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Fenômenos

Na falta de tempo pra escrever, ando dada a notar fenômenos interessantes, ainda que inúteis, de diferentes naturezas:

Fenômenos sócio-culturais:

- O Fenômeno dos Limpadores de Banheiro:
Em todos os prédios que eu freqüento aqui as pessoas responsáveis pela limpeza são homens. Esse universo do feminino servil ainda é realidade no Brasil (nunca nunquinha ví um homem limpando banheiro no Brasil), aqui é o contrário.
Julgando pela capacidade (inexistente) do Princhuco aqui de limpar banheiro (apesar da sua exímia habilidade de lavar a louça, justiça seja feita), que inclui achar que o banheiro está sempre limpo, mesmo quando ele está prestes a ser interditado pela vigilância sanitária, eu não botaria fé em banheiro limpo por homem, mas aqui parece praxe.
Só é estranho você estar lá, na sua cabine do banheiro feminino e de repente, quando você sai, ainda abotoando a calça, dá de cara com um homem, de esfregão na mão limpando o chão como se nada estivesse acontecendo. Meio maluca como sou, já pensei que estava no banheiro errado, pensei, xiiiii...entrei no banheiro dos homens, agora já entendi.

- O Fenômeno do Salsão:

Não sei qual é o problema da gente dessa terra de cá. Eles tem uma mania odiável de botar salsão em tudo.

Meu pai, cabra macho que comia cebola como se fosse maçã, mascava alho como se fosse chiclete e adorava jiló, jamais tolerou salsão. Agora vá entender porque é que esse povo tem mania de meter salsão em tudo quanto é prato. É sanduíche com salsão, macarrão com salsão, salada com salsão, uma desgraça. Meu problema é que salsão é o tipo de coisa que, como pimentão, contamina tudo o que encosta. Logo, macarão não tem mais gosto de macarrão, salada não tem gosto de nada, e tudo fica com gosto e salsão. Eca!

Diz uma amiga que esse negócio de contaminação é coisa de quem não gosta da comida e que eu sou a mais "picky" das "pickies" que ela conhece. Tremenda injustiça já que eu só não gosto de salsão, pimentão e cebola, além de ser vegetariana. Eu até tento me adaptar a cultura gstronômica local, mas salsão, literalmente, não dá pra engolir.

Fenômenos da Gravidez:

- O Fenômeno da Esquizofrenia Gravídica:

Passada a fase dos enjôos e vômitos, a novidade agora é ter alterações sensoriais. Pra quem não sabe, a grosso modo, um dos sintomas da esquizofrenia é uma série de alterações da percepção. A pessoa pode ouvir coisas, ver coisas ou sentir coisas. Eu sinto cheiros. Adoraria estar sentindo cheiro de goiaba ou manga madura, mas adivinhem, o cheiro que eu ando sentindo em tudo é...de salsão.

Princhuco jura que eu maluquei de vez depois que eu comuniquei que todos os rolos de papel higiênico que usamos estão com cheiro de salsão. Bem entendido, eu só sei disso por causa das minhas crises de alergia e eu sempre uso papel higiênico pra assoar o nariz. Este problem é mais sério num pais onde se compra papel higiênico em embalagens de 48 (e não de 6 ou 12 rolos como no Brasil). Agora...o que fazer, pensei em mandar uma carta mal-criada pra empresa do papel higiênico explicando a situação e exigindo que o cara que trabalha na linha de produção e traz sanduíche de salsão de almoço seja demitido imediatamente. Mas sei lá, ninguém leva grávida a sério.

Fenômenos do Desenvolvimento Infantil:

- O Fenômeno da Lógica Infantil:

Escolack anda de uns meses pra cá muito ligado em símbolos. Com uma memória de fazer inveja à qualquer mãe desmiolada como a dele, reconhece letras em tudo quanto é canto, relacionando a letra ao nome de alguém (R de vovó Reni, S de tio Silvio, K da mamãe Keiko e por aí vai o alfabeto quase inteiro...), além dos números familiares como 4 (o andar onde moramos) e 8 (sei lá porque, é redondo??). A última sensação do momento no entanto são as bandeiras. A do Brasil ele reconhece há muito tempo, agora anda pulando de alegria cada vez que vê uma do Canadá ou do Quebec.

