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Capítulo 4


Como diria uma amiga: Eu quero fazer um Bonsai de Ninoca! Será que dá?

Minha filhota gostosa

4 anos!!
Todo pai e mãe fala “nossa, passou voando, parece que foi ontem”, e de fato, isso é verdade. Parece que a gente piscou o olho e um bebezinho muito gorducho e muito bochechudo virou essa princesa bailarina que canta, dança e fala O TEMPO TODO. Não é exagero, é o tempo todo, exceto quando a bateria acaba, o que só acontece em situações extremas tipo a nossa última viagem ao Brasil com mais de 20 horas de vôo em 4 escalas das quais todas deram errado de alguma forma. Mas vamos falar sobre isso daqui a pouco.

Por outro lado, neste momento de retrospectiva, eu não consigo entender como tanto tempo cabe em somente 4 anos. E ao bem da verdade, ando fazendo uma força danada pra tentar lembrar como era a vida antes de você… será que tinha uma? Você preencheu cada espaço, cada silêncio, cada momento de um jeito tão arrebatador, tão divertido, tão único que eu sinceramente olho e penso que “parece que foi há 200 anos”, parece que a gente sempre existiu e só existiu juntas. 

O tempo vai passar pra você também, minha coisinha gostosa. Daqui uns anos  você vai descobrir como aniversários não são dias mágicos nos quais, como hoje, você acorda se sentindo grande e forte e “virando 4 anos”, em boa tradução. Nem sempre o mundo inteiro vai mudar num passe de mágica no dia 4 de março, mas você, como eu, vai descobrir que aniversários são sim mágicos, mas de uma mágica deveras diferente. Uma mágica que faz a gente parar e pensar no que passou, no que virá, no que foi bom, no que precisa mudar. Porque aniversários fazem isso com gente que não é tão sábia  quanto você, que consegue ver bem o que está a sua frente, que me respondeu hoje à pergunta:
-       - O que você mais gostou dos seus 4 anos?
-       - De você, mamãezinha linda e quentinha!
Um dia, você também vai olhar pro dia 4 de março chegando no calendário e pensar: mas onde foi parar o tempo? E ao mesmo tempo, que tempo? – Essas reflexões meio que absurdas pra você, são apenas porque o seu aniversário é muito perto do da mamãe, e ela queria estar fazendo 4 também, tão mais divertido que 32!

Mas enfim, voltemos aos 4. Você, que sempre foi do partido das bailarinas, agora se afiliou com carteirinha e ações no sindicato das princesas. Eu posso culpar seu pai, que te deu uma peruca loira e “muito longa” da Rapunzel, junto com o vestido da mesma. Posso culpar sua avó que te deu o vestido da Cinderela, posso culpar o mundo e o capitalismo pela imposição cultural e social das princesas. Mas eu não aguentei quando você, num dia de vento batendo no rosto e seu cabelo mesmo voando lindo pra trás ficou toda séria e começou a cantar: “ Have you ever heard the wolf cry to the blue moon”, e quando eu quis tirar uma foto e falei pra você sorrir, você me falou que não, porque a Pocahontas é séria. Além disso, você não só constatou sozinha que você está mais pra Pocahontas do que pra Cinderela, mas fez uma constação que eu achei interessante, do ponto de vista antropológico, ainda que um pouquinho preocupante, do ponto de vista social , você falou que a Pocahontas e a Jasmin podem ser amigas, porque elas duas são “marrons”. Eu expliquei que não, que todas podem ser amigas, inclusive a Cinderela, coitada, que só tem irmãs más, que ela iria se divertir horrores brincando na floresta com a Pocahontas, ao que você reagiu com a maior cara de “dããr”: “Mamãe, as princesas são adultas, elas não brincam”. Enfim, princesas e suas concepções distorcidas da realidade a parte, a fofura é inevitável. Além do que, você anda se divertindo tanto com a turma da Mônica, com o Patati Patatá, com a Galinha Pintadinha e esses outros capitalistas mais tupiniquins, além dos seus amigos sem marca que são tão preferidos como a sapinha caolha, a tartaruga do projeto Tamar, o porquinho que tem filhotinhos que mamam e o macaquinho pendurado na mamãe, que no fringir dos ovos, eu acho que o negócio é relaxar e deixar você curtir o bom e o ruim. Fiquei tão feliz quando você escolheu sozinha fazer sua festa de 4 anos de “Boneca de neve”, sem nenhuma princesa por perto, que  acho que quando você crescer você vai saber que a roupa da feirinha é tão mais legal do que a da Pakalolo (se bem que você nunca vai saber o que é a Pakalolo), mesmo que só uma vezinha você queira pelo menos um elastiquinho de marca, tudo bem, a gente vai achar um equilíbrio bacana, de comer granola feita em casa mas de vez em quando ir ao McDonald’s.

