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Empregos

Começou esta semana o festival "Juste pour rire" = Só pra rir, aqui em Montreal. Entre os muitos festivais que acontecem no verão por aqui este é o meu favorito. Basicamente, o festival consiste em um bando de atrações variadas acontecendo na rua, sem um tema específico, mas pura e somente, para fazer rir. Além dos shows pagos em teatros de stand up comedy e outros, as atrações na rua são tão variadas quanto bandas, bonecos gigantes, gente andando em perna de pau sendo guiada por algo que lembra um mix de Star Wars com guerreiros chineses, homem-bala, um lugar soltando espuma, outro soltando água, garçons em restaurantes servindo cobras de borracha e cantando para o público, enfim... a ideia é essa... quem no mundo consegue não rir vendo outro ser humano pagando um mico.

Domingo fomos lá conferir, e além de nos divertirmos a beça, depois de bater um papo sério sobre "carreira e futuro" com meu irmão mais novo, fiquei refletindo sobre as escolhas de carreira que a gente faz na vida. E não, não se preocupem, isso não vai ser um ensaio profundo e filosófica sobre o assunto. O que eu queria mesmo era dizer que, apesar da convicção da minha mãe de que tanto estudo não dá futuro, existe momentos em que eu penso... ok, passar os dias de verão em um escritório sem janela fazendo esta coisa altamente abstrata que chamam de "pesquisa" pode até ser chato (e tão pouco eu posso chamar isso de emprego, mas enfim...), mas eu definitivamente não queria este emprego (sobretudo em um calor de 30 graus):

- A cara do Zack é tipo: "Mamãe falou pra não conversar com estranhos, mas será que eu faço o que quando encontrar uma língua?"


Ou este (mesmo sendo mais refrescante):

- E obviamente a gente pagou $2 pra tentar derrubar o palhaço, sem sucesso.


Já este eu pegaria fácil, aliás, já estou considerando a mudança de carreira djá (embora talvez, e só talvez, me falte uma coisinha ou outra das habilidades requeridas):


Bom mesmo é este emprego (e esse pelo menos eu já garanti):

- Iogurte gelado do Yeh, nosso lugar favorito deste verão - Porque iogurte tem metade das calorias, já diria minha amiga Márcia. Em relação à que é que não se sabe, mas isso não importa.

- Pensa que meu Charles e minha Rose fizeram mais sucesso do que qualquer outra atração do festival, obviamente.
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Enquanto a retrospectiva do Batman cozinha...

Estou devendo a a retrospectiva 2009 do meu Batmack. Ela está em compilação, hora dessas sai do forno, espero que não queime.

Enquanto isso, na sala de justiça...

Essa semana assinei um acordo entre mim e a Sua Majestade a Rainha Elizabeth. Ela me dá acesso à base de dados do governo federal, eu prometo, aliás, eu juro não contar nada confidencial pra ninguém. Eu que entendo absoulatemente nada de política me pergunto: O que a velhinha tem ainda que ver com isso, minha gente?

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Perguntas essenciais à sobrevivência:
- Mamãe, por que a baleia não tem cabelo??

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E reflexões de alto teor filosófico (minhas desta vez):
- Qual é o prazo de carência para resoluções de ano novo?


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Se você, como meu amigo Thiago, não entendeu nada, vide post acima.





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Fenômenos

Na falta de tempo pra escrever, ando dada a notar fenômenos interessantes, ainda que inúteis, de diferentes naturezas:

Fenômenos sócio-culturais:

- O Fenômeno dos Limpadores de Banheiro:
Em todos os prédios que eu freqüento aqui as pessoas responsáveis pela limpeza são homens. Esse universo do feminino servil ainda é realidade no Brasil (nunca nunquinha ví um homem limpando banheiro no Brasil), aqui é o contrário.
Julgando pela capacidade (inexistente) do Princhuco aqui de limpar banheiro (apesar da sua exímia habilidade de lavar a louça, justiça seja feita), que inclui achar que o banheiro está sempre limpo, mesmo quando ele está prestes a ser interditado pela vigilância sanitária, eu não botaria fé em banheiro limpo por homem, mas aqui parece praxe.
Só é estranho você estar lá, na sua cabine do banheiro feminino e de repente, quando você sai, ainda abotoando a calça, dá de cara com um homem, de esfregão na mão limpando o chão como se nada estivesse acontecendo. Meio maluca como sou, já pensei que estava no banheiro errado, pensei, xiiiii...entrei no banheiro dos homens, agora já entendi.

- O Fenômeno do Salsão:

Não sei qual é o problema da gente dessa terra de cá. Eles tem uma mania odiável de botar salsão em tudo.

Meu pai, cabra macho que comia cebola como se fosse maçã, mascava alho como se fosse chiclete e adorava jiló, jamais tolerou salsão. Agora vá entender porque é que esse povo tem mania de meter salsão em tudo quanto é prato. É sanduíche com salsão, macarrão com salsão, salada com salsão, uma desgraça. Meu problema é que salsão é o tipo de coisa que, como pimentão, contamina tudo o que encosta. Logo, macarão não tem mais gosto de macarrão, salada não tem gosto de nada, e tudo fica com gosto e salsão. Eca!

