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Ele **

** Este post tinha sido escrito, e postado há duas semanas, quando eu, notavelmente desmiolada, achei que o dia dos pais aqui no Canadá era no primeiro domingo de Junho. Tirei o post do ar as pressas quando descobri que na verdade, era no terceiro, ou seja, hoje. Para toda a minha multidão de 4 seguidores, perdoem a loucura, e aceitem a singela explicação. Hoje também é o aniversário de 4 anos do Zackolino, que será devidamente postado amanhã, devido ao conflito de datas. Sem mais delongas, o post pro Papito.

Ele quer ter cinco filhos, em um mundo que a maioria dos homens (e mulheres, vamos combinar) custa engolir a ideia de ter um só. Pra provar que realmente quer isso, ele se desdobra, ele deixou oportunidades de lado pra ficar em casa cuidando do primeiro enquanto a mãe fazia o mestrado, continuou fazendo malabarismos entre o trabalho via skype/rádio/teleconferência e a mais nova, para deixar a mãe tranquila fazendo o doutorado. Mas pensando bem, ele fez isso não para provar nada, mas sim porque entre muitas outras vocações, a de pai se destaca, ele nasceu pra isso, ele é o paizão que qualquer filho queria ter e não creiam, caros amigos, que isso é só pra perpetuar o clichê, este do qual vos falo, é um paizão pra valer (nem era pra parecer poesia, mas foi).

Ele tenta burlar as leis da mãe-general de quando em vez, mas não é por mal. É porque ele não se aguenta e tudo que ele mais quer na vida é ver os filhos rindo. Rindo não, porque isso é fácil, ele quer vê-los gargalhando, se acabando de felicidade e pra isso ele não mede esforços. Vale montar trilhos do Thomas na calada da noite só pra ver a cara do filhão quando acordar e ver aquele super-ultra-dooper trilho digno de trem-bala, vale montar quadra de baskete dentro de casa, vale comoprar todos os sapatos de florzinha que consegue achar, só pra ver a mãe também feliz, e a menina falando "papá?" (sapato?), vale comprar bonequinha que fala igual a filhota (nenê!!!), vale dar chocolate escondido, vale ir no McDonald's e pedir um pãozinho sem nada com batatinha e brinquedo, vale ficar no quarto escuro por horas fazendo-os dormir, cantando, ninano, só pra não deixá-los chorar. Vale tudo porque pra ele, eles são tudo.

Ele ensina coisas engraçadas e eles adoram. Eles são a melhor plateia, os fãs número 1 e 2 do melhor comediante do mundo. Todo mundo sabe que as caretas do filho são o espelho do pai, que a sociabilidade da filha, que acena e fala "hi" pra todos os estranhos na rua, é igualzinha a do pai, que acena, fala "hi", pega o telefone, dá carona e convida pra jantar os estranhos da rua. Mas ao mesmo tempo ele é bravo e sério quando precisa ser. Todo mundo aqui em casa sabe que a mamãe briga o tempo todo, mas se o papai briga, a coisa é seria mesmo. E eles respeitam, e eles obedecem por amor, não por medo, porque ele toma tempo pra explicar os porquês, para dar perspectiva, par amostrar que mesmo quando ele está bravo, ele se importa, ele ama, ele cuida.

Ele não é perfeito, vamos admitir. Ele não sabe combinar roupas e tem a capacidade única de colocar nas crianças a roupinha mais velhinha, manchada de cândida e faltando botão pra sair se a mãe, por distração, esquece de separar as roupas com atencedência. Ele ainda não sabe pra que lado pentear o cabelo do menino e não apoia a empreitada da mãe de forçar a menina a ficar com a presilha no cabelo contra sua bem expressa vontade. Ele não sabe cozinhar e não vê problema em colocar no liquidificador laranja com leite, kiwi, iogurte, pão e salada, tudo junto pra fazer uma vitamina bem nutritiva. Mas mesmo assim, vale o ponto pelo esforço, não?


Ele não tem medo de brincar. Ele leva a propaganda do Gelol a sério e elevou a máxima que "não basta ser pai, tem que participar". Participou nos partos, cortou os dois cordões umbilicais, acordava a noite pra pegar e trazer pra mamar, trocava a fralda e botava no berço de volta, ele estava lá. Ele desce pra andar de bicicleta com o meninó enquanto a pitica empurra seu carrinho de boneca, ele passou as últimas duas semanas em hotéis, sozinho com os dois enquanto a mãe ia para congressos e enquanto isso, foi sozinho com os dois pra piscina, foi sozinho com os dois pro parque, pro museu da criança, pro shopping, pro parquinho, pro restaurante... coisa que só quem tem um menino de quase 4 e sua bola inseparável e uma de 1 ano e 3 meses e sua personalidade inseparável, pode entender e saber que, não é fácil, não é óbvio, não é pra qualquer um, não é pra meio pai, é pra pra pai muito inteiro, é pra ele e ele só.

