9

Sem Licença

Aqui no lado de cima onde o "welfare state" faz um certo sentido, a maioria das mães, sendo trabalhadoras, podem gozar de 1 ano inteirinho ao lado dos seus pimpolhos. Pais também podem usar parte deste tempo, aliás, eu ousaria dizer, com um certo medo de ser apedrejada em praça pública, que pais por aqui fazem (ou ao menos têm a oportunidade de fazer) quase tanto quanto as mães, mas isso é assunto pra outra conversa.

Parecia boa escolha não trabalhar e só fazer mestrado enquanto começa a procriação (o pai quer 5...a mãe nem tanto). Minha supervisora até me advertiu: tire uma licença, mas não...quem precisa de licença se todo o trabalho pode ser feito em casa? - Aparentemente, qualquer um. E agora cá estou eu a procurar os meus apetrechos de super-heroína, mas só acho roupa suja de bebê. Na verdade não estava querendo abrir mão da bolsa. Licença maternidade de trabalho é paga, de estudos, não.

Com essa de mestrado e filho, a rotina aqui em casa virou literalmente, de cabeça pra baixo. Eu sempre fui fã do "deixe para amanhã o que você poderia fazer hoje, mas deveria ter feito ontem", mas agora as consequencias são mais drásticas e me vejo atolada entre textos e chocalhos enquanto os prazos vão passando e os outros (da unviersidade, não do Lost), mesmo que solidários à minha condição maternal, querem o trabalho feito. Enquanto o bebezinho tira o cochilo da tarde, a mamãe liga o computador para acessar as bases de dados e redigir seu artigo, mas num passe de mágica, subtamente já está escrevendo blog (e até mudando o template, redundâncias a parte, aquele preto estava muito "dark"), lendo blog, lendo sites de tudo o que há sobre bebês e afins...e tese que é bom, nada. E ao menor "hã" do bebê, a mamãe sempre alerta já está lá, sem exitar. Entre uma brincadeira e uma musiquinha a mãe até tenta fazer alguma coisa, mas quem consegue trabalhar com um alguenzinho tão gostoso olhando pra você?

"Passa tempo tic-tac, tic-tac passa hora" e o novo horário de funcionamento aqui em casa é das 23h - 3h. Esse é o horário mágico quando o bebê dorme consecutivamente e a mamãe finalmente já leu tudo o que tinha pra ler sobre o mundo dos bebês e pode começar a trabalhar de verdade. Enquanto isso o papai, que também está de "auto-licença", faz companhia, confere os erros de formatação, formata bibliografia e até canta. As 3 em ponto, bebê acorda pra mamar, é o sinal de que chega de trabalho, todos pra cama e o dia recomeça as 11h da manhã.

9 comentários:

Flávia disse...

Keiko,

Gostei do novo visual ! Quem é seu consultor que até acentos e cedilha colocou ?

Quem disse que "licença-maternidade" de trabalho é paga ? Estou aqui recebendo seguro-desemprego, uma MERRECA, como se fosse desempregada.

Não consegui passagem para dia 17, vou dia 18, só eu e o Pacotinho de Surpresas... Uma pena ! Que dia vocês voltam ?

Keiko disse...

Oi Flávia!

Sei não...tinha entendido que a licença era paga, 6 meses 100% do salário e depois diminui um pouco, mas continua sendo paga...será que é só aqui em Quebec? Posso estar enganada, como eu não estou trabalhando mesmo nem li com muita atenção.

Quanto aos acentos e etc e tal, agradeça ao meu PC que morreu de vez, logo, tomei posse do computador do marido (com a desculpa de ter que fazer minha pesquisa), que tem um teclado "normal". Devo estar meio enferrujada, quase 2 anos escrevendo sem acentos e cedilhas,essa coisa deixa a gente mal acostumada, mas é melhor se "re acostumar" a tempo de ensinar Português para o gruinguinho aqui...

Aaaa, que peninha! Sorte vc ainda ter conseguido para dia 18. Nós voltamos dia 8 de Janeiro, mas pela AA, e vcs? Deu certo os passaportes?

bjinho,
Keiko

Anônimo disse...

oi, legal seu blog

Tiago Jokura disse...

aí, Keikito, parabéns pelo layout novo e pelo 1º fã anônimo do blog!

Tiago Jokura disse...

Aê, Keikito... parabéns pelo layout novo e adequado (mais brasileiro, mas com climinha de bebê) e pelo 1º fã anônimo do blog!

Flávia disse...

Keiko,

Eu recebi 17 semanas de complementação no salário pelo meu empregador (o hospital), então fica em torno de 80%, depois é só o seguro-desemprego mesmo, aquela merrequinha.

A gente volta dia 4 de fevereiro.

Os passaportes ainda não chegaram. NADA na minha vida é simples, não é figura de linguagem.

Você está no Orkut ?

Beijinho,
Flávia.

Keiko disse...

Flavia (de volta ao teclado sem acentos): Bom, veja pelo lado positivo, melhor uma merreca do que "nenecas de pitibiriba", como seria o meu caso de estudante (vou estudar direitinho o sistema aqui do Quebec pra nao passar informacao errada), e alem do mais, vc pode passar quase 2 meses na Patria Amada, enquanto eu soh vou ter 3 rapidas semaninhas, mesmo assim com nariz torto da supervisora...
Alem disso vc entra nas suas calcas, seu nene dorme a noite inteira, veja bem...eh pra Polyana nenhuma botar defeito - soh tentando de consolar enqto seus passaportes nao chegam, e pensamento positivo, vai chegar, nem q seja dia 17, q eh pra ter mais emocao...

Ti: Viu soh? E fiz isso tudo sozinha! (Nao conte pra ninguem q eh soh clicar um botaozinho) - E pro fa misterioso, soh tive q prometer um ipod, nada de mais!

Keiko disse...

AAA, Flavia, nao to no Orkut nao, eu era meio contra esses meios de comunicacao ateh um dia desses...meu problema eh o vicio, vou ficando soh com blog e chocolate por enquanto...
bjin

Lilian disse...

Não sei onde a Flávia está, aqui nos States? Aqui não tem licença maternidade paga mesmo, MAS... no Canadá, que é todo socializado tem mesmo... você está certa, é um ano pago de verdade. País CIVILIZADO é outra coisa... esses estados unidos aqui é um de QUATRO países no mundo que não tem licença maternidade paga, é mole? Mãe aqui neste país é capacho.

Bom, deixando meu discurso ativista de lado (acho q to precisando começar um blog em português, que tal?), conheço muito bem esta vida de estudante de pós (no meu caso doutorado) e mãe. É por isso que ainda não terminei o meu Ph.D. (sorriso amarelo). Eu dei aula por 2 anos ainda depois que o Kelvin nasceu. Daí, quando o Linton chegou, nós nos mudamos aqui pra Philadelphia e daí eu não pude mais trabalhar (visto de estudante, sabe como é).

Vivo na "night shift" ("turno noturno" -- isso soa ridículo!) também, trabalhando até as altas madrugadas... isto é, quando eu não estou lendo blogs e mais blogs. (da uma olhada num post recente meu sobre como blogs mudaram minha vida :)

Bom, já escrevi demais... mas agora que você me achou, vai ter que me aguentar!!