Do que você é hoje, posso dizer por mim: uma bebezoca gostosa muito, muito engraçada. Você tem personalidade, minha filha, sempre teve! Sabe o que quer e se faz ouvir, característica que eu adoro quase sempre, exceto quando a gente está com muita pressa. Mas eu adoro seu senso de humor, como você não passa batido, e como você sempre tem resposta para tudo, e perguntas para as coisas sem resposta. Coisa de mãe achar que só você é assim. Mas já te digo que só você é assim! J Na escolinha a professora não cansa de me dizer que você vai ser ou artista, pelas suas inúmeras performances, caras e bocas, ou primeira ministra, porque você é uma líder nata. Já vi você liderando todos os seus 18 amiguinhos em um passeio de “ônibus”, onde você organizava quem entrava, quem saía, quem fazia o quê. Já ví você coordenando um piquenique e vejo todos os dias umas 5 ou 6 amiguinhas saindo no tapa, literalmente, pra te abraçar primeiro quando você chega na escolinha. O que eu amo nisso é que a professora vive me contando como você contorna essas disputas “com classe”, ou saindo dela de vez (do tipo, se vocês vão ficar brigando então eu vou brincar com os meninos), ou tentando organizar o coreto. E como você sempre tenta incluir outras crianças “menos populares” (eu jurava que essa de popularidade era mais pra frente...) para quebrar o atrito, e pra deixar todo mundo brincar. Eu amo até o fato de você dizer, sem vergonha nem pudores que você “gosta mais do papai do que da mamãe”, que você prefere piscina à praia, que você só vai usar o casaquinho enquanto eu estiver vendo mas que depois você vai tirar porque você sente calor, e que você era danada, quando riscou a parede de casa, mas que não vai mais ser porque o papai ficou bravo, mas você acha que não tem problema riscar a parede. Autenticidade te resume bem. Eu adoro ter sido a fábrica que produziu esse exemplar único. Sua patente não tem preço!

Das coisas que eu mais amo fazer com você, estão nossos bolos e cupcakes, que você pede pra fazer e eu não aguento, tenho que parar tudo para ver você se orgulhando por já conseguir quebrar os ovos direitinho sem deixar cair casquinha, limpando a mão depois de cada ovo porque não aguenta ficar com a mãe melada, igual eu, medindo a farinha bem certinho, passando o dedo pra ficar retinho e tudo. É delicioso demais ver você se deliciando com seu próprio sucesso. Adoro quando você me chama pra deitar no seu colo quando você está assistindo TV, e eu deito na sua perninha gordinha, e você faz cafuné. Adoro quando você me chama pra inventar brincadeiras onde eu tenho que dizer exatamente o que você tem no seu script mental, sem direito a mudança, e adoro nossas segundas-feiras, quando você fica trabalhando comigo no escritório, na sua mesinha de bricolagens. A outra coisa que me faz feliz a cada manhã, porque faz você feliz também, é arrumar o cabelo. A gente se diverte escolhendo presilhinhas, decidindo se vamos fazer maria-chiquinha, cocotinha, trancinha (uma ou duas, porque o Zack gosta mais de duas), rabinho alto, baixo, de lado...uma infinidade de vaidades que me lembram tanto eu! – E quanto mais eu te vejo, mais eu concordo que uma das coisas mais deliciosas de ser mãe, é a gente ver a vida de novo. E eu que sempre achei que as coisas só eram bem boas quando vistas com olhos de primeira vez, agora consigo ver que há sim uma coisa linda em ver tudo com olhos de “segunda vez”, vale a pena ver de novo e é claro, com a chance de melhorar, de endireitar o que saiu meio torto, enfim, você é uma projeção onde só coisas boas se projetam, como ler um texto pela segunda vez e achar os erros, e descobrir novas belezas, como visitar um lugar amado de novo e achar novos cantinhos, e evitar os restaurantes ruins, e assim, do velho escrever uma história novinha em folha, uma história que vira cada vez mais sua, uma história que eu comecei, mas que aos poucos vou te ensinando a segurar a caneta, escrevemos juntas, até que um dia você vai pegar a caneta de vez, e continuar escrevendo sozinha, e eu vou ler, filhotinha, vou ler e acompanhar cada novo capítulo, mas vai ser impossível não sentir saudade de quando escrevíamos juntas.


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Autoestima

Eu já li e já ouvi muitas vezes que uma das habilidades mais importantes a se desenvolver em uma criança é a autoestima.

Criança que tem confiança em sí e que acredita ter a capacidade para vencer desafios não se deixa abalar pelas adversidades, é resiliente. E é aí que entra também a discussão sobre o excesso de incentivos "falsos" que pais podem dar, no sentindo de dizer que tudo que a criança faz é bom, bonito, o melhor e tal. Ao contrário do bom incentivo e na medida certa para que a criança perceba que, merece sim os créditos por algo bem feito, o reforço positivo, que a fará eventualmente acreditar que pode realmente fazer o que quiser, desde que esforce-se para tal. E mais que isso, que ela realmente sabe como ser ótima, independentemente do que outras pessoas possam dizer.

Daí que você tenta fomentar este tipo de autoestima, aliada à uma confiança inabalável também em Deus, ou seja, juntos, você e Deus sabem como ninguém como ser uma pessoa sábia, correta, querida e feliz. Daí vem o seu filhote de cinco anos e aos prantos diz que não quer vestir a camisa do "Cookie Monster", porque algum amiguinho falou que aquela camisa era de bebê. Não só falou como chamou outras crianças para confirmar sua tese. A camisa que semana passada ele escolheu e pediu pra vestir. Depois que a vontade de sair e fazer justiça com as próprias mãos, dar um soco na cara do moleque e falar que "bebê é você, seu otário! Vai mexer com alguém do seu tamanho", você pensa que talvez, só talvez, esta não seja a melhor solução, se recompõe e com toda a calma do mundo bate um papo cabeça sobre ser ou não ser, acreditar no que os outros dizem, quem são seus amigos, quem é você e o que fazer quando alguém fala alguma coisa que você não gosta. Troca-se a camiseta, sai o menino pra escola, fica a mãe pensando que cada vez mais ela sabe cada vez menos, e lá fora o mundo cresce sem controle.