Ele ama tanto que me dá vontade de chorar. Não precisa dizer, basta saber que as primeiras palvras dela foram "papá", basta olhar o sorriso e o braço aberto que a menininha em gritos de excitação dá e sai correndo em direção à ele quando o vê, basta ver o olhar de admiração, a boca cheia do meninão quando fala que "meu papai é muito forte, ele é o melhor do mundo do baskete! ", basta ver como ele se preocupa, como ele se excede e além de andar a primeira milha que muito pai por aí nem conhece, como trocar fralda, dar comida, dar banho, ele anda a segunda e brinca, e investe tempo, e se abnega, e se empenha, e ainda anda a terceira e quer melhorar, e melhora a cada dia.

Ele é o paizão dos meus filhos, ele é uma benção no nosso lar. Ele é tudo isso mesmo, nem é exagero, e tenho certeza que os sortudos que o tem como pai assinariam embaixo se soubessem assinar. Vejo Zackolino crescendo, os dois saindo pra jogar futebol e baskete juntos, conversando sobre a namoradinha da escola enquanto passam pra pegar Ninoca na casa da amiga. Vejo os três passando escondido no Mcdonald's, mas não resistindo e comprando uma tortinha de maçã pra trazer pra mim e isso me põe um sorriso no cantinho da boca, uma lágrima no cantinho do olho, uma certeza no meu coração de que meus filhos ganharam o melhor pai.

Dizem que uma mãe nasce quando nasce um filho e eu concordo. Acho que o pai nasce um pouco depois. Meninos não são treinados pra serem pais, todo mundo sabe. Meninos não tem bonecas onde praticam trocar fraldas e dar mamadeiras e ursinhos pra botar curativos e panelinhas pra preparar comidas para as bonecas que esperam na cadeirinha. Meninos que viram bons pais aprendem na raça, aprendem no dia-a-dia, no susto, no amor que tem que ser buscado lá no fundo quando é duas da manhã e você finalmente deita só pra levantar cinco minutos depois pra buscar o nenê que chora. Os meninos que alcançam o sucesso merecem menção honrosa como ele, o pai dos meus filhos, o cara, o Papito preferido do pedaço.

Feliz dia dos pais papito!!
Saiba que eu dou valor, e muito (ele sempre fala que eu não dou, e quase sempre ele tem razão).

E feliz dia dos pais para os outros papitos por aí (pelo menos os da américa do norte, para quem vive do lado de baixo do Equador, guarde pra Agosto :-)

6 comentários:

Camila disse...

=D

Vocês 4 são maravilhosos!

Mariza disse...

Que coisa mais linda!!!!

Super beijos pra vcs!!!

milamaegi disse...

Maravilindo seu texto!
Tava com sdd de atualizações do blog, mas eu entendo a correria...

Lúcia Soares disse...

Uma verdadeira declaração de amor, Keiko.
Ele deve ter adorado.
Sua família é abençoada!Parabéns!
(Meu genro é que nem o Papito. Só não pôde amamentar...O resto faz tudo, e acho até que sabe combinar as roupas, viu? rsrsrrs Ele tem 3 filhos, meus 3 netos amados. Vai lá:tresmeninos.blogspot.com)
Beijos em todos!

Lilian disse...

Maravilhoso mesmo o post.

Agora, a gente pode ajudar os meninos, dando uma forcinha pra serem bons pais, não? Deixar brincar de boneca, cuidar de ursinho e ter panelinhas e cozinha pra cozinhar. Sou muito a favor! E só não tinha a cozinha (completa, tinha uma pequenina do Brazil) porque era muito cara e não tínhamos espaço. Mas o resto tinha de tudo. Até uma mesa de passar e ferro comprei num natal. :-)

Mas sabe, a maior escola é o exemplo do pai, essa é a verdade, e nessa, os nossos meninos levam vantagem como ninguém!!

Doppelgänger disse...

Fantástico. Tirou uma lágrima dos meus olhos de pai.

Obrigado por compartilhar.

Der Doppelgänger