Diz uma amiga que esse negócio de contaminação é coisa de quem não gosta da comida e que eu sou a mais "picky" das "pickies" que ela conhece. Tremenda injustiça já que eu só não gosto de salsão, pimentão e cebola, além de ser vegetariana. Eu até tento me adaptar a cultura gstronômica local, mas salsão, literalmente, não dá pra engolir.

Fenômenos da Gravidez:

- O Fenômeno da Esquizofrenia Gravídica:

Passada a fase dos enjôos e vômitos, a novidade agora é ter alterações sensoriais. Pra quem não sabe, a grosso modo, um dos sintomas da esquizofrenia é uma série de alterações da percepção. A pessoa pode ouvir coisas, ver coisas ou sentir coisas. Eu sinto cheiros. Adoraria estar sentindo cheiro de goiaba ou manga madura, mas adivinhem, o cheiro que eu ando sentindo em tudo é...de salsão.

Princhuco jura que eu maluquei de vez depois que eu comuniquei que todos os rolos de papel higiênico que usamos estão com cheiro de salsão. Bem entendido, eu só sei disso por causa das minhas crises de alergia e eu sempre uso papel higiênico pra assoar o nariz. Este problem é mais sério num pais onde se compra papel higiênico em embalagens de 48 (e não de 6 ou 12 rolos como no Brasil). Agora...o que fazer, pensei em mandar uma carta mal-criada pra empresa do papel higiênico explicando a situação e exigindo que o cara que trabalha na linha de produção e traz sanduíche de salsão de almoço seja demitido imediatamente. Mas sei lá, ninguém leva grávida a sério.

Fenômenos do Desenvolvimento Infantil:

- O Fenômeno da Lógica Infantil:

Escolack anda de uns meses pra cá muito ligado em símbolos. Com uma memória de fazer inveja à qualquer mãe desmiolada como a dele, reconhece letras em tudo quanto é canto, relacionando a letra ao nome de alguém (R de vovó Reni, S de tio Silvio, K da mamãe Keiko e por aí vai o alfabeto quase inteiro...), além dos números familiares como 4 (o andar onde moramos) e 8 (sei lá porque, é redondo??). A última sensação do momento no entanto são as bandeiras. A do Brasil ele reconhece há muito tempo, agora anda pulando de alegria cada vez que vê uma do Canadá ou do Quebec.

Dia desses, passando por umas bandeiras, a mãe estica o tópico e pergunta:
- Filho, onde mora o tio Dedê?
- No Basil.
- E a vovó?
- Nos Estados Unidos.
- E o Zack?
- Na casa.

Ninguém discute, fatos são fatos.

- O Fenômeno da Malandragem:

É incrível o poder de comunicação que uma criança adquire em apenas 2 anos e 5 meses. Malandrack já tinha sacado que conseguia quase tudo que queria quando pedia "por favor", com aquela cara de coitado. Notando que esta estratégia já estava manjada no entanto, ele se encarregou de acrescentar um "só um pouquinho??", acompanhado de um sorrisinho irrestível e os dedinhos fazendo sinal de "pouquinho".

Se o interlocutor é o pai, só isso já basta pra garantir mais meia hora de TV, mais 10 livros, 1 kg de chocolate ou mais 5 horas no banho. Agora, se no entanto o interlocutor é mais duro na queda, ou mais poliglota, nada que um "piiise (please)... sil-tu-plait???" não resolva.

Nem na Lapa, nem em Brasília, a nata da malandragem agora mora em Montreal.
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Irmãozinhos

Sim, eu sei, meu irmão é fofinho, e queridinho, apesar de ter sempre me convencido a fazer qualquer coisa pra ele, em troca de um quadradinho de chocolate, sem rebarbas. A culpa não é dele se eu sempre fiz qualquer coisa por um chocolate. Deixe minha chefe descobrir isso.

Apesar das suspeitas infames, não Marquito, eu não escrevi o próprio post como se fosse meu irmão, eu até me amo bem, mas não chegaria a tanto, o post anterior foi de autoria do próprio e foi sim uma surpresa pra mim. E apesar da "atomporeidade" (qual é o substantivo pra atemporal? Preguiça de procurar) do post, Cláudia, eu acho que preferia o kit bolsa+chocolate, mas vou fingir que gostei mais do post só pra fica meiga ;-)É claro que ele é meio exagerado, meu irmão é do tipo que jura de pé junto que tal e tal coisas a seu critério, são as melhores e mais fantásticas do mundo, a incluir sua irmã, o que não necessariamente representa a verdade. Dizem as más linguas que quando ele conta uma coisa a gente deve dividir por 2 pra chegar perto do real, mas deixemos assim, de repente o Zackolino leia isso por acidente durante sua adolescência e assim se convença de que sua mãe é o máximo.

E aí, pensando nos meus irmãos e da saudade imensa que tenho deles, saudade que só aumenta quando nunca consigo falar com eles, fiquei aqui nostalgiando momentos fraternais que não voltam mais (só pra rimar)...

