh!

2. Resposta pra Zack:
Por que não.

Mentirinha gente, todo mundo sabe que "por que não" não é resposta! Principalmente para um menino de 3 anos cujo tio ensinou essa @#$%^ frase pra ele.

Eu disse que alguns bichos tem cabelo, outros não, alguns tem patas, outros tem nadadeira etc e tal. A coisa começou aí e terminou na grande discussão sobre o homem também sendo um animal, que fala e pensa...e tem cabelo, é claro! - Mas não todos. Ou seja, homens são baleias.

3. Carência de resoluções:
Essa era só uma pergunta sobre até que dia de 2010 eu tenho para tomar vergonha na cara e começar a botar em prática as hipotéticas resoluções para 2010 - como por exemplo, ir dormir cedo ou não comer mais do que 2 doces por dia. - Malditos cupcakes!









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Enquanto a retrospectiva do Batman cozinha...

Estou devendo a a retrospectiva 2009 do meu Batmack. Ela está em compilação, hora dessas sai do forno, espero que não queime.

Enquanto isso, na sala de justiça...

Essa semana assinei um acordo entre mim e a Sua Majestade a Rainha Elizabeth. Ela me dá acesso à base de dados do governo federal, eu prometo, aliás, eu juro não contar nada confidencial pra ninguém. Eu que entendo absoulatemente nada de política me pergunto: O que a velhinha tem ainda que ver com isso, minha gente?

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Perguntas essenciais à sobrevivência:
- Mamãe, por que a baleia não tem cabelo??

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E reflexões de alto teor filosófico (minhas desta vez):
- Qual é o prazo de carência para resoluções de ano novo?


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Se você, como meu amigo Thiago, não entendeu nada, vide post acima.





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SIM!

Interrompemos esta retrospectiva 2009 que só vai acabar em 2012 para noticiar um evento de extrema importância.

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Há exatos 10 anos, a uma hora dessas (5 da tarde) eu estava dentro de uma banheira de hidromassagem, com pétalas de rosa. Depois fui ser maquiada, penteada e engomada enquanto minhas amigas queridas (exceto uma que estava fazendo vestibular, certo Ny?), madrinhas, também se arrumavam e todas conversavam empolgadas, no maior clima de porta de escola, para as 20:00 em ponto estar na porta da igreja.

Não muito longe, nessa mesma hora, um certo moço estava jogando baskete. Depois de jogar baskete ele iria nadar com meus primos e irmãos no maior clima de ginásio de escola, e depois disso, lá pelas 19:30, ele iria tomar um banho e botar um terno para as 20:00 estar na porta da igreja.

Meses antes, viajávamos para Caldas Novas quando entre conversas sobre a vida e o amor ele disse: "E se a gente casasse?". E eu, com aquele sentimento no coração que só se sente uma vez na vida, eu acho, quando realmente se está frente a frente do seu grande amor, disse: "Você tá louco?" - não,não, brincadeirinha, eu disse: "Puts! Boa idéia!'É isso, vamos casar!" (naquela época ideia tinha acento:-). Tá bom, vou falar a verdade: Eu não tenho a mínima ideia do que foi a gente disse, mas o importante é que foi ali que a gente decidiu que nossa vida ia mudar pra sempre (aaaa, que lindo, gente!).

Era Julho de 1999 e achamos que seria legal se casássesmo dia 9/9/99, só pra ser divertido. Aliás, a gente sempre foi um casal divertido. Meu pai, confesso, não achou tão divertido assim, dado o fato de que eu tinha 18 anos e estava o primeiro ano da faculdade. Com o tempo, e a falta de opção, ele se acostumou com a ideia e foi ele que me buscou lá no salão do primero parágrafo, não no dia 9/9/99, porque a igreja já estava reservada, mas no dia 09/01/2000 - para entrar comigo corredor abaixo e me entregar, "de mão beijada", para o meu príncipe galeguinho(aaaa, e tem coisa mais linda do que noivo esperando noiva, lá no fim do corredor com aquela cara de bobo, todo contente?). Aliás, não só me pai como metade do mundo, achou que isso era um surto, um absrudo, onde já se viu, que casar cedo era bobagem, que não ia dar certo. 10 anos depois cá estamos nós pra provar o contrário.

