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Um dia desses...(Post reflexivo de 1 ano do Princhuqueto, ligeiramente atrasado)

Um dia desses eu tinha uma barriga enorme, depois um nenezinho molinho, que de tão molinho e pequeno tinha que tomar cuidado pra não quebrar.
Hoje em dia eu tenho um menino danadinho, que se mexe de todas as formas possíveis, desce da cama, sobe no sofá, entra nos lugares mais improváveis, escala escada e tem que tomar cuidado se não é ele que quebra tudo.

Um dia desses eu acordava tarde e ficava enrolando na cama aos domingos
Hoje em dia alguém me chama cedo, o resgato de pé lá no berço e até tento o enrolar na cama comigo, mas ele morde meu nariz, faz "brrrrrr" na minha barriga, dá beijinho, abraço até me convencer que é inútil se fingir de morta, ele tem compromisso. E não adianta explicar que ele tem a vida inteira pra brincar, a vida é agora, as 7 da manhã.

Um dia desses eu me preocupava se um certo serzinho tinha frio, fome, sede.
Hoje em dia eu não preciso mais me preocupar pois ele sabe bem o que quer e não tarda a atacar meus peitos se quer mamar, fazer o sinal de "comer" quando quer comer, pedir "ábua" o tempo todo, nem que seja só pra se divertir com as maravilhas da comunicação e finalmente constatar que é compreendido.Além disso ele sabe bem como convencer a todos em um raio de 10km quando quer dormir ou não quer sentar na sua cadeirinha do carro, ninguém duvida.


Um dia desses eu poderia digitar um texto inteirinho sem parar.
Hoje em dia enquanto eu digito alguém vem sempre me inspecionar, ver seu eu ainda estou lá e como eu não resisto, só nesses parágrafos eu já saí pra trocar o CD, pra tocar pandeiro, pra construir uma nova torre de megablocos, pra botar o trenzinho pra funcionar e a vontade de ficar lá, brincando com ele é sempre maior do que a de voltar a fazer o que quer que seja.

Um dia desses eu não ficava abestalhada, olhando pra alguém.
Hoje em dia eu me pego rindo por dentro e por fora, olhando pra um menininho que dança ao som da música, que toca pandeiro com a pazinha de cavar areia, que descobre buraquinhos minúsculos onde pode enfiar seus dedinhos, que analisa a textura das coisas, que explora seus brinquedos com ar de cientista e que abre o sorriso mais lindo do mundo quando descobre que está sendo observado.

Um dia desses sair pra comer fora era isso, sair e comer fora.
Hoje em dia a mesma ação é quase uma operação militar, exige esquema de revezamento de pais, enquanto um come o outro distrai Explorack, depois dá comida pra ele, depois tenta recolher os 325 objetos que ele já jogou no chão, tudo isso enquanto finge que o restaurante inteiro não está olhando pra você e pensando que se você tem um bebê, deveria comer em casa.

Um dia desses eu poderia ir ao banheiro, fazer o número 2 de porta fechada, lendo uma revista tranquilamente.
Hoje em dia, se não tem mais ninguém em casa além de Semprivacizack, este "meu momento" parece mais um show de variedades. Fechar a porta é inútil a não ser que eu queira fundo musical. Tento o número de jogar alguma coisa longe pra ele ir buscar, coloco dentro da banheira com os patinhos, mas nessa hora especificamente, a despeito de toda sua independência em outros momentos, o que ele quer é ficar conversando comigo, no meu colo, aquele papo cabeça e aconchegante, super apropriado.

Um dia desses eu era filha.
Hoje em dia eu sou mãe, e finalmente me vejo obrigada a concordar com minha mãe com aquela frase horrível do "ser mãe é padecer no paraíso" e todos os outros clichês que fazem parte do pacote "quando você for mãe, você vai entender".

Um dia desses eu conseguia falar sobre vários assuntos, era até interessante conversar comigo.
Hoje em dia por alguma razão, 90% dos meus posts são marcados como "Papo de Mãe", pra dizer o mínimo.

Um dia desses eu não tinha idéia que hoje em dia minha vida seria tão diferente,mas tão completa de uma alegria inexplicável vinda de um serzinho que um dia desses só tinha meio metro.

Um dia desses eu achava que o tempo passava devagar demais.
Hoje em dia ele está voando...e do jeito que anda,
Daqui uns dias os brinquedos espalhados pela sala vão virar livros, roupas, namoradas, fotos e saudade...(credo!)

9 comentários:

Claudia disse...

Ai, ai, ai...lindo post-mãe!!! Todo o sacrifício deixa de ser sacrifício e vale muito, muito mesmo a pena!!!

Beijão Keiko!!!

Deby disse...

Que lindo!!
Amei, amei o post!!
bjinho

Sandra e Evaldo Vicente disse...

Como viver tudo isso eh bom demais e, apesar de toda a canseira, nos deixa melhores que antes, ne?

Paulinho disse...

Belo depoimento Mamãe!
Beijos!

Isabela disse...

Que lindo!

Até chorei... :-(

[]'s

Isabela.

Lilian disse...

Lindo post, adorei, claro... pois sei bem o que é isso :)

Lucy Tence Corbin disse...

Este post me deu uma vontade de chorar... voce escreve muito bem!

Flávia disse...

Também já estou com saudade do meu neném molinho ! Por que eles têm que crescer tão rápido ???

Beijinhos,
Flávia do Iglu.

Bibi Move Scliar disse...

Nossa, te descobri pela blogagem da amamentação e AMEI o teu texto.
Também moramos aqui no Canadá, em Montreal, e você?(e um dia desses eu fiquei grávida e estamos na espera)