As vezes eu acho que exagero. Que esta é realmente só uma questão sobre gostos de camiseta e um menino meio bobo (não o meu, obviamente), contra um menino muito bonzinho (o meu, obviamente) tendo uma discussão mais boba ainda durante o recreio. Mas e se não for? Saudade do tempo que minha única preocupação era a cor do cocô, e uma leve impressão de que mais fácil não fica.
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Do G pro P e outras histórias natalinas

Quisera eu que a mudança do G pro P fosse no manequim, mas não, meus caros. Este milagre natalino ainda vai depender do desaparecimento dos Chocotones (e suas respectivas 500 calorias por fatia) da face da terra. Coisa que não parece estar próxima de acontecer já que encontramos Chocotone Bauduco no supermercado italiano aqui em Montreal, por 1/3 do preço que custa no Brasil...vai entender. Deve ser a conspiração dos duendes. Deve-se dizer que um chocotone de 500gr não dura mais do que 3 dias aqui em casa. E que come-se sempre com margarina e um copo de leite com Ovomaltine. Faça as contas, o manequim não vai mesmo do G pro P.

Fato é que mudamos de carro. De uma mini-van para um carro comum, daqueles dos mortais. Eu tinha um Fit no Brasil e achava o carro mais espaçoso do mundo. E enchi a paciência do marido porque não aguentava mais aquele carro grande e cheio de tralha, até que ele, só pra provar que eu estava errada e ele certo, aceitou trocar de carro. Acrescente duas crianças e suas cadeirinhas e tralhas e de Fit pra lambreta estamos a um passo. Acrescente a família que veio para o Natal e a coisa fica feia. Feia, e pequena. Sinceramente, não sei como as pessoas conseguem viver com um carro comum e crianças. Como gente?? No Brasil ninguém tem esses mini onibus que a gente tem aqui e todo mundo vive bem e feliz, como?? Ninguém carrega a família no carro? Tipo é cada um por sí, metrô pra todos?Não sei, não sei, não sei, ai que falta de ar! Mas ficaremos assim até Fevereiro. Se tem gente que anda como nenê de metrô e ônibus e arrasta carrinho sobre 15 cm de neve, não sou eu que vou ficar aqui reclamando do Fit. Mas que é apertado isso é!

Em um outro tom muito mais festivo, uma das únicas coisas boas de passar o Natal aqui (e este é o nosso primeiro natal aqui em 5 anos) é que aqui a tudo tem cara de Natal, o original. Com direito a pinheirinho cheio de neve de verdade. Nevack e Nevina obviamente não podiam estar mais contentes, assim como toda criança que habita o pólo-norte. "Neve mamãe, mUta neve", diz ela toda feliz. E ambos ainda vão ter uma congestão de tanto comer neve. Se é que isso é possível. Aliás, existe algo mágico na composição da neve. Tente raspar o freezer e o efeito não é o mesmo.

No ritmo das tradições natalinas começamos desde o dia primeiro uma tradição que copiei do "Notes from the trenches" e que fazemos desde o ano passado (eu ando super copiona de blogs!). Embrulhei todos os livros de natal e alguns que não são de natal, mas são novos e a cada noite lemos um livro à luz de velas (isto é, até os fósforos acabarem e uma breve adaptação para luz de abajour até a mãe lembrar de comprar mais fósforos...talvez no ano novo). E posso garantir, vale a pena o plágio, esta é uma tradição deliciosa. Ainda mais com Leitorack achando umas palavrinhas aqui e ali, todo orgulhoso.

Natal foi no maior clima tudo é paz...coral na igreja, biscoitinhos feitos e decorados em casa para os velhinhos do prédio que ficam sempre tão sozinhos, amigos daqui, família aqui, tudo bom. Papai Noel passou o maior sufoco para encontrar o tal do cavalo de plástico que pula, mas como só o bom velhinho pode, ele encontrou (no dia 23 de noite na última loja possível, para o alívio e alegria incontidos dos duendes e seus demais dependentes, leia-se pai e mãe).

E vocês, quais são as suas tradições de natal? Partilhem pra todo mundo poder copiar! Afinal, este é o espírito do Natal, certo? Pelo menos foi isso que disse o patinho do Wonder Pets no DVD que assistimos hoje...e vocês sabem, com pato que fala a gente não discute.

E algumas cenas de natal aqui na terra dos sem-sapatos:


Animação no concerto de Natal da professora de música. Meninos, controlem-se. Gatinha que é gatinha finge que está batendo palma só pra mostrar a barriguinha sexy com direito a barrinha da fralda aparecendo.


As pombas que não são espertas o suficiente para migrar para o Sul, mas pelo menos aproveitam o calor que escapa do aquecimento do hospital
Ensinando o tio a fazer um forte de neve. Nunca se sabe quando estas habilidades vão ser imprescindíveis em um país como este.
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Profissões

Desenvolvimentack está mesmo um sucesso...bate palma e dança para acompanhar música, dá tchau (quando quer), fica sentado sozinho e come de tudo sem ajuda (gerando um certo caos, mas come). Bastou começar a mostrar sinais de independência para se pensar na profissão do menino.