Entre lá e cá, muita água passou por baixo da ponte, mudamos de casa 4 vezes, de país 1 vez, de cabelo, de peso...mas o que não mudou foi, clichê quanto seja, o meu amor pelo meu Princhucão (aaaa gente, coisa linda mesmo o amor!).

E daqui pra baixo a coisa fica pessoal e melosa. Crianças ou não-sentimentais, por favor saiam da sala.

Eu sempre soube que ia casar, mas nunca achei que ia casar com o homem perfeito, até porque, diziam as más líguas, homem perfeito não existe. Mas um dia ele apareceu, de terno azul (juro, era azul mesmo, azul Royal). Perfeito pra mim. Nestes 10 anos eu deixei, em vários sentidos, de ser uma menininha, afinal, eu tinha 18, 16 quando nos conhecemos, virei uma "mulher" (nossa, ficou brega a beça essa frase, dá pra botar numa música do Roberto Carlos - mas como meu amor adora Roberto Carlos, então deixa estar - puts, eu tinha acabado de falar que ele era perfeito, né? Tinha esquecido desse detalhe:). E depois de 10 anos de casado a gente realmente aprende que a perfeição não se trata de olhar para alguém e ver tudo o que você pensa ser correto ou melhor, mas sim é olhar pra trás e pensar: Eu não poderia ter sido mais feliz, de nenhum outro jeito, com nenhuma outra pessoa.

Essa felicidade não foi só das tantas e inacreditáveis surpresas que ele fez pra mim como o cruzeiro no nosso primeiro ano de casados, onde além do cruzeiro surpresa eu ganhei uma mala de "roupas novas-surpresa" pra usar no cruzeiro, ou o passeio de balão no meu aniversário. É claro que eu adoro um mimo, não vou dar uma de Madre Teresa, mas a felicidade, todo mundo sabe, vai muito além disso e mora mesmo nas pequenas coisas do dia-a-dia. Felicidade é 10 anos de caretas tão engraçadas que me fazem rir mesmo nas situações mais improváveis, é carregar todas as malas só pra eu ficar folgada e não carregar nada, é sempre me deixar na porta dos lugares e ir estacionar o carro lá longe, e depois buscar o carro, é me chutar da cama para eu ir pra aula só porque tinha prometido pro meu pai que eu ia estudar e virar doutora, mais do que isso, é me levar de carro pra São Carlos (3 horas de viagem), me deixar na porta da aula e voltar para São Paulo (mais 3 horas) só pra ficar mais um pouquinho comigo mesmo que fosse comigo roncando no carro, é lanchinhos da madrugada, preparados quando eu estou estudando desesperada, é sempre deixar o melhor e maior pedaço da sobremesa pra mim, é sempre saber qual é o horário do café da manhã nos hotéis para ter certeza que eu não vou perder, é sempre me deixar escolher o meu prato e o dele, só para eu poder escolher 2 pratos que eu quero e não ficar em dúvida, é carregar meu avô no colo quando ele teve derrame, só pra levá-lo no clube com a gente, é sempre lembrar de levar sobremesa dietética para minha avó que era diabética, é sempre me lembrar de pegar meu pendrive, chaves e óculos quando eu saio de manhã, é me dar um filho que é tão engraçado quanto ele e uma filha que segue pelo mesmo caminho, é topar dar uma parada nos seus próprios projetos para apoiar os meus, é corrigir listas de referências biográficas e fazer médias de alunos para eu poder dormir, é sempre dizer "compra tudo!" quando eu ligo de uma loja em dúvida entre a bota preta ou marrom, ou sempre ter as melhores soluções, mesmo que eu discorde no começo, é tantas coisas que essa lista renderia uns 10 posts, no mínimo.