Durante as viagens fazíamos competição de posto de gasolina, tipo assim, quem falar o nome do posto que aparece na estrada primeiro ganha o ponto. No final da viagem, quem tiver mais pontos ganha algo pré-combinado devidamente patrocinado pelo perdedor (geralmente era uma passatempo recheada ou adivinhe...um chocolate). Meu pai, que conhecia os postos das estradas de cor, sempre me ajudava secretamente, talvez por isso eu quase sempre ganhava. Quando estava chovendo a gente fazia corrida de gotas , cada um escolhia uma gota na janela e a gota que chegasse primeiro ganhava, este jogo era mais arbitrário. Com a maturidade vieram jogos mais elaborados como o tão afamado "Senha", que na verdade todo mundo que viaja com a gente, exceto nós mesmos, odeia jogar, mas joga assim mesmo - não, nós não somos competitivos, mas só por precaução, nunca queira jogar uma partida de "Imagem e Ação" contra nós, pode ser perigoso, até porque a gente sempre ganha mesmo :-)

Eu e meus irmãos fazemos uma pareceria única, a quantidade de besteiras que se produz quando estamos juntos é imbatível. As vezes do besteirol surge coisas produtivas como programas, musicias e até projetos que acabam virando verdade. Nem sei quanto assunto tínhamos pra conversar madrugada a dentro, mas sei que parte do que sou deve ter vindo destes assuntos.

A gente também tem um contrato velado de "topa tudo" e assim não importa a hora ou o quê, sempre estamos prontos pro que der e vier e isso inclui preparar apresentações de power point na noite anterior ao trabalho, poster pra congresso, idéias pra workshop via skype as 3 da manhã e antigamente, saídas de madrugada pra programas diversos, esquemas mirabolantes pra conquistar menininhas e menininhos (dependendo de quem quer conquistar, explicando) e tudo sempre é feito de alguma jeito fora do comum, como a vinda do De pro aniversário do Zack ano passado, quando ele se disfarçou de antendente de Drive-Thru na sua chegada. Meus irmãos são as pessoas que eu mais sei que posso contar, seriam "Dream Team", se acaso eu tivesse pouco mais que meus 1,51m. e algum interesse em basquete, mas perceba a metáfora.

Meus irmãozinhos fazem uma falta absurda, tanta que ando pensando mesmo que Irmãozack precisa de um irmãozinho urgente, ninguém devia ficar sem um. O que??? Alguém ouviu isso? Não, ufa! Essa coisa de nostalgia leva a gente a um certo nível de delírio.

Valeu irmãozão pelo post, foi deveras um presentão de aniversário (mas assim, se quiser mandar aquele kit não tem problema não...). Valeu pessoal pelos "Felizes Aniversários", ando em um processo de estresse pós-aniversarial/pré-exames finais e da total falta de tempo, que já nem é novidade, mas vou aparecendo por aqui de quando em vez.

E você ai, o que faz seus irmãozinhos(as) inesquecíveis??
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Bola pra frente