Dado sua atração fatal por qualquer objeto que emita imagens em movimento (também conhecido como televisão, mas isso não é apropriado para um bebezinho, todos sabem), os amigos começaram a apostar na sua carreira televisiva, começando pelo glamour de ator até chegar ao técnico que conserta tvs, o que automaticamente já o colocou na categoria dos desempregados, já que um amigo bem lembrou, a profissão tende a ficar obsoleta em breve, já que tudo hoje em dia é descartável...

Sendo assim, a mamãe já pensou mais alto e apostou na carreira de oftalmologista. Se ele agarrar a carreira com tanta vontade quanto agarra os óculos de quem quer que seja, o futuro está garantido.

Caso o menino não queira passar a vida estudando pra ser médico e opte por "levar a vida na flauta" como músico (sem preconceitos, que fique claro), a carreira de percusionista será um sucesso já que tudo o que ele pega (inclusive os óculos) é objeto de análise de timbre, bate um contra o outro, contra a mesa, contra o chão (não só para analisar o timbre como também para calcular quanto tempo a mamãe-gandula vai demorar para buscar o tal objeto)...ouvido aguçado e atento.

Finalizando o teste vocacional, que como todo bom teste vocacional sempre resulta em um perfil bem preciso que mostra sua vocação para qualquer profissão que passe pela astronomia até a marcenaria, a última opção para Profissionalack é ser chef de cozinha ou "degustador" já que tudo que não faz barulho é comida, e da boa.

Agora, se nada disso der certo, esta semana ele anda passando por um estágio de Vigia Noturno, dos bons, daqueles que dormem umas 2 horinhas...depois acordam para ver se está tudo certo, fazem um barulinho pra espantar o ladrão (ou acordar a mamãe) e voltam a dormir. Com sorte, sendo vigia ele pode até fazer uma batucadinha enquanto espera o tempo passar, fazer uma boquinha enquanto assiste televisão, o que o fará precisar de óculos, tornando a profissão realmente completa!
E tem mãe que ainda quer que o filho seja médico ou advogado...
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Do lado de baixo e meio ano depois

2 dias e 13 horas depois... cá estamos nós, onde já se sabe...não existe pecado, nem tão pouco ar condicionado... e se era pra fugir do frio, a missão está mais que bem sucedida, estamos em bicas.

A viagem foi um sucesso, salvo pequenos detalhes. Nunca se viu um avião com tantos bebezinhos dentro. Esperteiko aqui até achou que chegando bem cedo para o chek in teria uma chance de pegar um lugarzinho na primeira fila, de repente até um bercinho...doce ilusão. Bercinho não tinha nem pra remédio, já que nada mais nada menos que outros 6 bebês, disputavam o único bercinho disponível, que é claro, ficou pra mamães mais espertinhas que consideram antecedência 2 meses, e não 2 horas antes. Mamãe, vovó e Princhuquinho se contentaram com a última fila do avião só pra eles (injusto falar eles sendo que o único "ele" tem só 6 meses???) , com um banco só pra Sorrisack, que conquistou todos: a moça do check in, que acabou não cobrando a passagem dele, a mocinha da polícia federal em Montréal, que deixou a mamãe entrar com uma garrafa de água para a sede sem fim durante as mamadas, até a aeromoça no avião, que decidiu que ia ficar com ele. Houve luta, mas sem sangue, a mamãe convenceu-a que não ia dar certo.

A viagem foi tranquila, na medida que é possível não estar esgotada estando por 12 horas em uma poltrona que não reclina, com um nenê dormindo em cima, ao lado do banheiro...chegamos inteiros, e já fomos pra gandaia, antes de chegar em casa já tínhamos uns 5 compromissos marcados pro dia. Muitos "ai que coisa mais gostosa desse mundo, dá ele pra mim" depois, uma única e primeira crise de choro pra descarregar o estresse todo, dormimos em paz em um bercinho emprestado pelo simpático amigo Duduzinho, o menino-que-não-é-meu-mais gostoso-e-articulado-do-mundo, acolhidos pelos amigos com uma estrutura "baby friendly" da qual tanto precisávamos naquele momento (porque mesmo com toda a bagagem absurda, não sobrou espaço pra banheira, berço...essas amenidades)

Chegando na terra natal, muitas realizações resumidas: já experimentamos açaí (não aprovado) suco de cupuaçú (aprovadissimo), de laranja (indefinido), manga (paixão total), passeamos pela Av. Paulista (de carro, porque somos paulistanos, não loucos), conhecemos muitas caras novas, mas a preferida foi de longe a Canela, cachorrinha da melhor amiga, isso até ela latir, demorou um pouco pra sintonizar as ondas de comunicações caninas, isso ajustado, a relação fluiu como nunca, com direito a risadinhas, gritinhos, tudo devidamente registrado pela Camera-mom. Ah sim, e um clássico, tiramos foto com papai-noel no Shopping (esse programa de verão paulistano - tudo por um local com ar condicionado). Adaptack, ao contrário da mamãe quando pequena, não temeu o bom velhinho, encarou o barbudo e até outros passantes tiraram fotos do nenezinho de fralda (quem precisa da mala de roupas gigantes que a mamãe trouxe com um calor de 32 graus?), ele só ficou um pouco decepcionado porque não ganhou balinha...moço injusto esse tal de Noel...