Meu Docinho (eu sei gente, chamar o outro de Docinho em público é dose...mas eu tive que fazer, já que esse blog virou o local oficial das declarações especiais), aprendi tantas coisas nestes 10 anos com você, mas mais que tudo, aprendi a te admirar. Pela sua generosidade de um coração que eu nunca vi tão grande, pela segurança que você me transmite mesmo quando estávamos a caminho do hospital para reconhecer o corpo do meu pai, ou com o carro derrapando na neve prestes a cair em um abismo ou com um pneu furado no meio da estrada, de noite - eu nunca tive medo, sabendo que você estava ali, do meu ladinho, mão com mão. Passamos por coisas que caberiam em mais de 10 anos, rimos tanto, até fazer xixi na calça (eu, pelo menos - olha o vexame), cantamos muito no Uniarte, onde nos conhecemos e depois em coral, no chuveiro, na pousada, no restaurante, pra barriga, pros bebês, tivemos 2 filhos, dormimos muito e as vezes pouco, viajamos tanto e fizemos outras coisas que eu não posso contar em público :-) E mesmo nos eventuais e raros momentos de discórdia, eu nunca tive dúvida de que você era meu grande amor, amor pra 10 anos, amor pra vida inteira.

Eu sempre amava quando você dizia que eu era sua paz, e essa manhã você disse de novo, enquanto cantava pra mim, e é isso que eu quero continuar sendo. Sua paz de acordar sempre sorrindo, sua paz de não fazer nada, ou tudo juntos, sua paz para novas aventuras, sua paz para brincar e ver nossos filhos crescendo, indo embora e nós dois, com cara de maracujá, por outras tantas dezenas de anos abraçadinhos, minha mão no passador de cinto da sua calça, você me segurando para eu não cair quando tropeçar sozinha como sempre faço, um pote de sucrilhos do lado e toda a alegria de saber que SIM, aquele SIM com dentões pra fora, foi a melhor resposta de todas.


E pra finalizar, fiquei em dúvida entre tantas músicas que marcaram esses 10 anos e no final ia por o Soneto do Amor Total, que nem marcou nada mas é lindo. Daí eu tive um plano de fazer vídeo com nossas fotos, daí eu não conseguí, um pouco por ser lesadinha, outro tanto por ser desorganizada mesmo e não ter feito a tempo de pedir pra alguém (Dada, é claro) fazer. Sendo assim, empresto esse You Tube, dessa música que nos acompanhou em muitas viagens e acho que diz bem, como os nossos "dois meios, fizeram desaparecer qualquer fração, achamos a unidade, está resolvida a questão"e sim, eu ainda estou perdidamente apaixonada por você".

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Retrospectiva 2009 Parte II - O ano da menininha

Disse que continuava amanhã, mas não amanhã de que dia, certo?
Bom, 2009 já foi, mas antes que 2011 chegue ainda vale a retrospectiva.

Depois de muitos anos sem Globo, este ano assisti a retrospectiva 2009 na casa do primo (e um pequeno PS, nos EUA tem tanta coisa brasileira! Tremenda injustiça! Tem Globo, tem Leite Moça e Guaraná no supermercado! Um escândalo minha gente! Aqui pra achar essas coisas é uma peregrinação) e foi aí que eu constatei a dimensão da minha alienação. Tipo...75% dos fatos "retrospectados" eu não tinha nem ouvido falar. Sério, E.T, minha casa...em que planeta eu estava mesmo?

E agora vamos à retrospectiva dos únicos fatos que eu sei com certeza, onde conto pra Ninoca sobre o seu 2009.