Depois de escrever o post de ontem passei o dia inteiro com peso na consciência hoje. Cheguei à conclusão que estou virando uma sub-espécie de Hardy (esta hiena aí do lado que vivia dizendo "ó vida, ó azar, ó tudo! - Lembram dele? Obviamente eu lembrava do personagem, mas não do nome, este quem lembrou foi meu amigo Google, a partir da frase caricata) e decidi apagar tudo e parar com esse negócio de não postar. Não só apagar tudo, mas também postar um post mais Pollyanístico (estou toda retrô agora). Não sem motivo. Tive fontes de inspiração que abriram meus olhos para a beleza da vida nas entrelinhas da falta de tempo e do caos total.
Fato 1: Fofurack, que está provisoriamente dormindo na nossa cama enquanto seu quarto está ocupado, veio de manhã fazendo carinho no meu rosto, enquanto eu fiquei curtindo, fingindo que estava dormindo. Dali mais um pouco, cansado de tanto carinho sem resultado ele chega mais perto, dá um beijinho e solta o seu já célebre: "Mamãe, Acoca!" (Mamãe, acorda!). Acordei, obviamente, mas não sem fazer uma análise filosófica e profunda da situação. A pobre criança passou ontem o dia inteiro com febre e vomitando, não conseguiu comer nada, nem brincou o coitado. Sua reação? Sentar no computador e sair reclamando da vida pra todo mundo??? Não, meus caros, mas fazer sua reclamona mãe ver que a vida é bela. A noite, quando cheguei em casa ele veio direto contando: "Um, do, teis e dá" (Um, dois três e já) e se jogando em cima de mim...Nem o mais pessimista dos seres pode ficar reclamando com uma criatura assim por perto.
Fato 2: Em uma das escolas que trabalho estava fazendo uma atividade com as crianças do maternal quando leio na parede: "Tartarugas são animais de sangue frio". Parei pra pensar qual era a última vez que eu tinha visto ou ouvido tal coisa e, oh céus...tinha muito tempo. Aí uma luz se abriu e ouvi vozes cantando AAAAAAAA (era uma iluminação, não uma assombração) e comecei a refletir sobre o bem que faz pensar em fatos triviais, essas coisas que a gente não tem mais tempo de pensar depois de grande, cá entre nós, eu nem lembrava o que era um animal de sangue frio mais, tanta coisa que a gente só tem tempo de pensar em refletir quando é criança...e enfim o mundo temporariamente se dividiu entre contas à pagar, problemas à resolver, filhos pra criar e animais de sangue frio ou quente, genial.
Fato 3: Ao voltar da aula no fim da tarde, para fugir do simpático frio (sim, simpático porque eu não sou mais uma pessoa que reclama) de -100 graus que fez hoje (não reclamo, mas ainda posso exagerar, poxa vida, não me tirem tudo!) entrei em um dos shoppings subterrâneos daqui e como já estava passando mesmo...fiz umas comprinhas, assim...só essenciais, uma blusinha preta (porque todo mundo sabe que blusinha preta nunca é demais), formas de muffin, uma camisa, uma calça e um chocolatezinho...
E foi assim, ao longo deste dia que compus as três primeiras dicas do manual Keiko de "Você pode ser feliz mesmo sem tempo" (tinha pensando em um nome mais comercial como "A felicidade não tem tempo" mas aí me ví figurando ao lado de um destes autores de auto-ajuda nas prateleiras da Saraiva e fiquei horrorizada, optei pelo menos comercial mesmo).
Dica 1: Tenha sempre uma criança por perto. Jesus, sábio como Ele só, já bem disse que tínhamos que ser como crianças pra entrar no sEu reino. Seja pra trazer a doçura que só elas sabem ter, seja pra lembrar informações essenciais sobre a vida, arranje uma criança. Se não tiver uma que te pertença, alugue, empreste, sequestre (não rapte, cruzes! - devidamente corrigida pelo meu amigo Marquito) mas assegure a sua dose diária de criancice.
Dica 2: Vá ao shopping. Ignore a gripe que te assola e do misto de dó (pelo meu nariz que parecia um tomate) e nojo das pessoas (pelo meu último lencinho - dos dois pacotinhos que eu tinha levado- que eu usava e re-usava e já estava só o farelo) . Aliás, tire proveito disso para olhar tudo que quiser sem que nenhuma vendedora venha oferecer ajuda, aliás, você pode até olhar, olhar e não comprar nada porque ninguém vai se importar que você e seus vírus deixem a loja. Mas no final compre assim mesmo, nem que seja pra devolver tudo no dia seguinte (Alerta: pra isso tem que estar por aqui, no Brasil não funciona bem), só pra deixar a vendedora com agonia de pegar seu cartão de crédito contaminado e sair com aquela sensação de poder que só uma nova blusinha preta pode dar.
Dica 3: Matenha seu blog ativo. Mesmo que para isso você tenha que deixar de escovar os dentes ou tenha que ficar até as 3 terminando aquele trabalho pra amanhã, prioridades são prioridades. E vamos combinar, essa coisa de tese, artigo é tudo besteira, nada como escrever um monte de bobeiras públicas pra sentir que seu dia valeu a pena.
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E la se vai mais um...

31 de Dezembro, 21h00, eu aqui do lado do Bush, longe da praia, assistindo TV ja que ninguem se animou a sair da toca pra ir ver os fogos ha 1 hora daqui...sem fogos nem areia no chinelo, mas ainda alegre por ter meus irmaozinhos, mamae, Princhuquinho, Princhucaoe demais agregados por perto pra ficar falando besteira e rindo ateh fazer xixi na calca enquanto o pobre padrasto gringo tenta entender " what a hell is going on"...

Ainda nao cansei de fazer nada, minha programacao genetica tem uma combinacao recessiva de resistencia a produtividade e ao excesso de acucar, mesmo assim, vim aqui soh pra desejar um Feliz Ano Novo, com metas que eventualmente se concretizem antes de 2009 - ou nao, com agenda nova soh pra anotar aniversarios e compromissos de lazer, com sorrisos de bebe e beijinhos matinais todos os dias, com cheirinho de pizza no forno ou de terra molhada depois da chuva, com sol que derreta a neve, com prato preferido na mesa, com tempo livre pra fazer nada -ou tudo, com casa que fique limpa sozinha, com roupa quentinha recem passada por alguem que nao seja voce, com familia que nao saiba porque esta rindo mas ria mesmo assim - e que chore quando preciso for, com dinheiro que voce nao esperava naquele bolso que voce nem lembrava, com pelo menos um novo lugar, cheiro ou gosto, com aquela musica que voce nao ouvia ha seculos tocando no radio no meio do transito, com elogios ouvidos sem querer, com frio na barriga, seja de montanha russa, de primeiro beijo ou de defesa de tese, com jogos de tabuleiro e outras coisas que lembrem que mesmo sendo grande eh preciso ser pequeno. Isso e mais o elementar como amor, saude e paz na terra...mas isso tudo vem de troco quando a gente eh feliz aos poucos.

Pra todo mundo por ai nesse mundo, ligados sem sapatos, olhando pra uma tela bem agora, um 2008 com muita felicidade aos poucos e com a mao de Deus lembrando que todas as pequenas felicidades dessa terra nao sao nada comparadas a felicidade que Ele ainda tem reservada pra gente.