E não pode ficar sem menção, meio ano de vida pra Velhack. Isso é o que eu chamo de um aniversário quente e cosmopolita... 6 meses de gala, comemorados no ardor do maravilhoso trânsito de São Paulo. Princhuquinho, canadense como ele só, está mesmo deslumbrado com tanto calor e tantas informações novas pra processar na sua caixola. A celebração foi com a família japonesa (que tem seu primeiro membro "aloirado", para surpresa geral) e bolo do Amor aos Pedaços (claro, quem desfrutou foi Mamãe Bolinha, que semana que vem vai rolar na praia)

E a pergunta do mês é: Como é possível um ser em 6 meses ocupar um espaço tão central na sua vida?
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Olhos de Primeira Vez

Eu sempre gostei de estudar. Era do tipo CDF mesmo, rata de biblioteca (estava sempre na sala da coordenadora atrás das últimas aquisições) e ainda adorava os professores, com direito a cartinhas, poesias e recadinhos no final da redação, ideais e propostas pedagógicas me inspiravam. Aquele tipinho que irrita um ou outro aluno menos apaixonado, mas que motiva o professor a continuar trabalhando, mesmo quando o salário ó... , tenho até testemunhas desta época remota. Isso durou mais ou menos até o fim do ginásio, não que eu não mantivesse o sentimento escondido depois, mas no segundo grau já era mico demais...a sobrevivência social na adolescência demanda outras qualidade (falar mal dos professores é uma delas e você pode ser CDF, desde que passe "cola" para os amigos, fazer o que...).

Eu estudava em uma escola tida como "Escola Modelo" e parte do projeto pedagógico de cada série era ter um "lema do ano". Como apesar de todo o meu amor pelos estudos, minha memória não foi uma faculdade exatamente bem desenvolvida, o único dos tais lemas do qual eu ainda me lembro foi o da 4a série, sinal de que esse foi de fato marcante (minha memória é muito seletiva, a pobrezinha, sou do tipo que vai até a geladeira para pegar alguma coisa e ao abrí-la não tem mais a menor idéia do que foi fazer lá, me dei conta hoje de que fazem 4 dias que eu não tomo minha pílula...só lembrei porque o caixinha estava em cima de algo que eu ia pegar - se Princhuquinho tiver um irmão daqui uns 9 meses já se sabe o porquê - , e se não fosse uma amiga minha, minha infância se contaria em um parágrafo) - um parênteses meio exagerado este. Mas bem....do que eu estava falando mesmo? A sim, o lema era assim: "bom ou ruim esse ano pode ser, depende do jeito que a gente vê". Durante o ano inteiro falamos sobre como as coisas podem ser diferentes quando olhamos "com olhos de primeira vez", aquele ponto de vista do novo, da descoberta, que é capaz de transformar um rabisco em arte, uma garrafa em brinquedo, um floco de neve em razão pra ficar muito, muito feliz - explico...
Ano passado foi meu primeiro inverno "branco" (em São Paulo eles são bem mais cinzas). Lembro direitinho a primeira neve (do inverno e da minha vida) - estava eu saindo de uma aula (não lembro de que) aqui do mestrado, cercada de colegas (todas nativas canadenses) e começa a nevar...Me senti uma mineira - que nasceu em Minas Gerais, não que trabalha em uma mina - vendo o mar pela primeira vez aos 24 anos... fiquei maravilhada, abestalhada, contentíssima - e sozinha. Não me conformava com a indiferença de todos que, "nascidos e crescidos" com neve no inverno, perderam a capacidade de admirá-la. É compreenssível, já que depois de 4 meses de neve todo dia, você quer mesmo morrer um pouco, especialmente quando a neve branquinha vira lama marronzinha e nojenta e você cai, congela esperando um ônibus, entre outras cenas invernais. Mesmo assim, poucas coisas são tão bonitas quanto galhos congelados, parques branquinhos a perder de vista e pinheiros cobertos de neve de verdade! (E não aquela que a gente compra de pacote na 25 de Março). É como estar dentro de um filme de Natal (daqueles de sessão da tarde especial de Natal), a trilha sonora natalina (White Christmas, pra começar) fica tocando dentro da cabeça constantemente e você começa a achar que o Papai Noel, com aquela roupa toda, finalmente se deu bem (o bom velhinho, e todos os seus ajudantes que trabalham nos shoppings, deviam adotar um outro visual pro nosso Natal tropical, vamos combinar...).