Aviso: O texto que segue ficou meio biográfica e longo, coisa de mãe, estes seres abestalhados que acham lindo cada besteirinha feita pelos filhos, principalmente os muito pequenos. E se derretem, e acham que todo mundo quer saber também. Em minha defesa, eu não acho tudo que eles fazem lindo. Cocô na minha mão, e vômito na minha cara, por exemplo, são coisas das quais não me orgulho e que como prova disso não vou incluir na biografia deles, pronto, falei. Já esta retrospectiva é pra ser lida daqui uns 20 anos pela personagem principal para que ela saiba como foi seu primeiro ano. Então pra quem for corajoso, ou como eu, goste de ler umas coisas a toa pra fugir do trabalho, voi-là.

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Minha filhota, este ano foi um ano deveras importante pra você, afinal, você virou você e conheceu este mundão que agora te aguarda. Julho de 2008 e você era duas células viajando pelas "Europa". Em algum momento entre Veneza e Atenas você virou uma célula só (eu ia dizer que essa história está muito "metida", mas já vi o marido fazendo trocadilhos infames, depois a menina vai ler daqui uns anos e ficar com o maior "argh") e assim, sem mais nem menos, você virou o quarto elemento da nossa família, tornando nosso mundo bem mais cor-de-rosa (e viva os trocadilhos, esse foi pra você Camila :-). Mesmo todos os cursos de fisiologia, anatomia, bioquímica, genética e neurologia, não conseguem me deixar menos abismada com a maravilha deste processo, um pedacinho de coisa que vira um pedacinho de gente e povoa uma casa inteira com uma alegria e um amor que não tem tamanho, além é claro, de muitos vestidinhos, presilinhas e sapatinhos.

Até que pra quem saculejou tanto e teve tantas noites em claro ainda dentro da barriga escura, você teve uma chegada em grande estilo. Bastou uns dias pegando um bronze no hospital e já estava pronta pra batalha. Você ainda vai ouvir muita mãe dizendo por aí que a infância dos filhos passa muito rápido e olha...sabe que elas tem razão, porque de fato este ano foi mais rápido do que um dinossauro - a medida de velocidade, tamanho e poder, de acordo com seu irmão.

De um dia pro outro meu bebe molinho virou um bebe interativo, cheio de sorrisos banguelas e gracinhas. Magricela você nunca foi, mas em questão de meses você ganhou uma rechonchudeza absurdamente deliciosa, e diretamente proporcional ao aumento de dobras, foi o aumento de mordidas e apertos que você ganhou de todos ao seu redor, do seu irmãozão que te esmaga até as últimas consequências (seus berros), a estranhos na rua que me param pra falar que querem apertar as suas bochechas, ou que invejam seus cílios de boneca, sem rímel, eu garanto.

Em Julho Mamãe arrastou você e seu maninho sozinha pro Brasil, e confesso, foi só pra mostrar pra todo mundo como você era deliciosa. Depois disso fomos para um monte de lugares aqui mesmo pelo Canadá; Halifax, Hamilton, Niagra, Mont Tremblant e você, desde que esteja enroladinha no sling, não se incomoda de andar e acompanhar os horários pouco habituais da sua família desregulada. Dormir, no entanto, não é o seu forte e neste ano você só dormiu grudadinha na mamãe ou no papai. E não venha me dizer que a culpa é minha, que também quem mandou não seguir nenhum dos conselhos dos tantos livros que eu li e acostumar você a dormir em cima de mim, grudadinha no sling ou do meu lado, porque a culpa é inteiramente sua e da sua fofura. Mamãe sempre gostou de dormir com ursinhos de pelúcia, até que começou a ter alergia deles e você, no entanto, é mais macia do que todos os ursos, e extremamente anti-alérgica.