E a piadinha batida que nao que calar: Ateh ano que vem!
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Excesso

Eu sempre fui meio maníaca por informação. Principalmente as inúteis. O tipinho que lê caixa de sucrilhos e sabe todos os ingredientes e valores nutricionais do pão, porque fica lendo enquanto toma café da manhã, que tem sempre 2 revistas e um livro no banheiro, tudo muito coordenado, a leitura da manhã no trono é atualmente "Estorvo", a da noite é "Today's Parents" e se sobra um tempinho "Boa Forma". Na gaveta do escritório tenho um guia de nutrição infantil que é pra planejar o menu da semana enquanto reino por lá, ou se canso de fazer qualquer coisa mais útil, pra não ficar olhando pro teto. Na cabeceira da cama tenho a a Bíblia, um manual de estudos da mesma e "Um Antropólogo em Marte", pra acabar o dia com alguma coisa útil, pra variar.

Também sou do tipo que lê todos os anúncios de publicidade no metrô, que fica com raiva quando alguém para bem na frente daquela propaganda que você está lendo, pô, tanto lugar par parar e o cidadão estaciona alí, na frente da minha propaganda. Isso, é claro, além de ter lido a série vaga-lume inteira. A regra de ouro é, não há tempo a perder, mantenha-se informada, seja a informação útil ou não. Por essas e outras que estou ficando cada vez mais míope. Cega, mas bem informada.

Mas nem só de informações inúteis vive a Keiko. Chega uma época na vida que você é obrigada a passar para um nível mais útil...é matéria de faculdade, livros de gravidez, educação, nutrição, e ão, ão, ão que não acaba mais. Pra piorar, tenho acesso às bases de dados de todas as publicações de saúde, aí é uma triteza. Entro lá pra minha pesquisa, começo com "Paralisia Cerebral", "Determinantes", e quando me dou conta já estou pesquisando "Disciplina", "Educação", "Desenvolvimento Cognitivo" e imprimo pilhas e pillhas de artigos que vão sendo lidos na calçada enquanto ando, na academia (isso é, quando eu apareço por lá - Sandra, acho que é por isso que eu não faço amigos, estou sempre lendo).

Já é velha a notícia de que hoje temos acesso à informação como nunca. Fico pensando que pra conseguir um artigo que hoje consigo em um clic, na faculdade podia demorar até meses. Fico pensando que há algum tempo as caixas de sucrilhos nem tinham tabela nutricional e eu jamais iria saber que o prato cheio que como nem é tão light quando parece e eu só deveria comer 1/3 de xícara. Não que eu deixe de comer a xícara inteira, mas nada como uma decisão bem informada. Você engorda sabendo com o quê. Como eu acredito piamente que informação é poder, não acho ruim não, mas acho que a coisa está ficando meio exagerada.


Não basta aquela vaga sensação de que você não pode ser boa em nada se não tiver lido tudo que existe no mundo sobre o assunto. Do último artigo na Science até a notinha de rodapé do jornal, do pop up do site até o spam do cara da África que quer fazer um depósito milionário na sua conta. Agora outro dia me enfezei. Entrei na farmácia pra comprar um shampoo e saí tonta. Comecei a ler as embalagens : Cabelos longos com frizz e volume. Cabelos médios com a raiz oleosa e as pontas secas. Cabelos que tem mais volume de manhã e menos a noite. Cabelos enrolados com ondas médias. Cabelos curtos que armam e fazem pirueta. Fala sério?! Fiquei frustrada, percebi que o que eu queria era mesmo um absurdo...onde já se viu, em pleno século XXI querer shampoo pra cabelos Normais. Isso sem falar na coleção de condicionadores pra combinar com os shampoos. Bons tempos os do shampoo Seda cabelos Normais, Oleosos ou Secos e do Condicionador Neutrox pra todos os tipos de cabelo e ponto final. Saí da farmácia meio contrariada com um shampoo pra "Cabelos escuros que precisam realçar o brilho natural" e um outro para "Obter cabelos 75% mais macios em 3 lavagens", de repente no meio disso meu cabelo fica normal.

Só de raiva decidí, nunca mais leio caixa de sucrilhos no café da manhã.


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Eu?

Nota de Gratidão: Meu muitíssimo obrigada a todos os leitores do "Departamento respostas rápidas e eficientes para perguntas cretinas" que tão prontamente me auxiliaram a resolver o mistério da data do post. Mas já que estamos falando em prêmios, tenho que dizer no entanto que o prêmio de resposta do ano vai para a Lilian, porque quando você copia e cola em um novo post as fotos ficam todas fora do lugar e aí tem que arrumar tuuuuudo de novo. Já a solução da Lilian vale a pena aprender! O post muda de data com os comentários e tudo, uma verdadeira maravilha! ( Vide comentário da Lilian no post S.O.S - e aprenda como mudar as datas dos seus rascunhos com eficiência e agilidade! )

E agora, o texto velho, com data nova:

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Prêmios são coisas assim que você ganha sem esperar... alguém acha que você merece e você fica se achando merecedora a partir do momento que ganha, e fica com aquela cara de ganhadora de Oscar... Eu?? Oh! .