Sexta-feira passada foi a primeira neve do Princhuquinho. Ele acordou todo feliz as 9h da manhã (esse horário por aqui é madrugada...) só pra ver os primeiros floquinhos caindo, e pegar um na mão, pra colocar na boca, é claro. Mais lindo do que o floquinho de neve (que aliás, tem forma de floco de neve mesmo, aquele que vem desenhado no ar condicionado - só pra compartilhar minha descoberta) só mesmo o olhar de primeira vez de um bebezinho. Não só para a neve, mas para tudo no mundo, cada olhar, é o primeiro. Parece óbvio, mas é realmente uma coisa única acompanhar cada descoberta do seu próprio filhote, e de quebra, redescobrir o mundo também. No começo era a fascinação com qualquer fonte luminosa, depois a primeira palhaçada que o fez sorrir, o primeiro encontro com um cachorro de verdade, a primeira chuva, a primeira folha de árvore na mão, o primeiro caldinho de uva (se bem que isso é paladar, não olhar, mas eu lembrei porque foi hoje, ele adorou...fica o registro) - Clichê como possa ser, cada "primeiro"dele me faz dar mais valor às pequenas coisas da vida (tendo 1,51m. de altura é até uma questão de auto- estima), e me remete ao lema de muitos anos atrás, parafraseado: "boa ou ruim essa vida pode ser, depende do jeito que a gente vê".
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Traduções

Prometi pra mim mesma que não ia escrever nenhum post até terminar o *%$#@*& (essa aprendi com minha amiga Márcia) da apresentação do meu protocolo de pesquisa. Mas como eu me peguei várias vezes em meio à apresentação pensando em forma de post, já formatado e dividido em parágrafos, não se trata de escrever, mas apenas transcrever, então tá autorizado.

Viver em outro país implica, obviamente, viver traduzindo as coisas. Aos poucos o processo se torna automático e você nem sabe mais quando está ouvindo uma língua ou outra, ou outra. Veja a filhinha de uma amiga venezuelana (que fala espanhol em casa, francês na igreja e inglês na creche, coisa comum por aqui), além de conversar com os brinquedos dela em todas as línguas, ela pensa que o nosso português é chinês, e mesmo assim ela entende, além é claro de constantemente corrigir meu portunhol.

Habitando o mundo dos bebês, o processo é semelhante. Você magicamente entende o que os choros querem dizer, e começa a ouvir coisas dentro de qualquer barulinho produzido pelo serzinho. Poliglack soltou a matraca e agora fala sem parar, prolixo que só ele. As divergências quanto à tradução é que são interessantes. O tio "Dadá" já estava certo de que ele seria o primeiro a ser chamado, mas a primeira fala mesmo foi "avvvvvvvvvvvv", e a avó, como não podia ser diferente, já saiu contado pra todos que o netinho já sabe falar "vovó querida do meu coração", ela tem certeza.

Agora, claro como a luz do dia, foi esse semana, quando ele começou a disparar "ma ma ma ma ma" pra todo lado...o pai ficou arrasado, chega deu dó, mas, vamos encarar os fatos - seja porque o estômago está vazio, seja porque foi "ma ma" mesmo que carregou o cidadão por 38 longas semanas (nada mais merecido do que ser a primeira a ser mencionada), ou seja só porque foneticamente essa é a sílaba mais fácil sem ter ainda qualquer conexão simbólica - ma ma, é mais importante, dura e fatídica verdade. Em vão foram todas as tentativas de ficar falando "pa, pa, pa" na frente dele um dia inteirinho, o coitadinho, "Ma ma" reina soberana.

E só para constar nos autos, para o alívio de Ma ma neurótica, Princhuquinho finalmente já sabe se virar na vida, ou pelo menos no edredon colocado no chão como sua área de exercício, ou melhor, de brincadeiras. O bichinho chega suou, mas conseguiu! "Alegria agora, agora...amanhã e depois e depois e depois de amanhã" quando ele não parar mais em lugar nenhum, já não tenho tanta certeza...
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A primeira noite de um homem e outras

Extra!Extra!Extra! Princhuquinho dormiu 8 horas seguidas nesta noite! Achei que estava sonhando quando escutei o chorinho, olhei no relogio e eram 8h30! A tatica foi simples, o domingao cheio de compromissos sociais e ele nao conseguiu dormir sua soneca da tarde, logo, foi chegar em casa, banho e cama! Nem lembrava mais como era dormir 8 horas seguidas, te digo, eh bom!

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Ai meninos... -filha do meio com 2 irmaos, sei bem as agruras de se ter meninos por perto, qualquer coisa era motivo pra competicao, ateh corrida de gota de chuva rolava. Confesso que acabei incorporando o espirito (jogar imagem e acao eh quase sempre sinonimo de discussoes acaloradas)
Mas bem, eu acho q sou uma das unicas pessoas no mundo que realmente gosta de cha de bebe, e todas as brincadeiras idiotinhas que o acompanham. Nesses dias modernos quando os homens participam de chas de bebe...estavamos hoje em um desses eventos, todo mundo tinha uma chupetinha e quem falasse a palavra "bebe" perdia a sua para a pessoa q ouvisse. Enquanto a maioria das mulhere nem lembrava disso e nao exitava em comentar sobre "o bebe" os homens massivamente bolavam estrategias pra conseguir o maior numero de chupetas possiveis, ateh surrupiar as chupetinhas guardadas pela organizadora estava valendo. Mas eh claro que se questionados, vao dizer que nao se divertiram. Nao ha modernidade que mude algumas coisas, penso eu... com um homenzinho dormindo logo ali...