Desde Setembro você começou a se mexer e ver "qual é" a do mundo. Foi um grande alívio pra você conseguir sentar sozinha, porque assim você ficou quase em pé de igualdade com seu irmão e os outros amiguinhos da escola, podendo brincar no chão, este grande e desconhecido território até então. Ainda insatisfeita com o fato de que de repente todo mundo ia embora cuidar da vida e você ficava lá, onde te colocaram, você logo tomou atitude e começou a se arrastar em Outubro. "Essa menina vai longe", diziam as multidões enquanto você limpava o chão de casa com a barriga, sendo mais eficiente do que qualquer aspirador de pó, achando sujeiras microscópicas pelo chão. Zack, seu irmão e super-protetor, do qual você ainda vai ouvir falar muito, até desistiu de me avisar quando você estava comendo sujeira: "Mamãe, a Nina...ah, já comeu tudo" - diz ele, conhecendo a importância da vitamina "S". Conforme você foi ganhando velocidade no rastejamento, ganhou também o título de "Minhoquinha doida II - A missão", já que seu irmão também escolheu este como meio de locomoção, sem nunca ter engatinhado. Precavida, você ficou em treinamento para exército até Novembro, quando resolveu passar para a classe dos que andam sobre "quatro patas", como dizem por aqui.

Novembro foi um mês de grandes mudanças. Você não mais aceitou ser gostosa, porém banguela, e foi logo botanto pra fora os seus dentes. Todo mundo sabe que fazer dentes sairem da gengiva não é tarefa pra qualquer um, e só quem viu suas gengivas vermelhas e aquelas pontinhas de dente saindo é que consegue entender a dimensão da sua bravura, aguentando tudo só com mordidas em todos os objetos, inanimados ou não, que passassem por perto de você.

Agora que você tinha dentes, você viu que era hora de investir mais no seu repertório de fofuras e começou a ensaiar vários truques, para o deleite da sua plateia (estava doida pra usar uma palavra com regra nova de acento!). A partir de Dezembro então você aprendeu a fazer "denguinho", botando o pescocinho pro lado e dando um sorrisinho danado, também sabe achar a luz, bater palma e dançar ao som de qualquer música. Aliás, já que você desistiu da carreira militar, você poderia trabalhar naqueles programas de auditório, ou nos seriados americanos que tem risadas de fundo, porque bater palma e morrer de rir virou algo mais forte que você. Outro dia fomos à um espetáculo e você batia palma ao fim de cada música, encantando os vizinhos de poltrona. Na mesma noite, enquanto voltávamos pra casa, você cansada, se contorcia e chorava na sua cadeirinha, até que colocamos um CD do Tom Jobim ao vivo e no fim de cada música, você parava o choro pra bater palma junto com o CD, e foi assim até dormir.

Faz umas semanas que você começou a dar indiretas de que sendo um bebê moderno, precisa de um celular, botando a mãozinha na orelha cada vez que o telefone toca ou alguém fala "alô" pra você. E como a gente é bem bocó, fica falando alô o tempo todo, só pra ver essa sua mãozinha gorda com punho de dobrinha fazendo o tal do "alô". Por favor não fique brava por que a gente faz você fazer isso o tempo todo, afinal, provavelmente na sua adolescência o pedido vai ser pra você parar de falar "alô", então aproveite.

Seu primeiro Natal foi bem sossegado. Antes da data você foi o bebê Jesus, em uma atuação brilhante onde você ficou quietinha por longos quase 10 minutos, uma atriz nata. No dia do Natal você brincou muito, arrancou todos os enfeites que estavam ao seu alcance na árvore da vovó e tentou várias vezes conferir se o fogo da lareira era quente mesmo, mas na hora da ceia já estava nos braços de Morfeu, perdendo assim a aparição do Papai Noel, que deixou um presente pra você assim mesmo, do qual seu irmão cuidou muito bem, não deixando ninguém encostar até no outro dia. Cedo ou tarde, mas mais provavelmente cedo, você vai descobrir o quanto sua mãe não é exatamente um ser que tem memória, e que por isso mesmo, não lembrou de colocar o vestido de natal, o babador de "Baby's first Christmas", o outro que dizia "Quem precisa de Papai Noel se tem vovó"e até o chapéu de Papai Noel que ela tinha levado só pro Natal, obviamente. Ainda bem que nós fomos cantar no dia 26 em um asilo e aí, aproveitamos pra colocar todos os apetrechos e tirar umas fotos, e você, mesmo sem cantar, fez a alegria dos velhinhos distribuindo sorrisos natalinos, só para em seguida fazer um trabalho nada natalino e tão pouco feliz, sujando cada peça da tal roupa de natal, vestido, meia-calça, bolero...tudo mesmo, só escapou o chapéu.