Por essas bandas de cá existe todo um sistema de premiações que eu desconhecia totalmente. Basicamente você pode ser premiado por tudo que faz na universidade. Várias pessoas decidem doar quantias, propriedades para faculdades e cursos, que se transformam em premiação por bom rendimento acadêmico ou outro critério qualquer. Aparentemente, o fato de ganhar os prêmios não só te dá um incentivo financeiro mas conta muito no seu currículo, principalmente na hora de pedir bolsas de pesquisa e empregos acadêmicos.

No primeiro mês do mestrado a secretária da faculdade me liga pra dizer que eu tinha ganhado um prêmio. Alguém, do nada, tinha decidido fazer uma doação para a faculdade de terapia ocupacional, o dinheiro aplicado, deveria ser dado anualmente para novos alunos do mestrado, com boas notas durante o bacharelado. Eu, hein? E agora eu mereço um prêmio pelas notas que eu tirei lá no Brasil? Mas eu nem pedi...bom, bom, cavalo dado não se olha os dentes, já diria alguém que certamente morava na fazenda. Dalí uns dias chega na minha casa um cheque de $2000,00. UAU! - Como diria Admirack, gostei da coisa. No Brasil o máximo que eu ganhei pelas minhas notas foi um "Parabéns !" - da minha mãe. Aqui, pelas mesmas, estão me pagando.




No fim do primeiro ano do mestrado, eu de barrigão de 6 meses com Premiack dentro, me liga a secretária de novo. Eu deveria comparecer à uma cerimônia dia tal porque ia receber um prêmio. Chego lá, meio sem saber do que se trata, todos os professores da faculdade, alunos, morango com champagne...Uma senhorinha já de idade, ex-terapeuta ocupacional, resolveu que a cada ano iria doar uma quantia em prêmio para o melhor aluno do mestrado. Lá vou eu feliz e garbosa, outro cheque, um certificado, fotos pro site...

Dia desses me liga a nova secretária da faculdade. Eu tinha que comparecer a outra cerimônia dia tal, hora tal. Chego lá, o mesmo povo, almoço de recepção, outra senhorinha que ao fazer 50 anos pediu aos amigos que ao invés de lhe dar presentes, dessem quantias em dinheiro para a faculdade de Fisio e TO. O dinheiro novamente investido, vai para a pesquisadora de doutorado cuja pesquisa tem maior potencial para beneficar ações de reabilitação, aparentemente essa aí era eu. E bom, outro certificado, outro cheque, mais fotos pro site.


A impressão que eu tenho é que no Brasil, por exemplo, é fácil achar mil causas precisando de doações e apoio para questões de vida ou morte, de pobreza extrema, de sofrimento social. Por aqui, na falta da pobreza por definição, as pessoas resolvem doar mais para educação e cultura, um sistema bem mecenas.


Se esses prêmios fazem bem à ciência, fazem ainda mais bem ao ego e ao bolso dos premiados. Cada prêmio desse eu fico pensando..."poxa, eu não tava esperando essa grana, então posso comprar X, Y, Z" (X= bolsas Y= roupas Z= sapatos). E não pensem que eu estou fazendo mal uso do dinheiro dedicado à pesquisa. Estes prêmios nominais são mesmo para a pessoa, e não para a pesquisa. Outros tantos existem destinados à pesquisa especificamente. Se o pesquisador achar que precisa de um novo computador, então que compre, se ele achar que precisa de uma nova bota marrom e uma bolsa, que compre também, o uso é totalmente pessoal. No entanto, nem tudo são flores e cheques. Uma vez que você ganha um prêmio desses, você perde uns 2 ou 3 "amigos". Mas como amigo que se preze não se perde assim, a gente ignora as perdas e se contenta com o sapato novo. É claro que isso também revela a faceta vilã do sistema de prêmios que recompensa performance, rendimento em detrimento do processo e alimenta o espírito de competição, já mais acirrado nas bandas de cá, nada saudável. Mas isso é prosa pra outro dia.


Diz meu irmão que não se escreve em blog essas coisas de auto-crédito, de ficar se "amostrando", em bom baianês. Mas tudo isso passou pela minha cabecinha de vento só porque andei sendo premiada pela Juliana, o prêmio: "Escritores da Liberdade". Aí lembrei que a Thelma, há mileanos tinha me nomeado também. Poxa gente, que coisa chique! Eu??


E boa como sou em manter essas coisas, me esqueci completamente de nomear meus 3 premiados. Esses prêmios virtuais são também uma massagem no ego de escritora frustrada. Não tem cheque, mas tem a vaga sensação de que o monte de bobeiras que você escreve, que te servem tão bem de catarse, também servem de alguma maneira a alguém mais. Valeu Thelma! Valeu Ju! A grande vantagem dos prêmios virtuais sobre os reais é que você não perde pretensos amigos e com sorte, até ganha uns.


Como achei esse nome "Escritores da Liberdade" chique demais, escolhi a dedo, da minha sempre crescente lista de blogs lidos, blogs que conseguem tratar de temas que de alguma forma libertam:


Estou no mundo a PC: Esse site coletivo conta histórias reais de mães e seus filhos e a liberdade que experimentam ao encarar os preconceitos, as dificuldades e as vitórias de cada dia na vida de uma criança com paralisia cerebral.