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Nao parece possivel, mas existem vantagens de se viver em um mundo sem baba nem empregada. Uma delas, as tarefas domesticas e parentais sao realmente partilhadas. Faz seculos que nao varro o chao e fiquei contentissima de ver em um centro de compras a plaquinha mostrando que no banheiro masculino, tambem tinha trocador. Soh nao fui conferir se tinha tb o kit basico de troca de fralda para o pai (pelo menos o daqui): 1 rolo inteiro de papel higienico (vc se pergunta, papel higienico? - Respondo - sim, papel higienico, para colocar embolado sobre o piu-piuzinho, pra evitar que o jato poderozissimo e fatal de xixi te atinja durante a troca), 15 lencinhos umedecidos (aos que nao tem filhos, uma pessoa normal- leia-se, mae- gasta uns 3), 1 tubo inteiro de hipoglos (e olha que o hipoglos vem do Brasil). E nao ouse tentar explicar que nao eh assim, se nao quiser ouvir a reposta obvia: entao troca vc!
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Fofuras mil

Fofurinha da Estrela (da epoca que para o boneco fazer xixi "de verdade" tinha que apertar a barriguinha) aqui de casa esta mesmo cada dia mais fofo, se eh q isso eh possivel...e nao, eu nao sou uma mae coruja, se trata da realidade.

A mae terapeuta, neurotica como se pode ser, anda preocupadissima porque com 4 meses e meio, Fofurinha ainda nao rola, acho que eh um pouquinho de preguica, ele vai ateh a metade do percurso e desiste...ai volta. E nao ha estimulo terapeutico q o convenca, mas tudo bem, cada crianca tem seu ritmo, nao existe um padrao, jah dizia uma terapeuta que eu conheco, pra todas as maes neuroticas de pacientes...essa gentinha!

Nao rolacoes a parte, as novas aquisicoes: a outrora simples e calma tarefa de mamar virou uma luta contra os estimulos do ambiente. Qualquer fonte luminosa, voz, barulho e ateh o espirro da mamae eh motivo pra parar tudo, procurar a fonte, sorrir, comentar o assunto e soh depois, com sorte, voltar a mamar. Se o tal distrator for muito interessante, a fome ateh passa. Jah se a mae estiver com pressa por qualquer razao, a fome nao passa, e o tempo pra retornar pra mamada eh maior, sob risco de protestos e ateh mordidas (por enquanto desdentadas, mas temos q trabalhar nisso - ideias?)

A segunda grande aquisicao de Fofurinha foi a descoberta do espelho. Ele ateh jah andava desconfiado que tinha alguem dentro daquela coisa brilhante, mas foi soh essa semana que ele descobriu quem era. Agora se delicia apreciando aquele ser fofinho do outro lado. Olha soh que beleza, quem precisa de um irmaozinho se jah esxistem varios bebezinhos pela casa, que conversam quando vc conversa, riem quando vc ri, esticam a mao pra te pegar tb, fazem bolinhas de baba, dao risada...e ainda por cima, nao estragam seus brinquedos! (Vantagens de ser irma do meio, estragava os brinquedos do mais velho e o mais novo era muito novo ateh pra dar ciumes...amo meus irmaos! )

O lado "ser-social" de Fofurinha tb esta em alta. Abre o sorrisao banguela pra qualquer pessoa, conhecida ou nao, que olha pra ele. Se conversar entao, as chances sao grandes de se ouvir uma gargalhada. Pela mesma razao todo mundo sente-se impelido a pegar Fofurinha no colo. Em meio a conhecidos, as vezes fica ateh dificil pra achar depois (alguem viu um nene por ai? Ele eh assim fofinho, meio galeguinho, semi-careca e nao anda!), ou em caso de estranhos (nao na rua, vale explicar - estranhos em ambientes familiares - pra ninguem achar que eu sou maluca o suficiente pra deixar qualquer estranho no elevador pega meu nene), a mae se depara com o dilema: deixa ou nao deixa pegar, e se deixa, o desespero toma conta e a vigilancia eh tanta (tem gente que acha que soh pq o nene jah esta "durinho" nao precisa apoiar as costas, e jah pode tomar coca-cola) que o estranho finalmente se convence que nao eh legal ficar querendo pegar o nene dos outros.

Mas ando mesmo ansiosa pra ter aquelas historias fofissimas de falas e feitos de crianca pra contar...enquanto nao tenho as minhas, conto a dos outros:
Da sobrinha do marido (que eh minha sobrinha tb) lah pelos 6 anos:
- Mae, compra uma mochila do Power Rangers pra mim? (Confesso que nao lembro quem era o personagem, mas sei que era alguma dessas coisas de TV, de qualidade pouco duvidosa que as criancas tendem a adorar)
- Nao filha, vc sabe que a mamae nao gosta que vc assista essas coisas, entao nao eh bom ter mochila tb.
- Entao compra uma mochila da Xuxa? (Partindo do mesmo principio)
- Nao filha, vc sabe que a gente nao assiste essas coisas...
- Ah, entao compra uma mochila do Jornal Nacional!
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Sem Licença

Aqui no lado de cima onde o "welfare state" faz um certo sentido, a maioria das mães, sendo trabalhadoras, podem gozar de 1 ano inteirinho ao lado dos seus pimpolhos. Pais também podem usar parte deste tempo, aliás, eu ousaria dizer, com um certo medo de ser apedrejada em praça pública, que pais por aqui fazem (ou ao menos têm a oportunidade de fazer) quase tanto quanto as mães, mas isso é assunto pra outra conversa.