A julgar pelo seu temperamento neste ano, você vai ter personalidade. Bom, personalidade todos tem, mas nem todos esbravejam tanto quando a comida não chega rápido na boca, ou quando são colocados na cadeirinha do carro ou no berço, estes instrumentos de tortura que sobreviveram à idade média só para serem usados com você.

Um capítulo a parte é seu amor pelo seu irmãozão, o Zackolino, e vice-versa. Desde aquele encontro lá na maternidade foi amor a primeira vista. Aliás, ele e seu pai são os únicos homens que você tolera nessa vida. Dizem que isso deve mudar quando você tiver uns 15 anos, mas você não vai no colo e não quer conversa com nenhum homem, já o Zack, você segue por todos os cantos e quase sempre ele fica feliz com isso, deixa ele te apertar até "esmagar seus ossos", coisa que ele aprendeu com seu tio Dedê e sempre dá o braço pra ele quando ele quer te pegar. Mas isso eu conto mais quando falar do ano dele, afinal de contas, pra você, o mundo já veio assim, com ele junto, já pra ele, você foi uma guinada em 2009.

Minha "Mamita Gordita", "Pisquila", "Pipuca", "Bochechuda", "Nervosa", "Deliciosa da Mamãe", o ano acabou ( e aliás, não conta pra ninguém, mas outro já começou) e de tudo que passou tão rápido, se fosse para colocar alguma coisa na cápsula do tempo de 2009, sem sombra de dúvidas eu colocaria suas risadinhas de garganta, os gritinhos quando você me vê e vem correndo, os tapinhas que você dá na minhas costas quando eu te pego no colo como quem diz: "valeu parceira", você mamando com aquela cara de "este é o líquido sagrado", você saindo correndo de mim engatinhando e dando gargalhada quando está comendo sujeira do chão e deixa a boca bem fechada para eu não conseguir tirar, pena mesmo que todas essas coisas são justamente as que não se pode guardar.

Você talvez nem vá conhecer esse sujeito, mas Michael Jackson morreu e dizem, foi um dos grandes acontecimentos do ano, mas pra mim, obviamente, o grande acontecimento foi você. Com um peso no coração eu estou aposentando sua coleção de sapatos tamanho 1 e 2 (outro dia escrevo mais sobre isso), "um pouco" pelos sapatos que são lindos, admito, mas "um muito" por constatar que você está crescendo e que como tudo mais que aconteceu neste ano, essas coisinhas tão "ai que delícia" não voltam nunca mais.

Feliz 2010 minha Gostosinha, que neste ano novo você encontre muitas sujeiras gostosas e nutritivas enquanto explora este mundão, que continue descobrindo, curiosa, tantas cores, formas e expressões interessantes com estes olhos brilhantes e redondos de Mangá, que você continue tentando falar coisas que além de Mamama e Papapa, vão fazer sentido para os nossos ouvido sempre abertos pra você, que você dê seus primeiros passos com segurança, mas caia muito também, sabendo que muitos braços estão esperando pra te agarrar, e te apertar, e te amar com este amor desmedido e incabível que já é seu, com ou sem fofuras.

(A seguir... parte III - A Retrospectiva do Batman - Com vídeo)