Blogtalk: A Cristiana além de ser a escritora que eu queria ser é uma mãe do tipo pé no chão e mãos a obra. No blogtalk ela fala de assuntos diversos e sinceros, livres de preconceitos e censura. Se eu não me engano, ela que criou o Estou no Mundo a PC. Ou seja, é premiação dupla. Se tivesse cheque, você agora estava rica!


É por aqui que vai pra lá? : Marquito, o autor, é meu amigo de verdade (digo de verdade, do mundo real e de verdade verdadeira, do mundo afetivo) e pai da minha criança preferida (fora a minha,é claro). Mas além disso, ele é também um escritor nato disfarçado de advogado que liberta ao escrever sobre religião, família, cultura e até futebol.


Como eu sou lesadinha e não sei colocar as imagens na barrinha aí do lado, vão aí as imagens dos meus prêmios (eu sei Dê, ficou meio metida a besta, foi mal...)



Indicado pela Debby, trocentos tempos atrás:


Indicado pela Juliana e Thelma há uns outros trocentos tempos:






Eu e minha mecenas na entrega do prêmio nesse ano na McGill (do outro não tenho as fotos):





E o maior prêmio de todos, que não vem com cheque, mas vem com este sorriso:




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O túnel do tempo

Youtubando por aí achei um vídeo de uma galerinha, em algum ano do "ensino médio" (antipatia de ensino médio, pra mim ainda é segundo grau...) da escola onde estudei a vida inteira, cabulando aula pra ir ao cinema, registrando o fato como heróico e obviamente se divertindo.

Me deu uma saudade do tempo que correr risco era cabular aula, do tempo que de fato, se você decidisse que em uma manhã, em um dia de semana, você queria ir ao cinema, era só ir, sem maiores conseqüencias. Lembrei de uma tarde na faculdade, fim de semestre quando eu e uma amiga que morava no mesmo prédio, decidimos ficar em casa assistindo sessão da tarde - sessão da tarde! Um filme sobre um alce que se perde ou coisa assim...fazendo unha e comendo carolinas da padaria da frente do prédio. Saudade do tempo que eu podia almoçar passatempo recheada com Todynho e não engordar, de um tempo com menos compras "de supermercado" e mais compras "de shopping", com mais "vamos vivendo" e menos planejamento, de um tempo quando eu sabia o que ia ser quando crescer.

E aí vem aquela tristeza de constatar que os adultos estavam certos, você era feliz e não sabia. E pior, constatar que em 1 semana dei pra escrever 2 posts nostálgicos...o que é isso minha gente, eu não tenho nem 30! Eu, hein?!
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Papirus

Houve um tempo...quando no fim do ano a minha maior alegria era sair com a minha melhor amiga por todas as papelarias e lojas da cidade, em busca da "agenda perfeita". Eu sempre fui meio maníaca com agenda. A definição de agenda perfeita foi mudando com o tempo, no começo era a mais papagaiada, com a maior cartela de stickers no final, com desenhos nas páginas. Servia pra tudo, desde anotar a lição de casa até colar papéis de bala, palito de picolé, fotos de amigos e por aí vai, de forma que no fim do ano ela não fechava.

Depois foi ficando com cara mais séria, afinal, quem ia dar moral para uma terapeuta que tirasse uma agenda dos Ursinhos Carinhosos para anotar um compromisso. Chegamos ao nível "agenda de couro", mas ela ainda tinha seu charme. Saquinho para guardar coisinhas, clipes coloridos em uma página e é claro, a sempre presente possibilidade de usar canetas coloridas, colocar uns stickers escondidos (inclusive alguns "economizados" há anos, muitos anos de outras agendas e outros carnavais) aqui e lá, enfim, ainda havia esperança.

Desde o ano passado troquei minha agenda de papel por um Palm, doado pelo sócio do marido que não conseguiu se adaptar a tecnologia e voltou ao papel. No começo achei chique, pensei que agora sim, tinha virado gente grande. Um ano passado e eu estou entrando em depressão. Até colei uns adesivinhos atrás do negócio, mas vamos combinar, ficou ridículo, tive que tirar.

Outro dia em uma reunião vi uma colega terapeuta grifando com canetas marcadoras de 2 cores diferentes 2 reuniões futuras que estávamos agendando e fiquei morrendo de inveja. Eu lá, com aquela canetinha sem graça que nem cor tem, anotando no meu Palm, bargh! Não vou dizer que ele é de todo ruim, me economiza por exemplo repassar os telefones e datas de aniversário de uma agenda pra outra, está tudo lá. Mas existem outras questões altamente existenciais envolvidas, como, e se eu não quiser mais saber o aniversário daquela pessoa no ano seguinte? E que desculpa eu posso dar se não ligar pra alguém? ("Perdi o papelzinho onde anotei seu telefone" é um clássico...e no meu caso era sempre verdade, agora já era). E como você personaliza um Palm? Tá, bota umas fotos, umas músicas, mas ninguém vê, só você. Falta aquela troca, aquela chance de deixar os outros te conhecerem um pouco só olhando pra sua agenda. Bom, talvez eu seja a única maluca que fica fazendo análise de personalidade através da agenda, mas que eu faço eu faço. E ninguém pode fazer de mim, porque eu não tenho mais agenda!

