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Autoestima

Eu já li e já ouvi muitas vezes que uma das habilidades mais importantes a se desenvolver em uma criança é a autoestima.

Criança que tem confiança em sí e que acredita ter a capacidade para vencer desafios não se deixa abalar pelas adversidades, é resiliente. E é aí que entra também a discussão sobre o excesso de incentivos "falsos" que pais podem dar, no sentindo de dizer que tudo que a criança faz é bom, bonito, o melhor e tal. Ao contrário do bom incentivo e na medida certa para que a criança perceba que, merece sim os créditos por algo bem feito, o reforço positivo, que a fará eventualmente acreditar que pode realmente fazer o que quiser, desde que esforce-se para tal. E mais que isso, que ela realmente sabe como ser ótima, independentemente do que outras pessoas possam dizer.

Daí que você tenta fomentar este tipo de autoestima, aliada à uma confiança inabalável também em Deus, ou seja, juntos, você e Deus sabem como ninguém como ser uma pessoa sábia, correta, querida e feliz. Daí vem o seu filhote de cinco anos e aos prantos diz que não quer vestir a camisa do "Cookie Monster", porque algum amiguinho falou que aquela camisa era de bebê. Não só falou como chamou outras crianças para confirmar sua tese. A camisa que semana passada ele escolheu e pediu pra vestir. Depois que a vontade de sair e fazer justiça com as próprias mãos, dar um soco na cara do moleque e falar que "bebê é você, seu otário! Vai mexer com alguém do seu tamanho", você pensa que talvez, só talvez, esta não seja a melhor solução, se recompõe e com toda a calma do mundo bate um papo cabeça sobre ser ou não ser, acreditar no que os outros dizem, quem são seus amigos, quem é você e o que fazer quando alguém fala alguma coisa que você não gosta. Troca-se a camiseta, sai o menino pra escola, fica a mãe pensando que cada vez mais ela sabe cada vez menos, e lá fora o mundo cresce sem controle.

As vezes eu acho que exagero. Que esta é realmente só uma questão sobre gostos de camiseta e um menino meio bobo (não o meu, obviamente), contra um menino muito bonzinho (o meu, obviamente) tendo uma discussão mais boba ainda durante o recreio. Mas e se não for? Saudade do tempo que minha única preocupação era a cor do cocô, e uma leve impressão de que mais fácil não fica.

3 comentários:

Natalie disse...

Ótimo seu texto. Me filho ainda tem 7 meses, não sofre esse tipo de pressão. Mas já começo a me preparar para quando isso acontecer. Penso muito em como ajudar numa hora dessas e não faço a mínima ideia, heheheh.
Mas bora refletir, né? Bobo não é, não. Essas coisas que nos acontecem na infância nos ajudam a definir quem somos, como vamos reagir às pressões futuras. Enfim, o duro é saber o que fazer.

abraços

Dani disse...

É... pude sentir o que me aguarda. Muitas reflexões por vir e eu, que já gosto de um pensamentozinho aqui, outro ali, terei pratos cheios para viajar à lua.

Realmente, não sei qual é a melhor opção na prática - não ligar, do tipo foi besteira e passou, filho, agora vai tomar banho - ou explicar realmente a diferença entre gostos, pessoas, a maldade (pq criança é má uma com a outra, algumas vezes), o entendimento do que vc gosta realmente, etc... acho que eu teria o papo cabeça, tentando colocar tudo na medida certa, sem muito "adultês", bem basicão mesmo.
Imagino que será difícil.

Como ele ficou? Vestiu a camiseta de novo outro dia?? Vcs conversaram mais?

Beijo,
Dani

Lúcia Soares disse...

Fêz bem em conversar com ele, dar a ele o direito de não usar a camisa. Com o tempo ele entenderá o que deve ou não ouvir das pessoas e se lembrará do que lhe disse, mesmo que não seja tim-tim por tim-tim.
Está certíssima em não levar a questão a sério, crianças brigam e voltam às boas num piscar de olhos.
Melhor deixar que se entendam sozinhas.