Dia desses, passando por umas bandeiras, a mãe estica o tópico e pergunta:
- Filho, onde mora o tio Dedê?
- No Basil.
- E a vovó?
- Nos Estados Unidos.
- E o Zack?
- Na casa.

Ninguém discute, fatos são fatos.

- O Fenômeno da Malandragem:

É incrível o poder de comunicação que uma criança adquire em apenas 2 anos e 5 meses. Malandrack já tinha sacado que conseguia quase tudo que queria quando pedia "por favor", com aquela cara de coitado. Notando que esta estratégia já estava manjada no entanto, ele se encarregou de acrescentar um "só um pouquinho??", acompanhado de um sorrisinho irrestível e os dedinhos fazendo sinal de "pouquinho".

Se o interlocutor é o pai, só isso já basta pra garantir mais meia hora de TV, mais 10 livros, 1 kg de chocolate ou mais 5 horas no banho. Agora, se no entanto o interlocutor é mais duro na queda, ou mais poliglota, nada que um "piiise (please)... sil-tu-plait???" não resolva.

Nem na Lapa, nem em Brasília, a nata da malandragem agora mora em Montreal.

8 comentários:

Claudia Borboleta disse...

Compartilhando momento gravidico...estou indo para setima semana de gestação. Filho temporão já que meu caçulinha faz 13 esse mês...

Claudia Borboleta disse...

Compartilhando momento gravidico...estou indo para setima semana de gestação. Filho temporão já que meu caçulinha faz 13 esse mês...

Chris disse...

Adorei o pacotinho da malandragem. "Só um pouquinho" com os dedinhos pequeninos deve ser impossível de dizer não. Se cuida Keiko, se com 2 anos e 5 meses tá assim, imagina o que vem pela frente...

Quanto aos fenômenos sócio-culturais, gostaria de acrescentar mais um.

Não posso dizer que sou a única, mais exite uma grande chance de eu ser a única pessoa no andar onde trabalho (com mais de 50 pessoas) que escova os dentes depois do almoço. Todo dia tem pelo menos uma que me olha como se eu tivesse acabado de cair da nave-mãe quando me vê escovando os dentes...

Acho que o povo só escova mesmo depois das refeições e o como por aqui o almoço é só um lanchinho/snack talvez não conta.

cecisantiago disse...

Oi Keiko! Saudade...!Gravidez é mesmo um estado interessante,hein?E o pior que depois de 01 ano e quase 02 meses depois de terminada a minha...ainda me sinto a maior das lelés-da-cuca! Acho que foi uma alteração permanente, pois Tico e Teco (os tais dos neurônios femininos únicos..) se desencontraram para sempre kkkk! Continuo meio progesteronizada, se é que o pobre hormônio pode ser responsabilizado para sempre pelo meu new stile of life..! Beijão no safadinho mais treiteiro do Quebec!Imagino a carinha dele....pois o daqui já faz um biquinho irresistível quando acaba alguma coisa, dizendo ôôôôô!Mil beijos, Ciça

paulinha disse...

Eu também sou super picky! O povo corta a cebola beeeem pequenininha e pensa que pode me enganar dizendo que não tem cebola! Não tem jeito!!!!!

Mas um toquinho de gente dizendo "s'il te plaît" deve ser irresistível mesmo!!!!!

paulinha disse...

Eu também sou super picky! O povo corta a cebola beeeem pequenininha e pensa que pode me enganar dizendo que não tem cebola! Não tem jeito!!!!!

Mas um toquinho de gente dizendo "s'il te plaît" deve ser irresistível mesmo!!!!!

Kruger disse...

Eu sei que jah te falei ontem, mas o so um pouquinho do Zack e de matar. Voce ja fica com vontade de tar tudo o que ele esta pedindo. Eta picareta...

Marcia

Deby disse...

kkkkkkkkkkk
Salsão é ruim demais. Tb não gosto do manjericão q minha mãe insite em colocar em tudo.
Malandrack vai longe. imagine ele adolescente.... quero estar aqui pra ler....hehehe
bjinhos