Isso só pra falar de agendas, sem contar as cartas, com papel de carta perfumado e envelope que combina (que aliás, podia ser trocado por 2, certo?- observação exclusiva para meninas que já colecionaram papel de carta). E os cartões de aniversário?? Tem coisa mais antipática, e no entanto mais prática, do que cartões virtuais? Poxa vida, e aqueles cartõezinhos que vinham do Paraguai e tocavam parabéns pra você com aquele som irritante quando você abria, até a bateria acabar? Acabou, acabou. Hoje em dia, mesmo morando longe de vários potenciais "remetentes" as únicas cartas que eu recebo são contas, nada divertido isso. Mas aí é assunto pra um post mais sério e reflexivo sobre os males e dilemas da tecnologia (e este post de hoje é só uma reflexãozinha inútil de uma moça sem agenda, sem marido ( no Brasil) e por isso sem vontade de ir dormir).

Se quem sabe então Montreal for um dia uma cidade submersa, pobres escafandristas, a não ser que inventem hardwares a prova d'água, não vai sobrar nada pra dar para os sábios decifrarem...
( e aqui eu colocaria um link para a letra de "Futuros Amantes", caso alguém não saiba do que eu estou falando, mas por alguma razão misteriosa minha barra de endereços sumiu e eu não sei como copiar o link. Veja só, a tecnologia.)
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É a vida...

Existem coisas inevitáveis que acontecem no curso dessa nossa vida e que quando você vê você constata tristemente...caramba! E não é que aconteceu?

Coisa 1 -
Neste sábado fomos convidados para a festa de aniversário da filha de uma amiga. Tudo bem se não fosse o fato de que a filha estava fazendo não 5, mas 18 anos. Consegui deixar todo mundo triste quando em meio a gracinhas de Princhucão (o pai mesmo) percebi os olhares complacentes da turminha "dos jovens", pensando certamente "poxa, esse tiozinho aí até que é engraçado" ou o pior "pô, olha o tiozinho coitado, mó mané" (no carioqûes da amiga carioca). Sim, éramos os tiozinhos, os amigos dos pais, convidados só pra trazer presente e não deixar os próprios pais deslocados na festa da filha.

A aniversariante esperta, aproveitou nossa presença pra despistar os pais, entretidos conosco, e sair com os amigos pra fazer a verdadeira festa, longe da velha guarda. Fomos os últimos a ir embora, quase ajudamos na faxina...ô tristeza, e pensar que um dia desses eram os meus próprios amigos que faziam 18 anos...

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Coisa 2-
Desde pequena eu sempre praguejei em alto e bom som para minha mãe (que era professora) que podia ser tudo na vida, menos professora. Porque embora eu achasse o máximo escrever no quadro-negro (no tempo que isso existia), eu achava insuportável ver as pilhas de provas que ela trazia pra corrigir em casa, muitas vezes à custa do nosso tempo de brincar juntas ou quando mais crescidinhos, entrávamos na dança corrigindo provas em troca de chocolate (essa moeda sempre foi forte lá em casa) ou não cumprimento de tarefas domésticas. Minha mãe ria e praguejava de volta: "quero só ver".

Sei que sendo membro da categoria (mãe) não deveria falar mal da mesma, mas praga de mãe é mesmo uma praga. Tanto foi que hoje, não sou professora, mas sou assistente aqui na faculdade. Isso quer dizer que eu não escrevo na lousa, não ganho maçã e nem me regozijo na honrada missão de educar cidadãos para a vida. Tudo que eu faço é corrigir provas. Ah sim, também tiro dúvidas por email e escuto reclamações, sempre que os alunos não tem coragem de se dirigir à professora "de verdade", quanto glamour!

Por conta disso hoje, as 6h17 da manhã eu não estou acordando, mas indo dormir, após uma noite de correções precedida de muitos dias enquanto uma pilha de 101 provas figurava em cima da mesa e minha vida consistiu de uma rotina divertidíssima de "auto reforço positivo" de várias categorias: se eu corrigir 5 provas posso beber água, mais 5 posso ir ao banheiro (assim, apelando pras necessidades básicas mesmo), mais 5 eu leio uma história pra Princhuquinho (para compensar a culpa de fingir que ele não estava lá mordendo meu pé e chamando "mamamama"enquanto eu corrigia), mais 10 como uma colher de Nutella (pra repor a energia gasta). Chegando a data de entrega das médias (hoje) o desespero foi tomando conta e até amigas desavisadas que ofereceram ajuda só pra serem bacanas se deram mal e passaram o domingo fornecendo mão de obra escrava - assitentes da assitente - cargo ocupado também por Princhucão que faz as planilhas, soma, confere, organiza, uma verdadeira linha de produção.

A recompensa final, o capricho que me ofereço após a semana de trabalho intenso: "quando eu acabar tudo (e só quando eu acabar tudo) eu escrevo um post sobre o assunto". Voi-là, agora posso dormir em paz. Só não posso contar nada disso pra minha mãe, pra me poupar do clássico: "mas eu te disse!".

C'est la vie...