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Papito

Ontem a agenda foi cheia. Tão cheia que eu só fui lembrar que era dia dos pais no Brasil hoje (o daqui já tinha sido comemorado em Junho).


Meu pai já não está por aqui pra fazermos pra ele uma serenata matinal "surpresa", cantando mais uma vez a música de sempre e vê-lo feliz com nossos presentes "made in casa mesmo", quando éramos pequenos e "fruto do suor do nosso trabalho", quando começamos a ganhar nossos troquinhos. Pai faz falta.

Meu pai era daqueles que sabia de tudo. Sabia tudo de mecânica, por exemplo. Por isso escolheu por meses e a dedo um carro usado, mas com tudo novo, impecável sem nenhum arranhão, para me dar quando eu passei no vestibular da Fuvest. Carro esse que eu bateria no dia que ele trouxe pra casa, para sua extrema tristeza (pra não dizer fúria), isso porque ele sabia o quanto custava pagar o estrago. Ele sabia que a vida podia não ser fácil e fazia questão de nos ensinar o valor de tudo, contando e recontando sua história de infância pobre, de como dormia dentro do ônibus da oficina mecânica onde trabalhava aos 9 anos e de onde só saía para ir à escola a pé, por nem lembro quantos kilômetros, e como acabou dono de uma empresa de ônibus, com 2 faculdades. Sabia tudo de Física, de Matemática, se não sabia, fingia bem. Muitas coisas ele tinha um gosto imenso de ensinar, ficava orgulhoso quando perguntávamos. Outras, por razões desconhecidas por nós, ele não queria que aprendêssemos, como japonês, o que eu lamento. Mas ele sabia também brincar de voley de bexiga no corredor de casa, as melhores estratégias do jogo de dama, sabia resolver todo e qualquer problema, sabia ser um porto seguro. Eu, sendo a única menina sempre fui "a queridinha do papai", nunca tive dúvida disso, nem meus irmãos. É claro que eu sempre adorei o posto e procurava honrá-lo também sendo "a filha exemplar", tudo ia bem até eu resolver me casar com 18 anos. Mas até isso ele soube resolver e acabou amigão do meu marido, nem que só nos 4 meses entre nosso casamento e sua partida.


Outro dia eu estava conversando com meu irmão como deveríamos ter aprendido mais com ele, perguntado mais, sido melhores filhos e todas aquelas coisas que a gente só pensa depois que perde as pessoas. Como as coisas passam rápido e a gente nem sabe que está passando, e que logo elas podem acabar.


Fico um pouco triste porque Netack não tem nenhum avô, nem bisavô. Mas a sorte dele é que tem um paizão que vale por 3 gerações. Papito, como ele se auto-intitula, filmou o parto (ninguém merece....quem teve essa idéia devia ser condenada à 3 anos de reclusão sem direito a Passatempo Recheada), cortou o cordão e ficou mais de um ano sendo "dono de casa", a despeito de seus sentimos dúbios sobre o assunto, sendo o companheirão de seu Filhack e topando tudo para fazê-lo feliz. Papito não aguenta e vai socorrer Insoniack quando ele acorda chorando a noite, não aguenta e dá sorvete escondido da mamãe. Papito é danado e faz careta pra tudo, por isso Papitinho é tudo o que é, cheio de expressão, feliz até cansar, cópia reduzida de Papito. Papito também sabe de tudo e é bom que Papitinho saiba disso logo, pra curtir cada segundo do seu Papito e aprender tudo o que puder dele, desde agora...

Feliz Dia dos Pais atrasado para o Papito daqui e os demais Papitos por aí!

5 comentários:

Deby disse...

Nossos pais são nossos heróis.
Tb aprendi a jogar dama com o meu.
Qdo era pequena cheguei a ganhar dele. Hj não ganho mais. Ele tah mais treinado...rsrs
Linda homenagem!!1
bjinho

Marcia disse...

Keiko,

Em tanto que amiga concordo com tudo que voce disse ai do Johnnildo (como o Silvioplait o chama). O Johnny eh nota 10 mesmo.

juliana yoshimatsu pelegrini colen disse...

ah keiko, leio sempre você e a flávia, me fazem rir das nossas agruras de mãe vocês duas..rs
mas hoje me fez quase derrubar algumas lágrimas, pois moro longe do papis e a mamis já foi pro céu.
mas vambora que atrás vem gente e nossos pequenos precisam da gente ne.
beijos

Lilian disse...

Que lindo lindo post. É sempre muito bonito quando você escreve sobre o seu pai, muito lindo mesmo. A impressão que se tem olhando de fora, e de longe, é que vocês aproveitaram mesmo muito seu pai, apesar de tê-lo perdido relativamente cedo, que tinham um relacionamento sólido e com muitas tradições familiares que enriqueciam o seu convívio. Eu sempre lamento que não aproveito a existência dos meus pais e também dos avós que ainda restam (tenho uma e o K duas) o quanto deveria.

Claudia disse...

linda homenagem aos papitos!!!