Parecia boa escolha não trabalhar e só fazer mestrado enquanto começa a procriação (o pai quer 5...a mãe nem tanto). Minha supervisora até me advertiu: tire uma licença, mas não...quem precisa de licença se todo o trabalho pode ser feito em casa? - Aparentemente, qualquer um. E agora cá estou eu a procurar os meus apetrechos de super-heroína, mas só acho roupa suja de bebê. Na verdade não estava querendo abrir mão da bolsa. Licença maternidade de trabalho é paga, de estudos, não.

Com essa de mestrado e filho, a rotina aqui em casa virou literalmente, de cabeça pra baixo. Eu sempre fui fã do "deixe para amanhã o que você poderia fazer hoje, mas deveria ter feito ontem", mas agora as consequencias são mais drásticas e me vejo atolada entre textos e chocalhos enquanto os prazos vão passando e os outros (da unviersidade, não do Lost), mesmo que solidários à minha condição maternal, querem o trabalho feito. Enquanto o bebezinho tira o cochilo da tarde, a mamãe liga o computador para acessar as bases de dados e redigir seu artigo, mas num passe de mágica, subtamente já está escrevendo blog (e até mudando o template, redundâncias a parte, aquele preto estava muito "dark"), lendo blog, lendo sites de tudo o que há sobre bebês e afins...e tese que é bom, nada. E ao menor "hã" do bebê, a mamãe sempre alerta já está lá, sem exitar. Entre uma brincadeira e uma musiquinha a mãe até tenta fazer alguma coisa, mas quem consegue trabalhar com um alguenzinho tão gostoso olhando pra você?

"Passa tempo tic-tac, tic-tac passa hora" e o novo horário de funcionamento aqui em casa é das 23h - 3h. Esse é o horário mágico quando o bebê dorme consecutivamente e a mamãe finalmente já leu tudo o que tinha pra ler sobre o mundo dos bebês e pode começar a trabalhar de verdade. Enquanto isso o papai, que também está de "auto-licença", faz companhia, confere os erros de formatação, formata bibliografia e até canta. As 3 em ponto, bebê acorda pra mamar, é o sinal de que chega de trabalho, todos pra cama e o dia recomeça as 11h da manhã.
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Aconselhamento Gestacional

Hoje fui visitar um casal de amigos, tambem brasileiros, gravidos de 4 meses. Me senti A especialista, e nao foi pelos conselhos de terapeuta ocupacional que eles queriam por conta de uma suspeita de toxoplasmose, mas sim pelos simples conselhos de mae. Embora as vezes eu ainda me surpreenda com a ideia de que sim, eu sou mae, nunca pensei q em 4 meses eu tivesse sido capaz de acumular tamanha experiencia maternal.

Fui logo falando que esse negocio de enxoval, jah me disse minha sabia vozinha de 88 anos, eh coisa do tempo em que se confecionavam as roupas da crianca, hoje em dia q vc vai a qualquer loja e compra tudo pronto, nao ha a menor necessidade de se ter 429 roupinhas, mantinhas, casaquinhos e outros tantos "inhos" e "inhas" dos quais vc acaba usando metade.
Princhuquinho aqui com 4 meses jah tem um saco de roupas gigante pro irmaozinho (aos exaltados acalmem-se, o irmaozinho nao vem tao cedo). Me parte o coracao colocar de lado um macacaozinho (mas q mania de colocar tudo no diminutivo, soh pq eh de nene!) que soh foi usado 1 vezinha (e olha o diminutivo), ou pior, nenhuma - pq a mamae aqui tem um certo probleminha de organizacao e esqueceu o macacao guardado - mas a galera nao perdoa, e soh pq o nene nao consegue esticar a perninha dentro do macacao, jah acham ruindade. O pai nao se conforma, mas tem dias q eu troco a roupa dele (do bebe, nao do pai) umas 3 vezes, soh pra dar a(a) roupa a chance de ser usada. O marido da amiga adorou o conselho e jah foi logo agradecendo a economia q a nossa visita renderia, jah que a esposa jah estava, como toda boa gravida, avida pela colecao inteira da baby GAP.

As dicas tb passaram pelas roupas de gravida (minha maior alegria foi uma calca jeans com elasticao q segura a barriga, para q a mesma nao caia, sensacao q soh quem jah esteve gravida pode entender...) e pelo meu voto contra sutia de amamentacao, completamente descenessario ao meu ver.

Tambem falamos da luta por encontrar uma vaga em creche por aqui, e que portanto ela deveira colocar imediatamente o bebe na fila de espera (esse eh brasileiro mesmo, nem nasceu e jah nao pode ver uma fila...), dos esquemas pra fazer o serzinho dormir (travesseiros na frente e atras, coloca de bruco, depois vira de frente e vixe...) e muitas outras coisas q ateh pensei em escrever aqui, mas agora deu preguica...eh, pq mae tem preguica tb, e amanha eh segunda feira...nao que isso tecnicamente faca muita diferenca jah que hoje eu deveria ter trabalhado tanto quanto amanha - mas isto eh assunto pra outro post.

E como nao poderia ser diferente, na lista de conselhos da expert, o conselho mais importante:
"nao ouca os conselhos de ninguem, ou melhor, ateh ouca, mas siga mesmo o seu coracao, a sua intuicao e a sua paciencia, o resto, para sua sanidade, ignore".